Café arábico dispara 10,5% em Minas e surpreende mercado em julho

Última atualização: 07/08/2026 às 11:27

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Preço da saca de café sobe no pico da safra brasileira devido às chuvas em Minas Gerais. Entenda o impacto na colheita e o que esperar dos preços.

Por Wallace Graciano | O Tempo

Café arábico dispara 10,5% em Minas e surpreende mercado em julho

O preço da saca de café arábico registrou uma alta atípica de 10,5% em julho, segundo a BBM Bolsa, impulsionado pelas chuvas que atingiram as principais regiões produtoras de Minas Gerais. O movimento surpreende o setor por ocorrer justamente no pico da safra brasileira, período em que a maior oferta costuma pressionar as cotações para baixo.

Como está o mercado

O avanço nos preços não se limitou ao arábico. O café conilon, variedade muito utilizada pela indústria de solúveis, também apresentou valorização de 3% no mês, conforme dados da BBM Bolsa. Essa valorização contraria a tendência histórica observada entre junho e agosto, quando a entrada da safra nova tende a baratear o grão. Com a indústria pagando mais caro pela matéria-prima na fazenda, a expectativa é de que o aumento seja repassado ao consumidor final no curto prazo, retardando qualquer alívio nos preços nas prateleiras dos supermercados.

O que explica

O principal fator para a valorização são as precipitações frequentes no interior de Minas Gerais e de São Paulo. As chuvas atrasaram o ritmo de colheita e dificultaram a secagem dos grãos nos terreiros, gerando um gargalo logístico. No mercado internacional, a Bolsa de Nova York reagiu à possibilidade de as entregas brasileiras ficarem abaixo do esperado, o que elevou as cotações nos portos e, consequentemente, para o produtor rural.

Além dos problemas imediatos na colheita, o setor monitora com preocupação a floração antecipada dos cafezais. As chuvas de julho provocaram a abertura de flores que deveriam surgir apenas em setembro ou outubro. Esse processo fora de época pode drenar a energia das plantas e comprometer o desenvolvimento dos frutos para o próximo ciclo. Apesar do cenário atual, projeções para este ano indicam uma produção total de 66 milhões de sacas, um crescimento de 18% em comparação ao ciclo anterior, sendo 44 milhões de sacas apenas de café arábico.

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