Origem, torra e sabor: o que está por trás da nova cultura do café

Última atualização: 15/08/2026 às 21:59

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Origem do café passa a ser questionada por brasileiros
Imagem: Divulgação

De Nossa, em São Paulo | UOL

Por muito tempo, café foi sinônimo de rotina. Estava na mesa do café da manhã, depois do almoço, no trabalho e nas visitas recebidas em casa. Preparado no coador e servido quente, o tradicional cafezinho fazia parte da vida cotidiana dos brasileiros sem exigir muita explicação.

Essa relação, porém, vem ganhando novos contornos. O consumidor passou a prestar mais atenção na origem dos grãos, no tipo de torra, nos métodos de preparo e até nas notas de sabor encontradas em uma xícara. O café deixou de ser apenas uma bebida para acompanhar a rotina e passou a ocupar também um espaço de experiência gastronômica.

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É nesse cenário que cresceu o mercado de cafés especiais no país. A proposta é valorizar todas as etapas que estão entre a lavoura e a xícara, da escolha do produtor ao processo de torrefação e à maneira como a bebida é preparada.

Um dos exemplos desse movimento é o Café Cultura, criado há mais de duas décadas em Florianópolis, Santa Catarina. A marca nasceu em 2004, na Lagoa da Conceição, a partir da iniciativa do casal Luciana Melo e Joshua Stevens, que transformou a paixão pelo café em um negócio dedicado à bebida.

Luciana Melo e Joshua Stevens transformaram paixão pelo café em negócio – Imagem: Divulgação

A relação dos dois com o produto começou de maneiras diferentes. Joshua, americano, já tinha experiência com atendimento e restaurantes e sempre foi apaixonado por café. Ao chegar ao Brasil, se interessou pela variedade e pela qualidade dos grãos produzidos no país. Hoje, atua como coffee hunter da marca, função que envolve buscar cafés e conhecer produtores.

Luciana, mineira, cresceu cercada pelo café. Na fazenda da família, acompanhava o avô no plantio e na colheita dos grãos e carregou desde a infância a memória do aroma do café fresco. Durante a faculdade, chegou a considerar um projeto voltado à exportação do produto.

A união dessas duas histórias ajudou a definir o conceito do negócio: tratar o café não apenas como uma bebida, mas como um produto que carrega origem, trabalho e características próprias.

O que existe por trás de uma xícara

Para quem está acostumado apenas ao tradicional café coado, falar em origem, torra e perfil sensorial pode parecer novidade. No universo dos cafés especiais, entretanto, esses elementos fazem parte da experiência.

O local onde o café é produzido, a variedade da planta, as condições da lavoura, o processo de colheita e pós-colheita e a torra podem influenciar diretamente o resultado na xícara.

Por isso, duas bebidas feitas a partir do mesmo produto, o café, podem apresentar características bastante diferentes. É possível encontrar notas que remetem a frutas, chocolate, castanhas e outros sabores, além de diferenças de corpo, acidez e aroma.

A torra também tem papel importante. No Café Cultura, a empresa mantém uma torrefação própria e realiza o processo diariamente, buscando preservar características dos grãos e garantir frescor.

A lógica acompanha uma mudança no comportamento de parte dos consumidores: em vez de apenas perguntar se o café está forte ou fraco, começa a surgir interesse em saber que café é esse, de onde veio e como foi preparado.

A transformação não significa que o cafezinho tradicional tenha desaparecido. Ele continua sendo parte importante da cultura brasileira. O que mudou foi a quantidade de possibilidades disponíveis para quem quer conhecer melhor a bebida.

Cafeterias especializadas passaram a apresentar ao público diferentes grãos e formas de preparo, aproximando conceitos que antes estavam mais restritos a profissionais e apreciadores.

Nesse contexto, o ambiente também ganhou importância. A cafeteria deixou de ser apenas um lugar para comprar uma bebida rapidamente e passou a funcionar, em muitos casos, como espaço de encontro, trabalho, conversa ou pausa.

É uma mudança que ajuda a explicar a expansão de marcas especializadas em café. Criado em Florianópolis, o Café Cultura chegou a quase 50 unidades em sete estados brasileiros: Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais.

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