Acordo firmado pelo MP prevê R$ 47,2 milhões para indenizar cafeicultores em MG

Última atualização: 28/07/2026 às 15:46

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Termo de Ajustamento de Conduta prevê ressarcimento a produtores rurais atingidos por prejuízos relacionados a supostos desvios de café da Cocapil, em Ibiraci.

Por g1 Sul de Minas

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a empresa EldoradoAgro Participações Ltda. para garantir a reparação dos danos coletivos sofridos por cafeicultores cooperados da Cooperativa dos Cafeicultores e Agropecuaristas de Ibiraci (Cocapil), no Sul de Minas. O acordo foi assinado no último dia 23 de julho pela Promotoria de Justiça de Ibiraci.

Pelo TAC, a empresa se comprometeu a destinar R$ 47.196.930,27 para o ressarcimento dos produtores rurais atingidos pela crise da cooperativa. Os recursos serão depositados em uma conta judicial vinculada à Vara Única da Comarca de Ibiraci e ficarão à disposição dos cooperados lesados.

O acordo foi firmado no âmbito de um Inquérito Civil instaurado pelo MPMG para assegurar a reparação dos prejuízos relacionados aos fatos investigados em um processo criminal que apura supostos desvios de milhares de sacas de café pertencentes à Cocapil.

Cooperativa dos Cafeicultores e Agropecuaristas de Ibiraci (Cocapil) — Foto: Lindomar Cailton/EPTV

Conforme o TAC, o ressarcimento deverá ocorrer, prioritariamente, por meio da venda de imóveis da EldoradoAgro, com os valores sendo depositados em conta judicial. O documento também prevê a realização de uma perícia técnico-contábil para apurar com precisão o montante dos danos causados aos cooperados.

Segundo o Ministério Público, a medida busca preservar patrimônio suficiente para garantir a futura indenização dos cafeicultores e reforça a atuação da instituição na defesa dos interesses coletivos e da economia local.

O que dizem os envolvidos

Em nota enviada ao g1, a defesa da EldoradoAgro Participações Ltda., representada pelo advogado João Marcelo Bovo, afirmou que o TAC reconhece a empresa como holding de sucessão familiar, sem envolvimento societário ou financeiro nos fatos investigados envolvendo a Cocapil. Segundo a defesa, Elvis Vilhena Faleiros é apenas detentor de direitos creditórios decorrentes de herança.

Ainda conforme a defesa, houve atuação conjunta com o MPMG para que os direitos hereditários de Elvis fossem destinados integralmente à reparação dos prejuízos dos produtores rurais. A EldoradoAgro afirmou que o acordo demonstra a boa-fé e a disposição da família em colaborar com a solução do caso e reforça o compromisso ético do grupo, que sustenta não ter responsabilidade pelos fatos envolvendo a cooperativa.

Também em nota, o advogado Tiago Carrera, que representa os cooperados da Cocapil, informou que foram firmados acordos com o empresário Elvis Vilhena Faleiros e a EldoradoAgro Participações Ltda. para o pagamento dos créditos dos produtores em sacas de café. Segundo a defesa, os valores serão quitados em duas parcelas anuais, com vencimentos previstos para setembro de 2026 e setembro de 2027.

Entenda o caso

O acordo foi firmado no âmbito de um inquérito civil instaurado pelo MPMG para assegurar a reparação dos danos relacionados ao caso que investiga o desaparecimento de 21 mil sacas de café armazenadas nos barracões da Cocapil. Segundo a Polícia Civil, o esquema pode ter feito cerca de 180 vítimas e provocado um prejuízo de, pelo menos, R$ 132 milhões, incluindo perdas dos produtores, dívidas bancárias e com fornecedores.

O principal investigado é o empresário Elvis Vilhena Faleiros, então presidente da cooperativa. A fraude começou a ser descoberta em agosto do ano passado, quando produtores procuraram a cooperativa para retirar sacas de café e constataram que o produto não estava mais nos armazéns.

Faleiros teve a prisão decretada pela Justiça em janeiro e foi preso em fevereiro, após permanecer mais de um mês foragido. Ele é investigado pelos crimes de apropriação indébita, gestão temerária de cooperativa e associação criminosa. Além dele, dois diretores da Cocapil tiveram os bens penhorados durante as investigações.

Na época, a defesa de Elvis Vilhena Faleiros informou que já fez acordos com produtores e cooperados da cooperativa que ele presidia para fazer o pagamento de todas as sacas de café pendentes. A defesa disse, ainda, que nenhum produtor ficará no prejuízo.

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