Café com ou sem cafeína pode favorecer uma bactéria intestinal específica, revela estudo sobre a microbiota

Última atualização: 02/08/2026 às 11:58

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Por Jeferson Henrique | Tua Saúde

O café pode influenciar mais do que a disposição ao longo do dia. Um estudo recente sobre café microbiota encontrou uma associação forte entre o consumo da bebida, com ou sem cafeína, e a presença de uma bactéria intestinal específica, chamada Lawsonibacter asaccharolyticus.

O que a microbiota tem a ver com café

A microbiota intestinal é o conjunto de bactérias, fungos e outros microrganismos que vivem no intestino. Ela participa da digestão, do metabolismo e da produção de substâncias que podem se relacionar com a saúde geral.

Como a alimentação é um dos fatores que mais moldam esse ecossistema, pesquisadores têm investigado como alimentos e bebidas específicos, como o café, podem favorecer ou reduzir determinados microrganismos.

Estudo científico ligou café a uma bactéria específica

Segundo o estudo multi-coorte e multiômico Coffee consumption is associated with intestinal Lawsonibacter asaccharolyticus abundance and prevalence across multiple cohorts, publicado na Nature Microbiology, o consumo de café foi associado de forma reprodutível à presença e maior abundância de Lawsonibacter asaccharolyticus no intestino.

A pesquisa analisou dados de milhares de participantes de coortes dos Estados Unidos e do Reino Unido, além de bases públicas internacionais. Os autores também observaram, em experimentos de laboratório, que o café podia estimular o crescimento dessa bactéria.

Café comum e descafeinado foram relacionados à maior presença de Lawsonibacter no intestino.

Café com ou sem cafeína

Um ponto que chama atenção é que a associação não parece depender apenas da cafeína. O estudo também encontrou relação entre café descafeinado e a bactéria, sugerindo que outros compostos da bebida podem participar desse efeito.

  • Café comum foi associado à presença da bactéria no intestino;
  • Café descafeinado também mostrou relação com Lawsonibacter asaccharolyticus;
  • Compostos como polifenóis e ácido quínico podem estar envolvidos;
  • O achado não significa que café funcione como probiótico;
  • A resposta pode variar conforme dieta, hábitos e microbiota individual.

O que esse achado não significa

Apesar do resultado ser interessante, ele não prova que beber café, sozinho, melhora a saúde intestinal ou previne doenças. A microbiota é complexa e depende do conjunto da alimentação, sono, remédios, atividade física e condições de saúde.

  • O estudo mostra associação, não uma recomendação para exagerar;
  • A bactéria ainda é pouco conhecida pela ciência;
  • Mais pesquisas são necessárias para entender seus efeitos no corpo;
  • Café com açúcar, cremes e xaropes muda o impacto nutricional da bebida;
  • Pessoas sensíveis à cafeína devem observar sono, ansiedade e palpitações.

Como incluir café com equilíbrio

Para adultos saudáveis que toleram bem a bebida, o café pode fazer parte da rotina alimentar, de preferência sem excesso de açúcar e sem substituir água, refeições ou sono adequado. Veja também possíveis benefícios e cuidados no consumo de café.

Quem tem gastrite intensa, arritmias, ansiedade importante, insônia, gestação ou usa medicamentos deve conversar com um profissional antes de aumentar o consumo. No fim, o melhor efeito para a microbiota vem do padrão alimentar como um todo, com fibras, frutas, verduras, legumes e alimentos pouco processados.

Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico, nutricionista ou outro profissional de saúde qualificado.

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