Nespresso reduz emissões líquidas de CO2 pela primeira vez

Última atualização: 15/07/2026 às 16:55

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Resultado veio depois de dez anos de investimentos que totalizaram 1,2 bilhão de francos suíços (R$ 1,49 bilhões)

Por Cibelle Bouças — Belo Horizonte | Globo Rural

Cafezal na Fazenda Rainha da Paz,  em Patrocínio (MG) – Foto: Divulgação/Nespresso

Após investir 1,2 bilhão de francos suíços (US$ 1,49 bilhão) durante dez anos em programas de sustentabilidade, a Nespresso conseguiu, pela primeira vez, reduzir em 3% as emissões líquidas globais de gases de efeito estufa, em relação ao ano-base de 2018. O resultado, divulgado com exclusividade ao Valor, foi alcançado em 2025 pela controlada da Nestlé, que criou a categoria de cápsulas de café. Com isso, as emissões líquidas ficaram em 1,15 milhão de toneladas de CO2e. A Nespresso também atingiu 100% de eletricidade de fontes renováveis em 2025.

Um conjunto de iniciativas globais permitiu a redução. Entre elas estão o Plano Nespresso de Qualidade Sustentável, que une busca por qualidade, práticas de agricultura regenerativa, inclusão social e rastreabilidade total do produto. O programa, que começou em 2003 com 300 agricultores na Costa Rica, tem hoje com 131 mil agricultores em 18 países.

No Brasil, a marca investe em torno de R$ 70 milhões por ano em cerca de 500 fazendas de café parceiras do programa. Essas fazendas respondem por aproximadamente 30% do volume de café adquirido pela Nespresso no mundo.

“Nossos investimentos na transição para a agricultura regenerativa estão impulsionando avanços concretos. Os resultados de cada investimento são colhidos com consistência e a longo prazo”, afirma Daniel Motyl, gerente de café verde na Nespresso Brasil.

Um dos pilares da estratégia da companhia é a agricultura regenerativa. De acordo com auditoria independente da Enveritas, 85% do café verde da marca é produzido em fazendas participantes do Plano Nespresso de Qualidade Sustentável. A marca oferece suporte técnico e incentivo financeiro para estimular os produtores a adotarem práticas regenerativas, como uso de fertilizantes orgânicos, biochar e monitoramento ambiental.

A Nespresso também investe em agroflorestas para remoção de carbono da atmosfera. De acordo com a empresa, em 2025, foram plantadas mais de 2 milhões de árvores em regiões do Plano Nespresso, sendo 1,9 milhão de unidades destinadas especificamente à remoção de carbono.

Outra iniciativa que contribuiu para a redução das emissões foi o investimento em economia circular. Quando as cápsulas Nespresso foram lançadas, em xx, o seu destino virou uma preocupação ambiental mundo afora. Atualmente, 33% das cápsulas vendidas pela marca no mundo são recicladas, e a meta global é chegar a 50% de embalagens reciclagem até 2030. Hoje, 79 países têm acesso a algum sistema de reciclagem para cápsulas Nespresso, segundo a empresa.

No Brasil, segundo Marina Gargiulo, gerente de branding, comunicação e sustentabilidade na Nespresso Brasil, 100% dos consumidores têm acesso a pelo menos um modo de reciclagem: por meio dos mais de 400 pontos de coleta, as 42 boutiques Nespresso no país ou enviando pelos Correios.

Todo o material coletado é encaminhado ao centro de reciclagem em Valinhos (SP), onde o alumínio e a borra de café são separados e reinseridos em novas cadeias produtivas. A borra de café, por exemplo, é usada na produção de biometano, iniciativa com potencial de evitar a emissão na natureza de 857 toneladas por ano de carbono equivalente.

“Após cerca de um ano de implementação e validação técnica, firmamos uma parceria com a Crivellaro Ambiental para a produção de biometano a partir da borra de café. A Crivellaro não faz apenas a produção do biometano, ela cuida de toda a reciclagem das cápsulas, desde a separação do alumínio da borra do café, até a destinação dos materiais para a indústria”, diz Gargiulo. O projeto processa até 850 toneladas de borra de café por ano.

Outro exemplo de iniciativa de economia circular é uma parceria feita com a Natura Ekos, desde 2024, para uso do alumínio das cápsulas recicladas na composição das bisnagas de hidratante. Segundo a Nespresso, a medida permite um reaproveitamento de mais de 2 toneladas de cápsulas por ano.

Há ainda medidas para promover inclusão social e geração de renda, de acordo com a empresa. Em 2025, 5,3 mil cafeicultores participaram do piloto do modelo Living Income Reference Price (LIRP), em Caldas, na Colômbia. Segundo a Nespresso, a iniciativa garante remuneração mais estável e sustentável aos agricultores. O modelo faz parte da meta global da Nespresso de garantir que, até 2030, todos os pequenos produtores participantes do Plano Nespresso de Qualidade Sustentável recebam o LIRP.

No Brasil, diz Motyl, os cafeicultores parceiros recebem um pagamento de bônus sobre o preço de mercado, para valorizar a produção sustentável.

Além disso, a Nespresso investiu recentemente R$ 5,4 milhões em 130 fazendas para subsidiar a compra de insumos sustentáveis, como o biochar.

O Brasil é hoje o maior fornecedor global de cafés verdes para a Nespresso, respondendo por 30% do volume mundial. E 90% do café comprado no Brasil vem de fazendas com práticas regenerativas e com rastreabilidade de toda a cadeia produtiva. A Nespresso conta com uma equipe de 22 técnicos agrícolas e agrônomos para treinar o orientar os produtores no Brasil. No mundo, são 645 profissionais.

Pesquisas internas da empresa indicam que os cafeicultores que integram o programa de sustentabilidade têm uma melhoria média de 41% nas suas condições econômicas, de 52% nas condições ambientais e de 22% nas condições sociais em comparação com os produtores que não participam da iniciativa.

Os dados fazem parte do relatório global anual de sustentabilidade da Nespresso. O relatório destaca ainda a recertificação da marca como empresa B Corp, com 105,4 pontos na Avaliação de Impacto B, resultado 25% superior ao ciclo anterior. A certificação, concedida pelo B Lab, é dada a empresas que comprovam altos padrões de responsabilidade social, ambiental, transparência e governança.

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