Curso inédito na Bahia prepara produtores para certificação internacional e fortalece os cafés especiais

Última atualização: 28/07/2026 às 12:20

Loading

Fotos: Elisângela Fotografia para ML Comunicação

Trilha de formação promovida pelo Sebrae reuniu participantes do Planalto da Conquista e da Chapada Diamantina em uma imersão sensorial que antecede a certificação internacional Q Grader

Por Nayla Gusmão para ML Comunicação | Agência Sebrae

Durante quatro dias, produtores, torrefadores e profissionais do café trocaram o campo pela mesa de provas. Na Fazenda Reserva do Vale, em Vitória da Conquista. Aroma, acidez, doçura, corpo e equilíbrio passaram a ser avaliados com a mesma metodologia utilizada pelos maiores especialistas em cafés especiais do mundo. Mais do que uma capacitação, a última semana marcou um passo inédito para a cafeicultura baiana.

Entre os dias 21 e 24 de julho, o Sebrae promoveu a primeira formação Pré-Q Grader realizada na Bahia, uma preparação para a certificação internacional Q Grader, considerada a principal credencial para especialistas em análise sensorial e classificação de cafés especiais. O curso foi fruto da integração entre os projetos Cafés Especiais do Planalto da Conquista, da Regional Sebrae Vitória da Conquista, e Cafés Especiais da Chapada Diamantina, da Regional Sebrae Irecê.

A formação foi construída em etapas. Antes da imersão, o Sebrae realizou quatro cursos de introdução aos cafés especiais na Chapada Diamantina e dois no Planalto da Conquista. Ao final dessa primeira fase, 12 participantes das duas regiões compareceram para a formação avançada, realizada em Vitória da Conquista.

O treinamento funciona como uma preparação para a certificação Q-Grader, reconhecimento internacional concedido a profissionais capacitados para avaliar e classificar cafés especiais a partir de padrões globais, por meio de testes rigorosos de análise sensorial, identificação de defeitos dos grãos e percepção olfativa. Após essa etapa, os participantes que se sentirem aptos poderão ocupar uma das 12 vagas que serão oferecidas pelo Sebrae, em novembro, para tentarem a certificação oficial.

Para a gestora do projeto Cafés Especiais do Planalto da Conquista, Mônica Rizério, trazer essa formação para a Bahia representa uma mudança importante para toda a cadeia produtiva. “A gente percebeu que muitos produtores ainda não conheciam plenamente o próprio café. Saber identificar a qualidade, compreender o perfil sensorial e reconhecer o valor do produto é fundamental para comercializar melhor. O Pré-Q nasce justamente para preparar esses profissionais para uma certificação internacional que, até então, só era encontrada em grandes centros”.

Segundo ela, além de ampliar o conhecimento técnico, a iniciativa reduz custos e aproxima oportunidades que antes exigiam viagens, hospedagem e longos deslocamentos.

Quem vive essa transformação na prática é o produtor Thiago Moura, de Barra do Choça. Há apenas dois anos na cafeicultura, ele já produz cafés especiais e acredita que o conhecimento adquirido pode mudar a realidade da região. “É uma oportunidade única. Fazer um curso desse nível aqui seria praticamente impossível sem o Sebrae. Além do custo de viajar para grandes centros, esse conhecimento muda a forma como enxergamos o café e ajuda o produtor a reconhecer o verdadeiro valor daquilo que produz”.

A mesma percepção é compartilhada pelo empreendedor do setor de torrefação Lucas Castro, de Rio de Contas, na Chapada Diamantina. Para ele, além da economia financeira, a formação cria uma linguagem comum entre profissionais de diferentes regiões produtoras. “Eu gastaria pelo menos R$ 6 mil a mais para fazer essa formação fora da Bahia. Trazer esse curso para perto democratiza o acesso ao conhecimento e permite que todos trabalhem com a mesma referência de qualidade. Isso fortalece o desenvolvimento das nossas regiões”.

A integração entre produtores da Chapada Diamantina e do Planalto da Conquista também foi um dos diferenciais da iniciativa. Para a gestora do projeto Cafés Especiais da Chapada Diamantina, Andressa Rodrigues, reunir participantes das duas regiões ampliou ainda mais o aprendizado. “Os cursos introdutórios aconteceram separadamente em cada regional, mas percebemos que fazia sentido unir esse grupo na formação Pré-Q. Essa troca de experiências entre diferentes realidades potencializa o aprendizado e fortalece o desenvolvimento dos cafés especiais da Bahia como um todo”.

Coordenação

Origens

Mais acessadas nos últimos 30 dias

Mais recentes

Mais recentes

logopeabirus

REDE SOCIAL DO CAFÉ
Infraestrutura ativa de informação, comunicação e conexão do sistema agroindustrial dos Cafés do Brasil

Voltar ao topo