Última atualização: 27/07/2026 às 11:53
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Pesquisa com camundongos indica que a cafeína pode amenizar parte dos efeitos de uma noite ruim sobre a memória
Por Mariana Rios e Agência Einstein | Correio 24 Horas

Necessidade constante de cafeína pode indicar que a qualidade ou a quantidade do sono está inadequada Crédito: Pexels
Se você já tentou resolver um problema importante depois de virar a noite e sentiu que o cérebro estava funcionando em “modo economia de bateria”, a ciência tem uma explicação. E, sim, o café pode dar uma forcinha — mas não espere que ele transforme olheiras em genialidade.
Um estudo pré-clínico publicado na revista Neuropsychopharmacology mostrou que a privação de sono prejudica a comunicação entre os neurônios do hipocampo, região do cérebro responsável pela formação e consolidação das memórias. A boa notícia? A cafeína conseguiu amenizar parte desse estrago — pelo menos em camundongos.

De vilão a aliado: o café deixou de ser visto apenas como prejudicial e hoje é associado a benefícios, principalmente pelo alto teor de antioxidantes, com potencial efeito protetor cardiovascular e metabólico por Freepik
Pesquisadores da Universidade Nacional de Singapura mantiveram os animais acordados por cinco horas e, depois, ofereceram água com cafeína por sete dias. Ao analisar a atividade elétrica do cérebro dos roedores, observaram sinais de recuperação no circuito cerebral afetado pela falta de sono.
Segundo a neurologista Ana Aguilar, especialista em medicina do sono do Hospital Israelita Einstein, já existem evidências sólidas de que dormir é essencial para guardar o que aprendemos ao longo do dia. É durante o sono que o cérebro reorganiza informações, fortalece as conexões entre os neurônios e consolida lembranças.
Quando a noite é mal dormida, esse processo fica comprometido. Além disso, ocorre o acúmulo de adenosina, substância que reduz a atividade cerebral e aumenta a sensação de cansaço. A cafeína entra justamente nessa história: ela bloqueia a ação da adenosina e ajuda a manter o cérebro mais alerta, reduzindo parte dos prejuízos provocados pela falta de descanso.
Mas antes de decretar que o café venceu o travesseiro, especialistas fazem um alerta. Como a pesquisa foi realizada em animais, ainda não é possível afirmar que o mesmo efeito ocorre em humanos.
A pneumologista Luciana Palombini, do Instituto do Sono da Unifesp, lembra que a privação de sono afeta o cérebro por vários mecanismos, incluindo alterações no sistema responsável por eliminar resíduos acumulados durante o dia. Ou seja: um cafezinho pode espantar o sono, mas não substitui as funções de uma noite bem dormida.
Outro recado importante é para quem não consegue começar o dia sem várias doses de café. A necessidade constante de cafeína pode indicar que a qualidade ou a quantidade do sono está inadequada e merece investigação.
Especialistas recomendam consumo moderado: até 400 miligramas de cafeína por dia — cerca de quatro xícaras de café coado para a maioria dos adultos saudáveis. Acima disso, o risco é trocar a falta de sono por palpitações, ansiedade e mais uma noite contando carneirinhos.