Ave que era vista como inimiga das lavouras passa a escolher os melhores frutos e ajuda produtora brasileira a criar um dos cafés mais exóticos do país

Última atualização: 21/08/2026 às 11:03

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Por Leticia Florenco | Compre Rural

Foto: Daniel Dan/Pexels

O jacu, ave de plumagem preta e porte médio, era considerado uma ameaça nas lavouras de café da região mineira porque comia os grãos maduros e prejudicava a colheita. Uma cafeicultora, porém, transformou a ave em aliada na produção de café raro.

No Sítio Pico do Boné, em Araponga, na Zona da Mata mineira, Kátia Belo Martins passou a ver o pássaro de outra forma depois de entender seu papel como dispersor de sementes e regenerador florestal. 

“Ao invés de espantar e vê-lo como inimigo, decidimos transformá-lo em aliado”, relata a produtora.

Como o jacu contribui para a qualidade do café

O sistema digestivo do jacu processa apenas a casca e a polpa do fruto, deixando o grão praticamente intacto. 

O grão passa por uma fermentação natural que, segundo Regivaldo Moreira Dias, extensionista da Emater-MG, confere características sensoriais superiores. 

O jacu se alimenta dos melhores grãos, que se tornam matéria-prima do produto final.

A fermentação natural no sistema digestivo, a seleção dos melhores grãos pelo jacu, a dificuldade de colheita e a baixa produção conferem alto valor agregado ao café.

A colheita manual e o processo de beneficiamento

Os grãos são recolhidos manualmente das fezes do jacu, parecidas com um pé de moleque, depois que caem no chão. 

Kátia faz a coleta diariamente, com ajuda de familiares, em uma rotina que exige paciência e atenção.

Depois da coleta, as fezes passam por secagem para a retirada dos grãos, que são higienizados, secos, torrados, moídos e embalados. 

O produto Penélope Majestosa é vendido por R$ 34 mil a saca de 60 kg e R$ 125 o pacote de 150 g.

Tradição familiar e cultivo sustentável

Kátia nasceu e cresceu na zona rural, formou-se em Administração de Empresas e voltou às origens para dar continuidade à cafeicultura. 

Ela e a família cultivam aproximadamente 80 mil pés de café pelo Sistema Agrícola Tradicional, sem usar agrotóxicos.

O sítio produz o café especial Pico do Boné e o café gourmet Araponga, que ficaram em terceiro lugar no Concurso Regional de Café de Viçosa e têm o selo Certifica Minas.

Segundo Kátia Martins, a produção do Penélope Majestosa é pequena, mas a lista de espera para a compra é grande. 

Por enquanto, o produto é comercializado apenas no mercado interno brasileiro.

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