Vídeo | Bate todas as capitais em qualidade de vida: a cidade paulista que produz 35 milhões de pares de sapato e exporta mais café do que calçado

Última atualização: 07/08/2026 às 15:29

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Por Vitor Bruno | Canal Rural

Franca chama atenção pela força industrial e pela produção de café // IMAGEM ILUSTRATIVA

Cidades industriais raramente aparecem no topo dos rankings de qualidade de vida, porque a fábrica costuma chegar antes da creche e da rede de esgoto. Franca, no nordeste paulista, quebra essa lógica e ocupa a segunda posição entre as 100 maiores cidades do Brasil no estudo que mede a entrega de serviços públicos. O resultado se apoia em duas cadeias produtivas que dividem o mesmo território há mais de um século, o couro e o café.

Por que Franca aparece em segundo lugar no ranking de qualidade de vida do país?

Porque a cidade evoluiu de forma consistente nas quatro áreas medidas pelo estudo, e não em apenas uma delas. Segundo a Macroplan, responsável pelo estudo Desafios da Gestão Municipal, o município paulista alcançou IDGM de 0,722 e ficou atrás somente de Maringá, no Paraná. Jundiaí aparece logo abaixo, e Curitiba, melhor capital avaliada, ocupa a quinta posição, o que deixa a cidade do interior à frente de todas as capitais brasileiras no ranking geral.

O salto foi rápido. De acordo com a Prefeitura de Franca, o município subiu seis posições em relação à edição anterior, com destaque para as matrículas em creche, que cresceram 126,8% no período analisado, e para o atendimento integral na pré-escola. É o mesmo movimento visto em outra cidade paulista que gabarita o ranking de qualidade de vida, onde a força do campo aparece lado a lado com bons indicadores urbanos.

Franca oferece serviços, comércio e rotina de cidade do interior // Créditos: Wikipedia / Wikimedia Commons

O que sustenta o título de capital nacional do calçado?

Uma cadeia produtiva inteira dentro dos limites de um único município. Conforme a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Franca é o único conjunto calçadista do Brasil que reúne todas as etapas em um só endereço, do frigorífico ao sapato pronto na loja, com cerca de 30 mil trabalhadores diretos. A tradição vem do século XIX, quando sapateiros italianos chegaram atrás do dinheiro que o café circulava na região.

Esse acúmulo virou registro oficial em 7 de fevereiro de 2012, quando o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu ao calçado francano a Indicação de Procedência, segundo o Sindicato da Indústria de Calçados de Franca (Sindifranca), que passou a estampar um emblema em caixas e etiquetas para atestar a origem e dificultar falsificações. Hoje, informa a Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos para os Setores do Couro, Calçados e Afins (Abrameq), cerca de 650 indústrias produzem entre 30 milhões e 35 milhões de pares por ano, com os Estados Unidos na liderança dos embarques.

Franca oferece serviços, comércio e rotina de cidade do interior // Créditos: Wikipedia / Wikimedia Commons

Quanto pesa o café da Alta Mogiana na economia francana?

Pesa mais do que o sapato quando o assunto é exportação. A Revista Cultivar aponta que o grão respondeu por 52% de tudo o que Franca exportou em 2020, enquanto o calçado ficou com 29%. A cidade integra a Alta Mogiana, faixa de lavouras em altitude na divisa de São Paulo com Minas Gerais, reconhecida pelo INPI em 17 de setembro de 2013 a pedido da Associação dos Produtores de Cafés Especiais da Alta Mogiana (AMSC).

O café é o produto com maior número de indicações geográficas no país, conforme a Embrapa, e a região francana entrou cedo nessa lista, logo depois do Cerrado Mineiro, da Mantiqueira e do Norte Pioneiro do Paraná. Confira o que o registro da Alta Mogiana delimita na prática:

  • Território definido: começou com 16 municípios paulistas e passou a reunir 23 cidades com a entrada de vizinhos mineiros.
  • Origem comprovada: só usa o nome quem produz dentro da área demarcada pelo órgão federal.
  • Valor agregado: o selo abre porta em torrefações e no mercado de cafés especiais, dentro e fora do Brasil.
  • Turismo rural: fazendas da região passaram a receber visitas ligadas à rota do café.

Quem quer conhecer a força dos calçados e do café de Franca, vai curtir esse vídeo do canal Rota 408 – Cidades do Brasil, com mais de 31 mil visualizações, sobre a cidade:

A quadra que virou cartão de visita da cidade

Nenhum clube brasileiro acumulou tantos títulos recentes quanto o time da casa. O Sesi Franca Basquete conquistou quatro campeonatos consecutivos do Novo Basquete Brasil (NBB) entre as temporadas 2021/2022 e 2024/2025, sempre com o Ginásio Pedrocão lotado.

O feito que consolidou o apelido de capital do basquete veio antes, em 2023. Segundo a Liga Nacional de Basquete (LNB), a equipe venceu o alemão Telekom Baskets Bonn na final da Copa Intercontinental da FIBA, em Singapura, com uma cesta no estouro do cronômetro.

Franca reúne fábricas de calçados, cafezais e bairros urbanos // Créditos: Wikipedia / Wikimedia Commons

Como é o clima de Franca ao longo do ano?

O clima francano é tropical de altitude, com verão chuvoso e inverno bastante seco. Veja abaixo como as estações se comportam na cidade:

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. As condições variam de um ano para outro por influência de fenômenos como El Niño e La Niña, então vale conferir a previsão atualizada antes de programar qualquer atividade a céu aberto.

O interior paulista que transformou couro e café em qualidade de vida

Poucos municípios brasileiros conseguem sustentar duas economias fortes e ainda entregar creche, saúde e saneamento acima da média nacional. Franca faz isso com o cheiro de couro curtido dividindo espaço com o de café torrado, a cerca de 400 km da capital paulista.

Você precisa conhecer Franca e sentir o ritmo de uma cidade que produz muito sem abrir mão da calma do interior.

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