Uma família japonesa desembarcou em Santos em 1909, plantou café no noroeste paulista e criou a cidade que hoje é a 2ª melhor do Brasil em qualidade de vida

Última atualização: 10/08/2026 às 12:22

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Gabriel Monteiro chama atenção pela qualidade de vida // IMAGEM ILUSTRATIVA

Quase todo município do interior de São Paulo tem uma história de café na origem, mas poucos conseguem transformar esse começo em desempenho social de primeira linha. Gabriel Monteiro, no noroeste paulista, nasceu de um loteamento aberto por imigrantes japoneses e hoje aparece no segundo lugar do principal ranking de qualidade de vida do país.

Como uma família vinda do Japão fundou a cidade?

Comprando terra e derrubando mata. Conforme o histórico publicado pela Prefeitura de Gabriel Monteiro, a família de Pedro Massakishi Kassawara chegou ao Brasil em 1909 a bordo do navio Toko Maru, desembarcou no Porto de Santos e seguiu para Olímpia para trabalhar na agricultura.

Anos depois, com dinheiro do próprio trabalho, o grupo se mudou para a região conhecida como Fazenda Jangada e comprou terras para plantar café. Com o pai já idoso, o filho mais velho, Antônio Kassawara Katutok, assumiu a liderança, abriu a mata com os irmãos e formou uma propriedade produtiva que atraiu novas famílias. Foi ele quem separou dez alqueires da própria gleba para o loteamento que viraria a cidade.

Gabriel Monteiro se destaca pelos bons indicadores e pela tranquilidade // Créditos: Prefeitura de Gabriel Monteiro / https://aracatuba.sp.gov.br/turismo/regiao-turistica/gabriel-monteiro

Quando o loteamento virou município?

Em etapas, ao longo de duas décadas. A escritura do loteamento foi lavrada em 1938, e o povoado recebeu o nome de Vila Nova Olímpia, homenagem à cidade que abrigou a família dos fundadores. Em 1947, mais da metade dos lotes já tinha construção de alvenaria, alimentada por uma olaria instalada na periferia da vila.

O povoado virou distrito em 1948, quando ganhou o nome atual, em homenagem a Gabriel Monteiro da Silva, então chefe do Departamento das Municipalidades do estado. A emancipação veio pela Lei Estadual nº 5.285, de 18 de fevereiro de 1959, com desmembramento de Bilac e Piacatu, e a instalação do município aconteceu em 1º de janeiro de 1960.

O que colocou a cidade em segundo lugar no ranking nacional?

Serviço básico funcionando para todo mundo. O Índice de Progresso Social (IPS) Brasil avalia os 5.570 municípios do país com 57 indicadores sociais e ambientais, divididos em necessidades humanas básicas, fundamentos do bem-estar e oportunidades. Conforme o IPS Brasil, a média nacional da edição de 2025 ficou em 61,96 pontos e sete dos dez primeiros colocados são paulistas.

A cidade marcou 71,29 pontos, atrás apenas de Gavião Peixoto. Confira como ficou o topo do ranking:

  • Gavião Peixoto (SP): 73,26 pontos, primeira colocada pelo segundo ano seguido.
  • Gabriel Monteiro (SP): 71,29 pontos, segunda colocada nacional.
  • Jundiaí (SP): 70,70 pontos, a maior cidade entre as cinco primeiras.
  • Águas de São Pedro (SP): 70,51 pontos.
  • Cândido Rodrigues (SP): 70,26 pontos, fechando um pódio ampliado só com municípios paulistas.

Para efeito de comparação, a melhor capital do país no mesmo levantamento foi Curitiba, com 69,89 pontos, seguida por Campo Grande e Brasília, conforme a Agência SP. Ou seja, uma cidade com menos de três mil moradores ficou à frente de todas as capitais brasileiras. É o mesmo padrão que aparece em outras cidades pequenas do interior paulista que superam metrópoles.

Quem quer conhecer uma das melhores cidades do Brasil para viver vai curtir esse vídeo do canal Rota 408 – Cidades do Brasil, com mais de 11 mil visualizações, sobre Gabriel Monteiro:

Por que cidades tão pequenas dominam esse tipo de lista?

Porque a escala favorece a cobertura. Em um município com poucos milhares de moradores, a rede de água e esgoto chega a praticamente todas as casas, a unidade de saúde consegue acompanhar as famílias e a escola municipal tem turmas pequenas o suficiente para não perder aluno pelo caminho.

O coordenador do IPS Brasil, Beto Veríssimo, aponta ainda outro fator: municípios pequenos bem posicionados costumam estar próximos de cidades maiores, que complementam serviços de saúde e de ensino superior. Gabriel Monteiro fica na região administrativa de Araçatuba, com essa estrutura regional a poucos quilômetros.

Como é o clima de Gabriel Monteiro ao longo do ano?

É o padrão do noroeste paulista, com verão quente e chuvoso e inverno seco de verdade. Pelas médias do Climatempo, dezembro chega perto de 204 mm de chuva, enquanto julho fica em torno de 22 mm. Veja abaixo como o ano se comporta:

Onde fica a cidade e o que ela mantém do começo japonês?

O município está na Alta Noroeste paulista, perto de Bilac, Piacatu e da própria Araçatuba, cercado por lavouras e pastagens que continuam sendo a base da economia local. O acesso é feito pelas rodovias que cortam a região, e o aeroporto mais próximo fica na cidade-polo.

Do começo japonês restaram sobretudo os sobrenomes e a estrutura fundiária. O calendário local gira em torno da Festa de São Pedro, padroeiro da cidade, com quermesse e missa que ocupam a praça central e reúnem boa parte dos moradores.

A cidade que virou referência sem ninguém perceber

Gabriel Monteiro não aparece em roteiro turístico nem tem cartão-postal conhecido. O que ela tem é o resultado de décadas de serviço público dimensionado para o tamanho da população, algo que capitais com milhões de habitantes ainda perseguem.

Se você quer entender por que o interior paulista domina os rankings de bem-estar, vale conhecer de perto a cidade que ficou em segundo lugar entre 5.570 municípios brasileiros.

Fonte: Revista Oeste

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