Última atualização: 10/06/2026 às 17:46
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Projeto de Lei almeja destravar crédito e cultivo de café na Amazônia

Por Joana Versailles | Diário do Estado
O acesso ao crédito pode mudar com um novo projeto de lei que visa estimular o cultivo de café na Amazônia. O deputado federal Roberto Duarte (Republicanos/AC) apresentou o Projeto de Lei nº 2.764/2026, que altera o Código Florestal Brasileiro, permitindo que os agricultores possam cultivar café de forma autônoma e em monocultura. Essa mudança é especialmente significativa para o agricultor familiar, que poderá melhorar sua renda sem derrubar árvores nativas, potencialmente aumentando suas receitas em até três vezes. O suporte financeiro também se torna mais acessível, permitindo créditos com taxas que podem começar em 5% ao ano para aqueles que não têm o título da terra.
Na atualidade, a taxa Selic está fixada em 13,75%, e o mercado de crédito se ajusta a essa realidade, refletindo a instabilidade econômica que o Brasil enfrenta. Nos últimos meses, o volume de crédito pessoal teve uma queda de 15%, principalmente devido ao aumento da taxa de inadimplência, que atualmente gira em torno de 5,5% entre pessoas físicas. O cenário de incertezas fez com que muitos pequenos produtores se afastassem da formalização, principalmente em relação à agricultura na Amazônia. Esse novo projeto pode ser um divisor de águas nesse contexto.
Economistas e especialistas em finanças estão observando atentamente as movimentações do projeto. A proposta do deputado Roberto Duarte foi bem recebida por alguns setores. Ele afirmou: “Esse projeto foi construído ouvindo o produtor rural. O que ele me pediu foi simples: o direito de plantar com eficiência e de se regularizar de forma realista.” Essa afirmação demonstra que o projeto visa responder às demandas reais do campo, o que pode reverter a percepção de restrições que os pequenos produtores enfrentam quando buscam financiamento para suas atividades agrícolas.
Quais os principais benefícios da proposta?
A proposta do PL 2.764/2026 traz benefícios evidentes para o cultivo do café, principalmente no que diz respeito ao acesso ao crédito. Mesmo na ausência do título da terra, pequenos agricultores poderão recorrer ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF) e ao sistema de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). Essa estratégia pode reduzir a burocracia, permitindo que a regularidade da ocupação seja comprovada pelo Cadastro Ambiental Rural (CAR). Em um laboratório de ideias, a proposta defende o cultivo do café robusta, que pode gerar uma receita significativa e sustentável.
Esse avanço se alinha com a urgência de financiar práticas sustentáveis na Amazônia. A necessidade de garantir que a agricultura respeite a biodiversidade tem se mostrado um desafio, e o crédito se torna uma ferramenta vital. Para mais informações sobre como se candidatar a uma linha de financiamento, produtores devem estar atentos às novas regras que permitem a eles um espaço para crescer sem comprometer o meio ambiente.
O impacto econômico dessa iniciativa deverá ser mensurado não apenas em termos de lucros potenciais, mas também na criação de empregos e no aumento da produção sustentável que beneficia o mercado local. O pequeno produtor que hoje enfrenta dificuldades financeiras encontrará no crédito facilitado uma nova chance de prosperar.
Como está a situação do crédito rural atualmente?
Atualmente, o crédito rural enfrenta uma série de desafios, especialmente em áreas menos favorecidas como a Amazônia. A comparação com tarifas de crédito pessoal revela que os juros para o financiamento de equipamentos e insumos frequentemente são elevados, variando entre 15% e 25% ao ano, dependendo da instituição financeira. Isso faz com que muitos pequenos agricultores não tenham condições de acessar esses recursos, limitando sua capacidade de investimento e crescimento.
Além disso, a inadimplência entre esse grupo particular de produtores é elevada, refletindo dificuldades em honrar compromissos financeiros que muitas vezes ultrapassam 20%. O projeto visa mudar essa realidade ao permitir novas formas de regularização e a gestão das propriedades rurais, que muitas vezes são documentadas de maneira precária. A autorização para cultivar café sem a exigência de mistura com árvores nativas poderá facilitar essa transição.
Embora algumas agências tenham demonstrado ceticismo em relação ao projeto, existe uma pressão crescente para que mais suporte seja dado aos cafeicultores. Por exemplo, aqueles que são autônomos ou não possuem uma renda fixa, como os aposentados, apresentam um cenário mais complexo de concessão de crédito.
Quais os próximos passos para o projeto de lei?
O PL 2.764/2026 agora segue para análise das comissões temáticas da Câmara dos Deputados, onde serão feitas reuniões para discutir e aperfeiçoar a proposta. Especialistas indicam que esse trâmite legislativo será fundamental para ajustar os detalhes que podem fazer a diferença no mercado.
Análises de especialistas em finanças sugerem que tal proposta pode incentivar a expansão de uma cafeicultura mais sustentável, potencialmente abrindo novas linhas de crédito que atendam a demanda de um setor que representa tanto a economia local quanto a riqueza regional. Com a sucessão de mudanças no Código Florestal, a relação entre agricultores e ambientalistas também pode ser reavaliada a fim de alinhar suas expectativas.
O acesso ao crédito em condições justas será decisivo para os próximos passos do café amazônico. Para aqueles que desejam participar de programas de crédito, é essencial reunir a documentação necessária, como inscrição no CAR, e identificar as especificidades do projeto para compreender não apenas o potencial de remuneração, mas como esse novo modelo poderá se sustentar na prática.