Última atualização: 14/08/2026 às 17:41
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Dados do IPCA mostram redução recorde do preço do café moído; produto havia acumulado alta de quase 82% entre 2024 e 2025

A mudança na trajetória dos preços é sentida diretamente por quem compra o produto para o consumo doméstico. Foto: Reprodução / TV Cidade Fortaleza
O preço do café moído caiu 17,2% nos últimos 12 meses no Brasil, segundo dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgados nesta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A redução é a maior queda percentual registrada para o produto desde o início da série histórica do IPCA, em 1994, no começo do Plano Real.
A queda ocorre depois de um período de forte alta. Entre 2024 e 2025, o preço do café chegou a acumular aumento de quase 82% nas prateleiras dos supermercados. Agora, a trajetória mudou e o produto registra a maior redução percentual da série histórica desde o início do Plano Real.
Para quem tem o café como presença diária na rotina, a redução pode representar uma diferença no orçamento doméstico. É o caso da costureira e aposentada Lúcia Maria, que prepara a bebida três vezes por dia e conta que o café costuma ser consumido por várias pessoas em sua casa:
“Um chega, toma. Outro chega, toma, né? Aí quando dá cê ver a garrafa tá assim, acabando já”, disse ela ao falar com a equipe de reportagem da TV Cidade Fortaleza.
Café registra queda de 17,2% em 12 meses
A redução de 17,2% no preço do café moído foi registrada pelo IPCA nos últimos 12 meses. De acordo com os dados apresentados, nunca havia sido registrada uma queda percentual tão acentuada para o produto desde o início da medição, em 1994.
O resultado ocorre depois de uma forte alta registrada entre 2024 e 2025. Nesse período, o preço do café acumulou aumento de quase 82%.
A mudança na trajetória dos preços é sentida diretamente por quem compra o produto para o consumo doméstico. Mesmo com a queda acumulada, consumidores ainda buscam comparar valores entre diferentes estabelecimentos para encontrar opções mais baratas.
Condições climáticas influenciaram redução
O economista Thiago Holanda atribui a redução dos preços às condições climáticas e à melhora da produção da safra de 2026. Segundo ele, o aumento da produção contribuiu para aliviar o mercado e pressionar os preços para baixo tanto no Brasil quanto em outros países:
“Agora, em 2026, essa safra teve uma melhora, teve uma produção — digamos assim — recorde, e isso arrefeceu mais o mercado, fazendo com que o preço diminuísse tanto no Brasil como também em outros países do mundo. Isso acaba causando um alívio no bolso do consumidor, porque essa redução vem com a redução de outros produtos alimentícios.”
A avaliação apresentada pelo economista relaciona, portanto, a melhora da safra ao movimento de queda observado no preço do café. A redução também ocorre em um contexto de diminuição de outros produtos alimentícios, segundo ele.
Consumidores ainda pesquisam preços
Mesmo com a queda acumulada no período de 12 meses, a busca pelo menor preço continua fazendo parte da rotina de consumidores. A redução ainda não significa que o café tenha voltado aos valores praticados antes do período de alta, segundo o relato de quem acompanha os preços nos supermercados.
Christiane, consumidora, afirma que percebeu a diminuição, mas ainda considera necessário encontrar valores melhores.
“Chegou a um valor que estava exorbitante, né? Agora baixou mais, mas precisa melhorar. Eu, como cafezeira, estou sempre em busca dos preços melhores, fico pesquisando.”
A comparação de preços aparece como uma estratégia para reduzir o impacto da compra no orçamento familiar, especialmente para consumidores que mantêm o produto como item frequente da alimentação.
Café faz parte da rotina das famílias
Além do peso no orçamento, o café ocupa um espaço habitual na alimentação de muitas famílias brasileiras. Na casa de Lúcia Maria, por exemplo, a bebida é preparada três vezes ao dia e consumida por diferentes pessoas ao longo da rotina.
Para o economista Thiago Holanda, o consumo do produto alcança diferentes grupos de renda e regiões do país.
“No Brasil, o café é um produto consumido por quase toda a nação, independente da região onde a pessoa se encontra. E ele faz parte, sim, da cesta básica das famílias, seja aquelas famílias mais vulneráveis, seja as famílias da classe média ou aqueles mesmo que são das classes mais abastadas.”
A presença do café no consumo cotidiano faz com que mudanças no preço sejam percebidas diretamente pelas famílias. Depois de uma alta de quase 82% entre 2024 e 2025, a queda de 17,2% acumulada nos últimos 12 meses representa uma mudança importante na trajetória do produto.
A redução também pode contribuir para aliviar o orçamento doméstico, especialmente para quem compra café com frequência.