Última atualização: 10/08/2026 às 14:22
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Culturas estão entre as mais vulneráveis a um quadro de calor intenso e déficit hídrico, como o que se projeta para a temporada.
Por Luiz Eduardo Minervino e Nayara Figueiredo — São Paulo | Globo Rural

Devem ocorrer ondas de calor muito fortes e baixa precipitação”, diz Eduardo Assad — Foto: Gustavo Facanalli/Embrapa
Além dos grãos, algumas das principais culturas perenes do agronegócio brasileiro também podem ter perdas com a ação do fenômeno El Niño na safra 2026/27. Café e citros, por exemplo, estão entre os cultivos mais vulneráveis a um quadro de calor intenso e déficit hídrico, como o que se projeta para a temporada.
Segundo Eduardo Assad, pesquisador do Observatório de Bioeconomia do Centro de Estudos do Agronegócio do FGV Agro, do ponto de vista fisiológico, soja e milho são as culturas mais expostas a riscos, mas, na região Sudeste, laranja e café são os cultivos mais sensíveis. “A previsão é de que ocorram ondas de calor muito fortes e baixa precipitação. [Isso pode levar ao] abortamento das flores de café e perda do abastecimento hídrico da laranja”, afirma ele.
Não há previsão de prejuízos em todas as culturas. Quando o El Niño ocorre, os canaviais do Centro-Sul costumam se beneficiar do aumento do volume e também da melhoria distribuição das chuvas, diz Fabio Marin, professor do Departamento de Engenharia de Biossistemas da Esalq/USP.
“Em anos de El Niño, especialmente quando o fenômeno é forte, o Centro-Sul normalmente a produção [de cana-de-açúcar] é acima da média”, afirma. O principal risco, relata o professor, concentra-se na colheita, já que o excesso de chuva pode dificultar a entrada de máquinas no campo, o que atrasaria o processamento da matéria-prima.
O El Niño altera as condições climáticas também de países concorrentes do Brasil. É o caso da Índia, uma das maiores produtoras de açúcar do mundo, que pode enfrentar déficit hídrico no período de chuvas das monções, observa Guilherme Palhares, analista do Santander.