Última atualização: 30/07/2026 às 11:52
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Por Stefany Sampaio | Folha Vitória

A colheita do café no Brasil atingiu 73% da safra 2026/27 até 22 de julho, segundo levantamento semanal da Safras & Mercado. O avanço de 9 pontos percentuais em relação à semana anterior foi impulsionado pelo predomínio do tempo seco nas principais regiões produtoras, exatamente a janela climática que o setor precisava depois de semanas com chuvas interrompendo os trabalhos de campo.
Apesar da aceleração, a colheita segue atrasada: estava em 84% no mesmo período de 2025 e a média histórica dos últimos cinco anos para esta época é de 78%.
O conilon liderou o avanço. A colheita do café canéfora voltou a acelerar e atingiu 84% da produção, reflexo do clima seco que favorece o ritmo das colhedoras e a secagem nos terreiros do norte do Espírito Santo, principal polo produtor. Para o produtor capixaba de conilon que ainda tem café na lavoura, a janela seca de julho é uma oportunidade que não pode ser desperdiçada: cada dia de tempo aberto é um avanço que reduz o risco de perda de qualidade por fermentação indesejada ou excesso de umidade nos grãos.
O arábica avançou a 54%, melhora expressiva, mas ainda significativamente abaixo dos 73% registrados no mesmo período de 2025. As chuvas persistentes nas regiões serranas do sul de Minas e do Caparaó capixaba ao longo de junho e início de julho atrasaram o ritmo das máquinas e, mais preocupante para o setor, geraram dúvidas sobre a qualidade dos grãos.
O excesso de umidade durante a colheita e a secagem compromete o perfil sensorial do café e para o arábica capixaba de altitude, que compete no mercado de especialidades por suas características únicas, preservar a qualidade é tão importante quanto colher o volume.
“Embora o avanço dos trabalhos traga um pouco mais de tranquilidade ao mercado, os operadores seguem atentos ao ritmo de secagem e beneficiamento do café. O avanço dessa etapa permitirá uma avaliação mais precisa sobre eventuais ajustes no tamanho da safra e, principalmente, sobre o perfil de qualidade da bebida”, avaliou Gil Barabach, analista da Safras & Mercado.
O mercado internacional reflete esse cenário de incerteza. O café arábica acumulou perdas de 4,2% na semana passada em Nova York, pressionado pelo avanço da colheita e pela expectativa de maior oferta chegando ao mercado físico nas próximas semanas. O robusta em Londres também sofreu correção. O arábica que subia 15% em julho encontrou resistência quando o ritmo da colheita acelerou, confirmando o alerta que o analista Fernando Máximo, da StoneX, havia feito na semana passada: a virada da oferta é o principal fator de pressão baixista no segundo semestre.
Para o produtor capixaba que ainda está tomando decisões de comercialização, o dado da semana entrega um mapa claro. O conilon está em 84% colhido e o volume que ainda está na lavoura vai chegar ao mercado nas próximas semanas, momento em que a oferta local aumenta e o poder de negociação do comprador cresce.
Quem não vendeu a maior parte da produção ainda encontra um mercado com preços em patamar ainda razoável, mas com tendência de pressão à medida que o volume da safra for sendo processado e disponibilizado. A janela não é infinita e o tempo seco de julho é a melhor oportunidade para fechar a colheita com qualidade e decidir com mais informação na mão.