Última atualização: 04/08/2026 às 12:44
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São Paulo, 04/08/2026 – Os contratos futuros de café arábica tiveram queda ontem na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), em movimento de realização de lucro e correção técnica. O mercado continua volátil, de olho em previsões climáticas e no avanço da colheita no Brasil.
O contrato setembro/26, primeiro vencimento, recuou 3,79% (1.260 pontos) ontem, fechando a 319,50 centavos de dólar por libra-peso. A mínima chegou a cair 4,47% (1.485 pontos), a 317,25 cents. Em julho, o vencimento setembro/26 registrou alta de cerca de 12% (3.565 pontos). No mercado de café robusta da Bolsa de Londres (ICE Futures Europe), os futuros não acompanharam a desvalorização de Nova York. O vencimento setembro/26 subiu 0,11% (4 dólares), encerrando a 3.786 dólares a tonelada. Em julho, setembro/26 acumulou ganho de 3,4% (124 dólares).
O dólar à vista fechou a primeira sessão de agosto em leve alta de 0,33%, a R$ 5,0870. Segundo operadores, o movimento respondeu à queda de cerca de 5% dos preços do petróleo, em meio aos anseios pela retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã. O avanço tímido da divisa americana ante o real ainda refletiu algum ajuste após a intervenção no iene na última semana, em operação que envolveu o Banco do Japão (BoJ) e o Tesouro dos Estados Unidos. Esta foi a primeira intervenção dos EUA no iene desde 2011.
A colheita de café arábica na região de atuação da Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer) atingiu 66% até sexta-feira passada (31). O índice apresenta leve atraso na comparação com o mesmo período de 2025, quando os trabalhos se encontravam em 70%. Do total colhido, 46% já foi beneficiado, apresentando rendimento médio de 500 litros por saca de 60 kg beneficiada.
O Bradesco informou em boletim que a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês) considera que o El Niño já está estabelecido e continua a se fortalecer no Pacífico. O órgão estima 97% de probabilidade de o fenômeno persistir até o início de 2027 e 81% de chance de atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro de 2026. “Para o agronegócio, esse cenário tende a favorecer chuvas acima da média no Sul do Brasil e a aumentar o risco de condições mais quentes e secas nas regiões Norte e Nordeste, com potencial impacto sobre a safra 2026/27 na América do Sul. Nesse contexto, já é possível avaliar os riscos associados ao excesso de precipitação nas regiões Sul e Sudeste nesta época do ano, o que pode comprometer a produtividade e a qualidade de culturas como laranja, café, cana-de-açúcar e hortifrútis”, disse o Bradesco.
As exportações totais de café pela Colômbia, segundo maior produtor mundial de arábica, foram de 1.053.109 sacas de 60 kg em junho, o que corresponde a uma queda de 2,9% em comparação com igual mês do ano passado, mas superou a média dos últimos cinco anos para o mês, segundo a Federação Nacional do Cafeicultores da Colômbia (FNC). As previsões do tempo sugerem “alta probabilidade de condições secas se estabelecendo na Colômbia a partir do quarto trimestre e se estendendo até o início de 2027”, disse a FNC. “Tendo como pano de fundo estoques historicamente baixos de arábica lavado certificado mantidos contra a Bolsa de Nova York, diferenciais firmes de arábica lavado e vendas limitadas por parte dos produtores, a perspectiva de oferta colombiana para o próximo ano cafeeiro 2026/27 provavelmente continuará sendo um fator importante de sustentação para o segmento de arábica lavado do mercado”, acrescentou a federação.
Os estoques certificados de café arábica lavado mantidos pela Bolsa de Nova York caíram expressivas 3.459 sacas em um dia, para um total de 260.720 sacas ontem. Esse volume é historicamente baixo pois, em julho de 2019, alcançava 2.368.303 sacas, e chegou a 802.678 sacas em julho do ano passado. No momento, aguardam classificação 2.610 sacas.
Os dados de comércio do governo da Indonésia referentes a Sumatra, a principal ilha produtora de café do país, mostram que as exportações acumuladas de café robusta do país nos três primeiros meses do atual ano cafeeiro (abril de 2026 a março de 2027) foram 19,22% menores do que no mesmo período do ano anterior, totalizando 920.174 sacas. Esses novos números de exportação da safra refletem um pequeno atraso nos embarques provocado por condições climáticas adversas durante a colheita. A produção da Indonésia prevista para o ano cafeeiro 2026/27 deve ser composta por 10 milhões de sacas de café robusta, queda de 9,05% em relação ao ano anterior, e 1,38 milhão de sacas de café arábica, alta de 0,75% em relação ao ano anterior. A exportação mundial de café alcançou 11,88 milhões de sacas de 60 kg em junho, o nono mês da safra 2025/26. O volume corresponde a um aumento de 0,34% na comparação com igual mês de 2025 (11,84 milhões de sacas). Os números fazem parte de relatório mensal da Organização Internacional do Café (OIC).
O segmento não-comercial (fundos de investimento e especuladores) aumentou em 16,6% (1.757 lotes) o saldo líquido comprado em café entre as semanas encerradas dia 21 e a terça passada (28), mostrou na sexta relatório da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) com posicionamento de traders. Esses participantes passaram de saldo líquido comprado de 10.583 lotes, no dia 21, para 12.340 lotes, no dia 28, considerando futuros e opções. Com esse desempenho, os não-comerciais voltaram a carregar saldo comprado próximo da semana até 14 de julho (12.454 lotes).
Os pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, informaram que o preço do café arábica no mercado físico iniciou a semana em queda, acompanhando o movimento baixista da Bolsa de Nova York. No Brasil, a realização de lucros e a previsão de tempo firme, que pode favorecer a conclusão da colheita, também pressionaram as cotações, disseram os pesquisadores. O Indicador Cepea/Esalq do arábica tipo 6, bebida dura para melhor posto na capital paulista, fechou a R$ 1.712,27 a saca, com recuo de 1,82% frente à sexta-feira, 31. O Indicador Cepea/Esalq do tipo 6, peneira 13 acima, caiu 0,44%, a R$ 1.087,67 a saca; o preço do tipo 7/8 apresentou queda de 0,39%, a R$ 1.057,68 a saca, ambos à vista e a retirar no Espírito Santo.
Fonte : Broadcast Agro