Última atualização: 04/07/2026 às 19:47
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Família de descendentes italianos voltou a plantar café em 2017 e hoje colhe safra promissora com variedades selecionadas e processo artesanal do grão à xícara

Foto: EPTV
Em Morungaba, na região de Campinas, uma família mantém viva uma história que começou muito antes de qualquer um dos seus membros nascer. Os antepassados de Sérgio Ciconato vieram da Itália para trabalhar com café na região. Décadas depois, a produção deu lugar à pecuária e à granja — até que em 2017, pai e filho decidiram recomeçar do zero, plantando as primeiras mudas. Hoje, a lavoura que sobreviveu inclusive à geada de 2021 está carregada e pronta para uma das melhores colheitas dos últimos anos.
Uma das apostas da família para garantir qualidade foi produzir as próprias mudas, escolhendo a genética de cada variedade plantada. “Com menos investimento, uma genética boa, a gente consegue fazer muita coisa”, explica Pedro Ciconato, filho de Sérgio e responsável por trazer boa parte das novidades técnicas para o sítio. Entre as variedades cultivadas estão o Graúna e o Arara, escolhidas tanto pela produtividade quanto pelo perfil de bebida que oferecem.
A colheita é feita de forma seletiva, apanhando apenas os grãos maduros um a um. Depois, o café passa pelas chamadas camas africanas — um sistema de secagem suspensa que Pedro introduziu na propriedade e que é referência na produção de cafés especiais. Antes de ir para a torra, o café passa ainda por uma análise sensorial chamada cupping, onde o próprio visitante prova diferentes perfis e escolhe como quer o seu grão torrado. “A gente precisa saber qual é o sensorial desse café para tirar o melhor resultado na torra”, explica Pedro.
A irmã Isabelle Ciconato, que tem outras atividades fora do sítio, também faz questão de participar. “Nossa família se fez com o café, então é um orgulho fazer parte disso”, diz ela, que já planeja estar 100% na propriedade em breve. Para Sérgio, ver os filhos dando continuidade ao trabalho é motivo de emoção. “Trabalhei com meu avô na lavoura, sou apaixonado por isso, e ver meu filho e minha filha dando sequência é importantíssimo pra gente”, diz ele.
Com expectativa de produzir entre 40 e 45 sacas por hectare mesmo num ano considerado de baixa, os planos para o futuro incluem expandir o plantio, aumentar a torra própria e ampliar o acesso de quem quer conhecer de perto a origem do que bebe. “Quem toma café especial hoje não quer só saber o valor dele na xícara — quer entender todo o processo”, resume Pedro.
Fonte: Rede Globo