Maior evento da cadeia do café do Paraná encerra edição histórica em Maringá

Última atualização: 03/08/2026 às 12:43

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Por Redação GMC Online

Consolidado como a maior realização voltada à cadeia do café do Paraná, o Ca Fé On 2026 terminou na noite de domingo, 2, após três dias de uma intensa programação técnica, cultural e gastronômica.

Diariamente das 9 às 19h, a terceira edição do evento assinado pelas agências Para Elos de Maringá e Great de Curitiba, que aconteceu nas amplas instalações da Maringá Tech – de propriedade, no passado, do antigo Instituto Brasileiro do Café (IBC) na Avenida Centenário -, movimentou milhares de pessoas, dentre as quais produtores de diferentes regiões do estado, profissionais técnicos e de cafeterias, torrefadoras e do setor de alimentação, autoridades e visitantes.

Na abertura, na tarde de sexta-feira (31), o prefeito de Maringá, Silvio Barros, destacou que a iniciativa reforça a imagem da cidade como referência estadual em cafés de qualidade. “O Ca Fé On é um importante ativo turístico que, pela sua proposta, tende a crescer muito nos próximos anos”, declarou.

Falando em nome do governo do estado, o secretário da Agricultura e do Abastecimento, Natalino Avance de Souza, disse na mesma oportunidade que o Paraná vem se destacando pela alta qualidade dos seus cafés, o que é atestado nos concursos anuais promovidos com a participação de produtores de todas as regiões. “Um pouco disso é mostrado aqui neste evento, o qual incentivamos com muita satisfação, por ser uma iniciativa que engrandece a cafeicultura paranaense”.

O público se surpreendeu

Já na entrada, o público era surpreendido ao trilhar um caminho que simulava uma incursão pela floresta, passando por grãos e flores de café, em meio a sons da mata e aromas do produto torrado, chegando ao Memorial do Café Armínio Kaizer – com acervo de imagens, objetos e equipamentos mantido permanentemente no local, uma exposição do Museu Paranaense, obras de arte e uma linha do tempo da trajetória da cafeicultura no Paraná.

Por fim, os visitantes adentravam aos espaços de atividades do evento, com palco principal para apresentações e uma arena destinada a oficinas em que os participantes usavam fones de ouvido para melhor aproveitamento, um auditório no mezanino para palestras com produtores, e mais de uma centena de estandes para divulgação e comercialização de cafés especiais, confeitarias, artigos de cerâmica, semijoias e acessórios, lanches, bebidas e produtos artesanais e até mesmo chope de café.

Consumidores valorizam

A consumidora Ane Caroline Marques, que havia visitado a primeira edição do Ca Fé On em 2024, destacou o crescimento do evento e disse ser, com sua família, uma consumidora assídua de cafés especiais: “A feira está muito legal e vale a pena conhecer produtos da região, vendo que eles têm qualidade e, por isso, devem ser valorizados. Eu gosto de saber de onde o café está vindo, como é preparado, enfim. Quando a gente entende todo esse processo, dá o valor que ele merece”.

Também como visitante, o professor do Departamento de Agronomia da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Cássio Tormena, destacou que, entre outros aspectos interessantes, a realização resgata a história da cafeicultura regional. “As pessoas faziam do café a vida delas”, citou, lembrando que após a geada de 1975, a qual vivenciou, a cafeicultura migrou para outras regiões do país e deixou de ser uma atividade fundamental para Maringá e o estado. “Aqui, a gente vive um pouco daquilo que nós passamos e isso é muito saudoso”, salientou. E quem permaneceu no setor, segundo ele, teve que inovar.

Conhecer a história

Neto de cafeicultor, o presidente do Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá (Codem), Michel Felippe Soares, visitou o Ca Fé On em companhia da mãe Nádia: “Um evento como esse é muito importante porque está na raiz da nossa região, formada e baseada na cafeicultura. Hoje a atividade não está mais tão presente nas propriedades rurais, mas ela ainda é um elemento importante principalmente para pequenas áreas”. Para ele, a realização possibilita que a população conheça a história regional e deguste café de qualidade. E finalizou: “Sou um apreciador da bebida e também gosto muito de comprar cafés diferentes, que encontramos aqui”.

