Última atualização: 08/06/2026 às 15:05
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Como se dá a colaboração entre marcas de equipamentos para café?

Principais conclusões
- O aumento dos custos está conduzindo marcas de equipamentos de café cada vez mais a uma colaboração estratégica.
- Moagem e extração passaram a ser vistas como um processo único e interligado.
- O moedor Mazzer x Slayer foi lançado durante o London Coffee Festival 2026.
- Parcerias de longo prazo ajudam as marcas a inovar sem perder sua identidade individual.
A indústria do café sempre foi um setor competitivo. No entanto, as marcas de café especial se posicionam como a alternativa de maior qualidade em relação às multinacionais e às grandes redes. E esta distinção exige inovação constante e credibilidade técnica.
Com preços do café oscilando e exigências de baristas e donos de cafeterias cada vez maiores, o investimento necessário para lançar novos produtos também aumenta. Um número crescente de empresas chegou à conclusão de que trabalhar com os concorrentes pode trazer mais benefícios ao setor do que trabalhar contra eles.
“Parcerias na fabricação de equipamentos não são novidade. Mas o crescimento da colaboração no setor reflete uma mudança ampla em como entendemos o preparo do café”, diz Jacopo Bambini (diretor de marketing do Grupo Cimbali). “Em vez de o vermos como uma série de etapas separadas, começamos a perceber que moagem, extração e preparo compõem um só processo interligado.
“No café especial, em particular, o foco na precisão, consistência e repetibilidade acelerou essa forma de pensar. À medida que as expectativas dos profissionais aumentam, especialmente em relação ao controle de qualidade e à eficiência do fluxo de trabalho, há uma tendência natural a abordagens mais integradas e a um alinhamento técnico mais estreito entre áreas de especialização, antes separadas.”
Ao unir conhecimento técnico, instalações de produção e recursos, as marcas de equipamentos podem desenvolver produtos que nenhuma delas conseguiria criar sozinha e, assim, elevar o padrão de toda a indústria do café.

A colaboração é tendência no café especial
O café especial valoriza a identidade de cada marca. Torrefadores competem na origem dos grãos, enquanto fabricantes de equipamentos disputam excelência em engenharia. No entanto, um número crescente de empresas vem percebendo que a colaboração oferece um caminho mais interessante do que a competição, principalmente diante do aumento dos custos envolvidos no lançamento de novos produtos no mercado. Os encargos financeiros e operacionais da inovação têm levado os torrefadores a dividir riscos e lançar novos produtos em conjunto, em vez de arcarem com eles sozinhos.
Baristas e donos de cafeterias, por sua vez, querem consistência, controle e um fluxo de trabalho ágil, sem sacrificar a qualidade. Atender a essas demandas exige um conhecimento profundo cada vez mais difícil para qualquer fabricante de equipamentos alcançar e manter sozinho.
“Há um foco crescente no pensamento sistêmico em que a moagem e a extração não são mais vistas como etapas separadas, mas como partes de um único processo integrado, principalmente no café especial”, diz Jacopo. “A moagem, antes tratada como uma etapa preparatória, emergiu como uma das variáveis mais críticas no preparo do café.
“Nesse contexto, dois dos fabricantes de equipamentos de café mais influentes da Itália, o Grupo Cimbali e a Mazzer, anunciaram uma parceria histórica que marca um novo capítulo na tecnologia profissional do café.”
A parceria reúne a experiência do Cimbali Group em máquinas de espresso com a especialização da Mazzer em moagem. O Cimbali Group, dono das marcas LaCimbali, Faema, Slayer e Casadio, tem décadas de conhecimento em tecnologia de espresso, enquanto a Mazzer contribui com sua engenharia mecânica e de lâminas.
“Ambas as empresas são de fundação familiar e construíram sua reputação com base em conhecimento técnico, confiabilidade e compromisso com a melhoria contínua – e não em tendências de curto prazo”, diz Jacopo. “Essa sintonia de cultura e valores fez com que a colaboração parecesse menos um acordo comercial e mais uma extensão natural de nossas respectivas identidades.”

