A história por trás de cada xícara: plataforma permite rastrear a origem de cafés

Última atualização: 04/08/2026 às 12:19

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A Origem Controlada Café traz ainda a pontuação do produto, características sensoriais e outros dados técnicos. Tudo pode ser consultado por meio de um QR Code na embalagem

Por Maria Emília Zampieri — Vinhedo (SP) | Globo Rural

Thiago Douro, da Douro Cafés Especiais: ‘produtores estão focados na qualidade’ — Foto: Divulgação

A experiência de tomar um café especial vai muito além do aroma e do sabor. Cada vez mais, consumidores querem saber de onde vêm os grãos, quem os produziu, quais práticas foram adotadas na atividade e o que torna determinada região de cultivo única. É justamente essa busca por conexão e transparência que impulsiona o avanço da rastreabilidade no setor cafeeiro brasileiro.

E existe uma maneira prática para curiosos e amantes de café terem acesso a essas informações a respeito de grãos produzidos em regiões brasileiras com Indicação Geográfica (IG): a plataforma online Origem Controlada, que permite identificar quem produziu o café, onde ele foi cultivado, sua pontuação (conforme critérios da Associação Brasileira de Cafés Especiais), características sensoriais e outros dados técnicos. Todas essas informações podem ser consultadas por meio de um QR Code.

A plataforma Origem Controlada Café foi criada pelo Sebrae, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e o Instituto CNA. A plataforma já ultrapassou a marca de 1 milhão de pacotes de café torrado rastreados desde seu lançamento no fim de 2024. A ferramenta reúne e monitora informações das 16 Indicações Geográficas (IGs) brasileiras de café, abrangendo 380 municípios.

Segundo o diretor executivo do Instituto CNA Cristiano Nascif, a plataforma foi criada para promover o mercado de cafés premium, ao agregar valor à produção das pequenas e médias propriedades. “Trata-se de um sistema digital inédito, criado para integrar informações das IGs, que provê aos pequenos produtores rurais, seus negócios, entidades um sistema de gestão e rastreabilidade, conferindo maior garantia aos consumidores e aos mercados em relação à qualidade baseada na origem dos produtos”, explica.

Não são apenas consumidores brasileiros que recorrem à plataforma. Há acessos de mais de 80 países, diz Nascif. “Consideramos um projeto de sucesso. As IGs agregam valor de até 30% aos produtos nacionais para vendas ao exterior”, afirma.

Até o momento, estão cadastrados na plataforma 3,5 mil produtores, 4,3 mil propriedades, 173 torrefadoras e13 laboratórios de análises sensoriais. A pontuação média dos cafés das regiões com Indicação Geográfica é de 85,18, o que significa cafés especiais premium.

Gustavo Villas Boas cultiva café em Dores do Rio Preto (ES), na região do Caparaó — Foto: Divulgação

O produtor Gustavo Villas Boas, que cultiva café em Dores do Rio Preto (ES), na região do Caparaó, divisa com Minas Gerais, utiliza a plataforma desde seu lançamento. Para ele, o consumidor brasileiro ainda está conhecendo o significado de um produto com origem controlada, Indicação Geográfica e Denominação de Origem, e a plataforma cria um ambiente de visibilidade para fazer esse interesse crescer.

“O consumidor ainda está bem cru. Fazemos um trabalho bem educacional. O selo [de IG] é um parceiro do produtor e uma proteção para o consumidor, pois garante que ele está comprando um produto genuíno e de qualidade do Caparaó”, afirma.

A região do Caparaó é uma das Indicações Geográficas que aderiram à plataforma.

Reconhecimento e valorização

Thiago Douro representa a quinta geração de produtores da Douro Cafés Especiais, em Marechal Floriano (ES), e também aderiu à ferramenta. O município é um dos que fazem parte da Indicação Geográfica Montanhas do Espírito Santo, na modalidade Denominação de Origem (DO), reconhecida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

Ele também preside a Associação de Produtores de Cafés Especiais das Montanhas do Espírito Santo (ACEMES), responsável pela gestão da Indicação Geográfica. “Estamos muito focados na qualidade do nosso café, e os produtores são muito cuidadosos”, diz, acrescentando que a ideia é desenvolver a marca “para criar uma identidade dentro do mercado”.

Cada região produtora cadastrada na plataforma reúne características próprias que influenciam diretamente o perfil sensorial dos cafés. Na última semana de junho, mais de 174 novas amostras foram avaliadas e outros cinco produtores passaram a integrar o acervo da plataforma, de acordo com o Sebrae.

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