Safra de café cresce 17%, mas preços para os cnsumidores continuam em alta

Última atualização: 09/04/2026 às 14:44

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Estimativa aponta aumento na produção devido à bienalidade positiva, mas baixos estoques globais e custos de produção sustentam valores nas prateleiras

Por Viviane Taguchi | Band

Safra de café cresce 17%, mas preços para os cnsumidores continuam em alta

Apesar da recupeação das lavouras em 2026, o preço do café deve continuar alto no varejo – Banco de imagens

A safra brasileira de café deve ter um crescimento significativo de 17,1% em comparação ao ciclo anterior, impulsionada pela bienalidade positiva do café arábica, cultivado principalmente em Minas Gerais e São Paulo. O dado, baseado em projeções iniciais da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do IBGE, indica uma recuperação importante da produtividade no campo. Mas, esse aumento na oferta não deve resultar em uma redução imediata nos preços para o consumidor final nos supermercados.

dinâmica do mercado de café é influenciada por fatores que vão além da quantidade colhida nas fazendas. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), o setor enfrenta atualmente os níveis de estoques globais mais baixos dos últimos 20 anos. Essa escassez mundial atua como um suporte para os preços, impedindo que a maior produção brasileira derrube as cotações de forma expressiva no varejo nacional. E, como o café é uma commodity, o preço não depende somente da safra brasileira, mas de todos os países produtores.

Entenda a bienalidade e o mercado

conceito de bienalidade é fundamental para compreender o setor cafeeiro. O cafeeiro arábica apresenta um ciclo natural onde, em um ano, a planta investe energia na produção de frutos (ano de alta) e, no ano seguinte, foca no crescimento dos ramos para a próxima safra (ano de baixa). O ciclo de 2026 marca justamente o período de alta produtividade, o que explica o salto projetado no volume total.

Mesmo com a perspectiva de mais grãos chegando ao mercado, os indicadores de preços permanecem elevados. Neste mês, o Indicador do Café Arábica CEPEA/ESALQ foi cotado a R$ 1.829,20 por saca de 60 kg. Já o café robusta (conilon), utilizado em larga escala pela indústria de café solúvel e em blends populares, fechou em R$ 891,15 por saca.

Para o consumidor, o impacto é sentido diretamente no bolso: nos últimos cinco anos, o preço do café torrado no varejo acumulou uma alta de 116%. Esse cenário de preços esticados provocou uma retração de 2,31% no consumo interno, com muitas famílias reduzindo a quantidade comprada ou buscando marcas mais econômicas para equilibrar o orçamento doméstico.

Desafios para a redução de custos

Além da questão dos estoques mundiais, a indústria de café lida com custos de produção que permanecem altos. Gastos com logística, energia e embalagens impedem que a desvalorização da matéria-prima, caso ocorra, seja repassada integralmente ao consumidor.

Há também uma divergência técnica entre as previsões. Enquanto órgãos oficiais como a Conab mantêm uma postura mais conservadora, consultorias privadas como a StoneX e o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projetam números que podem chegar a 63 milhões de sacas para a safra brasileira. Essa variação metodológica é comum no agronegócio, mas reforça a incerteza sobre o equilíbrio real entre oferta e demanda global nos próximos meses.

A manutenção dos preços elevados em 2026, mesmo diante de uma safra robusta, confirma que o café continua sendo um dos itens de maior pressão inflacionária na cesta básica brasileira, exigindo atenção tanto de produtores quanto de consumidores.

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