Última atualização: 07/06/2026 às 21:36
![]()
Mecanização no campo ajuda produtores rurais no ES: saiba os detalhes

Por Joana Versailles
VITÓRIA (ES) — A mecanização do campo tem se tornado uma aliada essencial para produtores rurais, especialmente os mais velhos, que encontram nas máquinas e drones uma forma de reduzir o esforço físico e manter a produtividade com mais segurança. No Espírito Santo, essa tendência é cada vez mais comum, transformando a rotina nas lavouras de café e outras culturas.
O cafeicultor Antônio Carlos Soares, de 69 anos, que possui uma propriedade em Vila Valério, no Noroeste do estado, é um exemplo desse movimento. Ele começou a trabalhar na lavoura ainda criança, acompanhando o pai desde os 8 anos de idade. Há décadas dedicado ao cultivo do café, Antônio Carlos percebeu que, para continuar no campo com qualidade de vida, seria preciso adotar tecnologias que diminuíssem o desgaste físico.
“Incentiva o produtor a ficar no campo e a trabalhar até com mais idade, porque fica mais fácil de fazer as coisas. Antigamente, você carregava o café nas costas. Hoje, por exemplo, tem máquina que colhe o café, que joga em cima do caminhão. Você não pega mais os saquinhos de café para jogar em cima”, afirmou o produtor aos veículos de imprensa.
Menos esforço, mais produtividade e segurança
A propriedade de Antônio Carlos conta atualmente com aproximadamente 60 mil pés de café e alguns drones, utilizados principalmente para a aplicação de defensivos agrícolas. Essa substituição do equipamento costal tradicional pelos drones representa um ganho significativo em saúde e ergonomia. “Antes era preciso usar a bombinha costal. Hoje, praticamente usamos muito pouco ela”, destacou o cafeicultor.
O engenheiro agrônomo Perseu Fernando Perdona, da cooperativa Cooabriel, explica que o uso dos drones elimina a exposição direta do trabalhador aos produtos químicos e reduz o risco de lesões ergonômicas. “A questão da saúde ergonômica também melhora quando não precisa colocar costal. Evita de ficar carregando peso e também ganha tempo; otimiza o tempo do produtor para que ele possa fazer outras atividades”, afirmou.
Tecnologia como ponte para a sucessão familiar
Além dos benefícios imediatos para a saúde dos produtores mais experientes, a mecanização no campo também desempenha um papel importante na atração de jovens para o setor. Octávio Ribeiro, supervisor de vendas da Cooabriel, destaca que a tecnologia fortalece a sucessão familiar nas propriedades rurais. “A tecnologia vem muito para somar de forma positiva para que os jovens interajam mais no campo e se interessem mais por tocar a atividade do pai, do avô, ao que está em família”, disse em declaração pública.
Para garantir que os equipamentos sejam usados de forma segura e eficiente, a Cooabriel oferece acompanhamento técnico aos produtores. Engenheiros agrônomos e especialistas em agropecuária realizam o monitoramento das lavouras, analisando o vigor das plantas, a taxa de crescimento, a infestação de pragas e doenças, e orientam sobre o uso de corretivos de solo e fertilizantes.
“A gente analisa o vigor, a taxa de crescimento da lavoura, a infestação de alguma praga, alguma doença, a necessidade de algum corretivo de solo, qual fertilizante utilizar, quando utilizar, como utilizar”, explicou Octávio Ribeiro. Segundo ele, qualquer ferramenta que auxilie desde o preparo do solo até a colheita e venda representa tecnologia embarcada à propriedade, contribuindo para um trabalho mais rápido e eficiente.
A mecanização não elimina o conhecimento tradicional dos agricultores, mas o complementa, permitindo que eles sigam ativos por mais tempo e com mais qualidade. Para Antônio Carlos Soares, a tecnologia é a garantia de que a história da família na lavoura continuará viva. “O café sempre foi a base da vida da família. Eu fui acompanhando meu pai, ajudando ele a trabalhar desde criança”, relembra, com a certeza de que as máquinas e drones estão ajudando a escrever os próximos capítulos dessa história.
Fonte: Diário do Estado GO