Última atualização: 03/08/2026 às 15:30
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Por Dean Stattmann

Homem fazendo café – Foto: Getty Images
Não faltam estudos científicos que sugerem que tomar café pode ajudar a viver uma vida mais longa e saudável. Vários estudos de alta qualidade — incluindo um relatório histórico de 2018 que analisou mais de meio milhão de pessoas ao longo de uma década — descobriram que o consumo moderado de café oferece benefícios protetores que prolongam a vida, tanto para o cérebro quanto para o corpo.
“Para a maioria das pessoas, é a fonte mais rica de compostos bioativos, como antioxidantes, polifenóis e fitoquímicos“, afirma o doutor Andrew Odegaard, professor associado de epidemiologia e bioestatística na Joe C. Wen School of Population and Public Health da Universidade da Califórnia em Irvine.
Mas quanto café você realmente precisa tomar para melhorar sua expectativa de vida saudável e, talvez, acrescentar anos à sua vida? Fatores como a forma de preparo, o tipo de café e o momento em que você o consome influenciam? E quanto ao café descafeinado? Para responder a essas perguntas e muitas outras, consultamos especialistas em longevidade.
Café com cafeína ou café descafeinado para a longevidade?
Há muitos estudos que relacionam o consumo regular de cafeína a um menor risco de desenvolver transtornos neurodegenerativos, como Alzheimer, demência e Parkinson. Ela também foi associada a uma menor perda da função cognitiva, maior velocidade motora e melhor memória. Mas o que vale a pena destacar é que, em praticamente todas essas pesquisas, a cafeína foi administrada na forma de café; e o café tem muito mais do que apenas cafeína. Na verdade, a cafeína não é o único ingrediente ativo do café e, quando se trata de longevidade, talvez nem seja o mais importante.
“Não parece que a cafeína seja o fator que mais contribua para esses efeitos observados”, destaca o doutor Farhan Abdullah, clínico geral certificado, professor clínico adjunto na UT Southwestern e diretor médico da Magnolia Functional Wellness, em Southlake, Texas.

Há muitos estudos que relacionam o consumo regular de cafeína a um menor risco de desenvolver transtornos neurodegenerativos — Foto: Getty Images
Um estudo publicado na revista JAMA Internal Medicine constatou que os benefícios do consumo de café para a longevidade permaneciam até mesmo entre pessoas que não conseguiam metabolizar a cafeína de forma eficiente. “Na verdade, foi um estudo muito interessante”, ressalta Abdullah, “porque sempre pensamos que era a cafeína que causava as melhorias na expectativa de vida, e descobrimos que não era ela quem fazia todo o trabalho pesado.”
Os especialistas acreditam que a principal fonte dos benefícios do café para a longevidade são, na verdade, os antioxidantes de origem vegetal, ou polifenóis, que ele contém, como o ácido clorogênico, o ácido ferúlico e o ácido p-cumárico — todos eles também presentes no café descafeinado.
“O ácido clorogênico é, na verdade, o protagonista”, observa Abdullah. “É ele que ajuda a reduzir o estresse oxidativo. Ajuda a manter os vasos sanguíneos saudáveis. E também melhora a sensibilidade à insulina. A cafeína acaba sendo uma espécie de vantagem adicional.”
A importância de filtrar o café para viver mais
Não é apenas o tipo de café que determina seus benefícios para a longevidade. A forma como você o prepara também importa.
“É preferível consumir café filtrado em vez de café não filtrado“, ressalta Abdullah, que explica que o café não filtrado contém diterpenos, como o cafestol e o kahweol, lipídios potentes que aumentam os níveis de colesterol LDL a longo prazo.
“É uma quantidade muito pequena. Mas, com o tempo, se você o consumir constantemente, isso pode causar problemas.”
Em definitiva, o seu sistema cardiovascular é um dos fatores mais importantes para a sua longevidade geral, por isso o colesterol é um fator determinante para qualquer pessoa que queira prolongar sua expectativa de vida.
As cafeteiras que utilizam filtro de papel, como a Chemex ou as cafeteiras de gotejamento, são a melhor opção para filtrar os diterpenos, enquanto métodos não filtrados, como as máquinas de espresso ou a Bialetti, devem ser utilizados com moderação. (A prensa francesa fica em um ponto intermediário, já que tecnicamente filtra, mas não tão profundamente quanto outras opções.)
Isso não significa que você precise abandonar o espresso completamente, esclarece Abdullah.
“Se você toma um café turco ou um espresso uma vez por semana, vá em frente. Mas, se faz isso todos os dias, é aí que precisa ter cuidado.”
Quantas xícaras de café por dia você deve tomar para prolongar sua vida?
Em relação à quantidade de xícaras necessárias para aproveitar os benefícios do café para a longevidade, mais não significa necessariamente melhor.
“É uma relação não linear”, comenta o doutor Kamal Wagle, geriatra do Hackensack University Medical Centre. “Não é que, à medida que você aumenta a quantidade, obtenha cada vez mais benefícios.”
As pesquisas mais recentes sugerem que, em média, entre duas e três xícaras é a quantidade ideal.

As pesquisas mais recentes sugerem que, em média, entre duas e três xícaras é a quantidade ideal — Foto: Nguyễn Lê Thái Sơn / Unsplash
Em que momento do dia você deve parar de tomar café?
Por mais bem documentados que sejam os benefícios do café para a longevidade, eles não se comparam nem de longe ao poder do sono.
Felizmente, você não precisa escolher entre um e outro, desde que limite o consumo de cafeína às primeiras horas do dia, quando é menos provável que ela interfira no seu ciclo de sono.
“A cafeína compete com processos do nosso corpo que são importantes para pegar no sono”, explica Wagle. “Por exemplo, existe um composto chamado adenosina, que é realmente importante para adormecer. A cafeína desloca a adenosina do local onde ela deveria se ligar em nosso sistema nervoso, por isso a adenosina que se acumula no final do dia não consegue realmente induzir o sono.”
A meia-vida da cafeína pode variar entre três e sete horas. Isso significa que metade da cafeína daquele café com leite que você tomou às quatro da tarde ainda pode estar circulando pelo seu organismo às onze da noite.
“Eu recomendaria parar de consumir cafeína no começo da tarde, mais ou menos entre uma e duas horas, para que haja tempo suficiente para que seus efeitos desapareçam antes de você ir para a cama”, destaca Abdullah.
“Foram realizados muitos estudos que demonstram que o café ajuda a reduzir a morbidade. Mas, se você fizer isso às custas do sono, na verdade estará prejudicando a si mesmo. Eu preferiria que você deixasse de tomar essa segunda ou terceira xícara de café no fim do dia e simplesmente dormisse bem à noite.”
Fonte: GQ