Café Guardião, da Cooabriel, projeta expansão para a Grande Vitória

Última atualização: 10/06/2026 às 17:41

Loading

Café Guardião, da Cooabriel, projeta expansão para a Grande Vitória

Por Stefany Sampaio | Folha Vitória

Café Guardião, da Cooabriel, projeta expansão para a Grande Vitória

Se por muito tempo, o café conilon foi considerado café de volume e não de qualidade, nos últimos anos essa narrativa mudou e o Café Guardião, marca própria da Cooabriel, é uma prova concreta dessa virada.

Lançado em 2019, o Café Guardião é feito com grãos 100% conilon, capixaba, com rastreabilidade e padrão de qualidade. Nasceu dentro de uma cooperativa fundada em 1963, no noroeste do Espírito Santo, que hoje reúne mais de 10 mil cooperados, faturou R$ 3 bilhões em 2025 e ocupa a nona posição entre as melhores cooperativas do agronegócio nacional.

Após um crescimento consistente, a marca projeta sua expansão para a Grande Vitória, movimento que consolida a presença do conilon capixaba no varejo da capital.

O gerente de novos negócios da Cooabriel, Alexandre Ferreira, relembra a trajetória de desenvolvimento da marca e destaca a maturidade do projeto: “Desde o lançamento, atuamos nas regiões Norte e Noroeste do estado, acompanhando de perto a aceitação do produto. Nesse período, aprimoramos a qualidade, desenvolvemos novas embalagens até chegar no padrão que temos hoje. O próximo passo é abrir espaço na Grande Vitória, que concentra o maior mercado consumidor do estado”, afirma.

“Estamos expandindo a marca para que esses consumidores tenham o prazer de provar na xícara um produto que é da terra, com origem e identidade capixaba”, acrescenta Ferreira.

A trajetória do Café Guardião não é isolada. Ela acompanha uma transformação estrutural que o conilon capixaba vem vivendo nas últimas décadas. O Espírito Santo é o maior produtor do Brasil, com mais de 49 mil propriedades rurais em 68 municípios. Durante muito tempo, esse café saía do estado majoritariamente como grão verde, sem processamento, sem marca, sem margem.

O que mudou foi a consciência de que qualidade gera preço. A Cooabriel, por meio de consultoria técnica especializada e investimentos em capacitação, passou a trabalhar junto aos cooperados nos pontos que mais impactam o resultado na xícara: colheita no ponto certo, cuidado na secagem e armazenagem adequada. O trabalho no campo se reflete no produto final e o mercado passou a enxergar isso.

O Concurso Conilon de Excelência Cooabriel é um bom exemplo de como a percepção e o reconhecimento mudaram. Criado em 2003, foi o pioneiro para a variedade no Brasil. Em 2025, o campeão levou R$ 30 mil. Na edição de 2026, a premiação por saca pode superar R$ 15 mil, um número que seria impensável para um café que o mercado tratava como commodity sem diferenciação.

Premiações como essa não representam apenas uma competição: são um mecanismo de transformação cultural. Quando o produtor sabe que o seu cuidado com o pós-colheita pode multiplicar o valor da saca, a decisão de investir em qualidade deixa de ser abstrata e passa a ter reconhecimento financeiro, o que faz muita diferença para quem produz.

A avaliação sensorial é parte central nesse processo. Quando bem processados, os grãos têm características que surpreendem quem ainda carrega o preconceito da commodity: encorpado, com notas achocolatadas, baixa acidez e amargor equilibrado. Um perfil que agrada ao consumidor brasileiro e que tem espaço crescente no mercado de cafés especiais. A metodologia adotada nos concursos segue os protocolos internacionais da Specialty Coffee Association, aproximando o conilon capixaba dos padrões que o mercado premium reconhece e remunera.

Para Luiz Carlos Bastianello, presidente da Cooabriel, o momento atual é de consolidação de um processo que vem sendo construído ao longo de anos. “É importante que o produtor entenda a necessidade de continuar trabalhando no aprimoramento dos processos produtivos. Estamos diante de um cenário em que tende a ter café suficiente no mercado e, nesses momentos, o cafeicultor que produziu com qualidade é recompensado com oportunidades mais acessíveis”, observa.

Para o produtor que ainda não enxergou essa equação, o Café Guardião entrega o argumento mais concreto disponível: um café 100% conilon capixaba, com marca, com consumidor fiel e com expansão em curso. Num momento em que o preço da saca está pressionado e a colheita avança devagar, qualidade é o que protege a margem. E quem entendeu isso primeiro já está colhendo os resultados, dentro da própria safra.

Coordenação

Origens

Mais acessadas nos últimos 30 dias

Mais recentes

Mais recentes

logopeabirus

REDE SOCIAL DO CAFÉ
Infraestrutura ativa de informação, comunicação e conexão do sistema agroindustrial dos Cafés do Brasil

Voltar ao topo