O conhecimento compartilhado sobre café está impulsionando a inovação
À medida que o setor de café especial cresce tanto em tamanho quanto em relevância cultural, a colaboração tem ganhado ainda mais importância. O que começou como uma troca impulsionada pela comunidade evoluiu para uma ferramenta estratégica de fidelização de marca.
A colaboração entre concorrentes diretos também abre espaço para parcerias criteriosamente escolhidas. As marcas de equipamentos de café têm a oportunidade de combinar seus respectivos pontos fortes, públicos e perspectivas para criar algo que nenhuma delas conseguiria produzir sozinha.
O primeiro produto da parceria entre o Grupo Cimbali e a Mazzer é o moedor Mazzer x Slayer, lançado oficialmente no estande HP29 do London Coffee Festival 2026, realizado de 14 a 17 de maio.
“O moedor Mazzer x Slayer foi projetado para cafeterias focadas no serviço de cafés especiais e em ambientes de médio a alto volume, combinando tecnologia avançada e eficiência operacional”, explica Jacopo. “Ele tem a funcionalidade de moagem por peso, uma célula de carga integrada, mós cônicas de 69 mm e as novas mós Mazzer ZZ, desenvolvidas com uma geometria totalmente inédita.
“Essas mós foram projetadas para reduzir a força de compressão em favor de uma superfície de corte maior, resultando em uma moagem mais uniforme e maior clareza na xícara.”
Como as pesquisas sobre design de mós já ilustraram, o atrito excessivo durante a moagem volatiliza os delicados compostos aromáticos antes da extração, resultando num café sem características vibrantes.
A aquisição da Keber – fabricante especializada em lâminas e mós com sede em Veneza – pelo Grupo Cimbali em 2019 permitiu que a empresa combinasse conhecimento em metalurgia, engenharia de precisão e uma abordagem artesanal para criar lâminas de alto desempenho. As instalações de produção da Mazzer e seu conhecimento em mecânica de moagem agora acrescentam uma camada complementar de precisão.
“A principal inovação está em repensar a moagem e a extração como um processo unificado, e não como etapas separadas”, diz Jacopo. “Ao projetar esses elementos para que funcionem em conjunto como parte de um único sistema, é possível alcançar um nível mais alto de controle sobre as variáveis do preparo.”

Manutenção da identidade da marca
Em vez de tratar colaborações como oportunidades pontuais, as marcas estão cada vez mais se envolvendo em parcerias de longo prazo. “A colaboração entre o Grupo Cimbali e a Mazzer vai além do lançamento de um único produto, desdobrando-se em uma parceria estratégica de longo prazo”, diz Jacopo.
“Ela representa a base de uma visão industrial mais ampla, focada em uma integração mais profunda entre as tecnologias do café. Nossa ambição de longo prazo é avançar em direção a um ecossistema totalmente alinhado, do grão à xícara, onde cada etapa do preparo seja otimizada como parte de um sistema coeso que atenda às necessidades dos profissionais em termos de consistência, velocidade e controle”, ele complementa.
Ao mesmo tempo, as marcas precisam manter seu senso de individualidade e independência. “A Slayer tem uma identidade muito clara no café especial, especialmente na forma como aborda o espresso como uma experiência artesanal e orientada ao desempenho”, explica Jacopo.
“Em vez de alterar essa identidade, a colaboração foca em garantir que a tecnologia de moagem da Mazzer a aprimore e apoie. Ambas as empresas compartilham uma forte cultura de engenharia e um compromisso com a precisão, o que permite o alinhamento técnico sem comprometer a identidade distinta de nenhuma das marcas. O resultado é um sistema mais conectado, onde moedor e máquina operam em sintonia”, ele conclui.

Quando os custos estão altos e os profissionais esperam mais de seus equipamentos, compartilhar conhecimento técnico faz mais sentido do que duplicá-lo. Marcas de equipamentos que unem recursos e conhecimento tendem a construir uma posição de mercado mais forte do que as que atuam sozinhas.
Diante da pressão constante para inovar no café especial, é bem provável que vejamos mais concorrentes optarem por trabalhar juntos, em vez de competir separadamente.
Fonte: Perfect Daily Grind