Última atualização: 19/07/2026 às 11:49
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Características de solo, clima e relevo favorecem a produção em diferentes regiões do Estado
Por Cibelle Bouças — Belo Horizonte | Globo Rural

Karoline Fonseca cultiva 4,5 hectares de café em Triunfo (PE) — Foto: Rafael Aroeira
Karoline Fonseca montou em 2015 uma cafeteria com o marido Gabriel Althoff, em Triunfo (PE), na Serra de Baixa Verde, quase na divisa com a Paraíba. O empreendimento fez sucesso e ela buscou mais conhecimentos sobre cafés.
Em uma visita à Semana Internacional do Café (SIC), realizada anualmente em Belo Horizonte, ela descobriu o universo dos cafés especiais. “Meu marido foi para o Caparaó [MG], conheceu produtores, comprou uma máquina de torrefação e nos tornamos a primeira cafeteria da região com torrefação própria”, conta.
Em 2018, a dupla resolveu plantar o próprio café, aproveitando sementes que receberam de produtores da região da Serra do Caparaó, incluindo variedades arara, catuaí, catucaí, obatã e geisha. Triunfo fica a 1 mil metros de altitude, tem clima de montanha, que varia de 30°C durante o dia a 12°C à noite. O solo é mineralizado, rochoso e argiloso, com características que favorecem a produção de cafés especiais.
Karoline é uma das primeiras produtoras de café especial em Triunfo. Hoje o município conta com 20 produtores. Ela mantém uma propriedade de dez hectares, sendo 4,5 hectares só de café. A produção é beneficiada, torrada e vendida na cafeteria do casal e pela internet, com a marca Café do Brejo.
Em 2025, ela decidiu abrir sua propriedade para turismo rural. “Nosso café é irrigado e tem café sombreado, produzido em consórcio com banana, abacate e feijão guandu. Levar o conhecimento sobre a produção aos consumidores ajuda a agregar valor ao nosso produto”, declara.
Crescimento nos últimos anos
Triunfo, Taquaritinga do Norte, Exu e Garanhuns são municípios de Pernambuco que expandem o plantio de cafés especiais. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Pernambuco plantou 993 hectares e deve colher 423 toneladas de café neste ano. Em 2020, a produção era de 167 toneladas de café, plantados em 466 hectares.
Taquaritinga do Norte, conhecida como capital pernambucana do café e localizada no Agreste pernambucano, lidera a produção, com 420 toneladas. Localizado no Sertão do Pajeú, a 900 metros de altitude, o município tem clima ameno, relevo serrando e sistemas agroflorestais que dão o tom ao terroir do café da região.
Avelar Rodrigues Pimentel cultiva 1,5 hectare de café em Exu, na Serra do Araripe. “Fui para Brasília nos anos 1980 tentar a vida. Voltei depois de 24 anos e descobri que não tomavam café aqui. Fui fazer café torrado e vinha um monte de gente pedir porque sentia o cheiro. Comecei a comprar café dos vizinhos e torrar. Em 2019 comecei a plantar e o Sebrae me deu força para continuar”, relata o produtor.

Avelar Rodrigues Pimentel cultiva 1,5 hectare de café em Exu, na Serra do Araripe — Foto: Rafael Aroeira
A produção de Pimentel é vendida nas feiras de agricultura familiar com a marca Pimentel Family Coffee. Ele diz que está preparando 500 mudas para ampliar o cultivo ainda neste ano.
Em 2026, Triunfo e Taquaritinga do Norte protocolaram junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) o registro de indicação geográfica, na modalidade denominação de origem, para os cafés das duas localidades. O trabalho é fruto de uma parceria entre o Sebrae e a Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe).
“Estamos mapeando as regiões e entrando com o pedido de registro no INPI. São cafés únicos, alguns até já premiados pela qualidade”, ressalta Roberta Andrade, presidente da Adepe.
Ela acrescenta que cadeia do café nesses municípios tem ganhado tração, com aumento da produção, desenvolvimento do turismo rural e da gastronomia local. “Pernambuco tem qualidade e competitividade para ocupar cada vez mais espaço no cenário nacional dos cafés especiais”, completa.
Os produtores de cafés especiais participam da 26ª Fenearte (Feira Nacional de Negócios do Artesanato), que segue até domingo (19), no Pernambuco Centro de Convenções, em Olinda (PE), pelo governo de Pernambuco.