Um belo trabalho

Presidente da Coordenadoria das Associações Comerciais e Empresariais do Norte e Noroeste do Paraná (Cacinor), Mohamad Ali Awada, mencionou ter gostado muito: “eu e minha esposa ficamos impressionados com a estrutura, o tamanho e o conteúdo do evento. É preciso que a região inteira venha visitar e conhecer nos próximos anos, é um trabalho muito bonito”.

Sérgio Takao Sato, organizador do Festival Nipo-Brasileiro de Maringá e de outros 15 festivais da cultura nipônica pelo país, também passou pelo Ca Fé On: “Parabenizamos os realizadores pela alta qualidade do evento e pelo seu sucesso, a gente vê os cuidados e o capricho em cada detalhe”.

Não raro, pessoas visitaram várias vezes o evento, caso do diretor executivo da Associação Maringaense dos Engenheiros Agrônomos (Amea), Nilson Cardoso. “A gente não sente vontade de ir embora, e quando vai, quer voltar. É gostoso conversar com produtores e técnicos e repassar toda essa história”, disse.

Produtores e especialistas avaliam

De São Jerônimo da Serra, município do norte do Paraná a 85km de Londrina, o produtor Leandro Aldoni participou pelo segundo ano consecutivo, dizendo-se satisfeito com o resultado. Ele e a família, tradicionais cafeicultores, produzem café especial com a marca Aldoni. “Estar nessa vitrine é motivo de orgulho”, frisou, ao salientar que durante os três dias houve um intenso relacionamento com o público: “Divulgamos o nosso produto e fizemos boas vendas”.

Por sua vez, Natan Carvalho, de Siqueira Campos, no norte pioneiro do estado, participou pela primeira vez, apresentando o café que produz em uma pequena área naquele município. Ele já havia comparecido à Varanda Rural, o evento do Ca Fé On promovido durante a Expoingá 2026. “Valeu muito a pena estar aqui”, resumiu.

Considerado um dos mais respeitados especialistas de café do país, Adenir Fernandes Volpato, o Gabarito, visitou o evento no domingo, acompanhado de familiares. Tradicional produtor do grão em Cianorte, ele destacou a grandeza e a qualidade do Ca Fé On, comparando essa iniciativa às mais importantes do país. “Sou um frequentador de eventos voltados ao café em outros estados e o Ca Fé On não fica devendo nada a ninguém”, garantiu.

“Estou agradavelmente surpresa com o evento aqui em Maringá”, destacou Aline Moroti, coordenadora de qualidade e certificação da Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic), ao ressaltar a qualidade dos produtos apresentados e, ainda, o próprio formato da feira: “Vemos um cuidado por parte dos produtores e técnicos no sentido de focar cada vez mais na qualidade do produto. Realmente gostei muito”.

Uma experiência diferente da outra

Ao finalizar a programação, e falando em nome dos promotores, Dani Cenerine, da agência Para Elos, comentou que o Ca Fé On faz o resgate histórico da cafeicultura paranaense, além de trazer muita cultura e inovação focada em toda a cadeia do café.

“Cada edição é uma experiência completamente diferente, neste ano a gente veio com o tema Made in Paraná – do Paraná para o Mundo, e toda a experiência foi pensada de forma inovadora, com o objetivo, justamente, de surpreender os visitantes”, mencionou, lembrando ser uma oportunidade, também, para os produtores refinarem seus conhecimentos, melhorarem suas técnicas de manejo. “Temos uma parceria muito grande com o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR/PR), para jornadas técnicas e trilhas de conhecimento. É um momento transformador na vida de todos nós”.

Completando, ela agradeceu a participação de todos e o empenho de sua equipe, dizendo que começam em breve os preparativos para a edição do Ca Fé On 2027.

Incentivo à Cultura e patrocinadores

Contemplada pela Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura, o Ca Fé On 2026 contou com o patrocínio do Grupo Dois Irmãos, Café Jandaia, Hotéis Bourbon, Copel e Unicive, e o apoio do governo do estado por meio das Secretarias de Cultura e do Turismo, do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR/Paraná), Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP), Prefeitura de Maringá, Universidade Estadual de Maringá (UEM), Sebrae, Itaipu Parque Tech, BRDE e Fomento Paraná, com o respaldo da Associação Brasileira da Indústria do Café (ABIC).

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