Investimentos em portos vão impulsionar exportação de café no ES

Última atualização: 21/08/2026 às 11:30

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Avanço das vendas externas de conilon eleva demanda por infraestrutura logística; executivos defendem ampliação da capacidade portuária e melhorias nos acessos

Por André Cypreste | A Gazeta

Diálogos Vitória Coffee Summit, no Cais das Artes. Da esquerda para a direita: Anderson Carvalho, diretor de Operações da Imetame; Abdo Filho; Gustavo Paixão, diretor de Terminais da Log-In; e Pedro Benevides, CEO da Vports – Carlos Alberto Silva

O crescimento das exportações de café do Espírito Santo eleva a pressão por investimentos em infraestrutura logística e portuária para garantir que o Estado consiga ampliar a demanda e a presença do produto capixaba no mercado internacional.

Num parâmetro geral, somente em julho, o Espírito Santo exportou 775 mil sacas de café, volume 79% superior ao registrado no mesmo mês de 2025. conilon respondeu pela maior parte dos embarques, com 692 mil sacas e crescimento de 90% em um ano. Mas o sentimento, por vezes, é de que esse escoamento poderia ser melhor.

A avaliação foi feita durante o painel Diálogos.ag, realizado nesta quinta-feira (20), dentro da programação do Vitória Coffee Summit 2026, no Cais das Artesem Vitória. O debate teve como tema “Logística global do café: tendências, infraestrutura e competitividade”, reunindo representantes de empresas diretamente envolvidas no transporte e na movimentação de cargas no Espírito Santo. 

A conversa abordou os desafios para acompanhar o crescimento das exportações de café e a necessidade de antecipar investimentos em infraestrutura para evitar que gargalos logísticos limitem a expansão do setor.

Promovida por A Gazeta, a conversa teve a participação de Gustavo Paixão, diretor de Terminais da Log-In Logística Integrada; Anderson Carvalho, diretor de Operações da Imetame; e Pedro Benevides, CEO da Vports. O painel foi mediado pelo colunista de Economia e Negócios de A Gazeta, Abdo Filho.

O diretor de Terminais da Log-In, Gustavo Paixão, reforçou a posição da companhia no reforço da infraestrutura para o escoamento do café no Estado, com cerca de R$ 400 milhões investidos no Espírito Santo nos últimos quatro anos, em iniciativas como aquisição de equipamentos, adoção de novas tecnologias, modernização e aumento da capacidade.

Segundo ele, os investimentos contribuíram para o crescimento das exportações do Estado e beneficiaram também o café. Apesar dos avanços, porém, ainda existem gargalos que precisam ser enfrentados.

“Cada vez mais, precisamos continuar com os investimentos em infraestrutura. Falando do mercado capixaba, a questão dos acessos rodoviários e marítimos ao Porto de Vitória vai ser diferencial para que possamos continuar crescendo”

Gustavo Paixão, diretor de Terminais da Log-In

Gustavo ressaltou ainda que a deficiência de infraestrutura não é exclusiva do Espírito Santo e que o setor portuário brasileiro também enfrenta limitações. No caso capixaba, entretanto, a melhoria dos acessos é considerada estratégica para que os terminais consigam atender ao aumento da demanda.

Infraestrutura para atrair negócios

O diretor de Operações da Imetame, Anderson Carvalho, defendeu que o planejamento da infraestrutura deve considerar não apenas a demanda atual, mas também os projetos que podem surgir nos próximos anos.

Durante o painel, ele citou a experiência de implantação do terminal da Imetame em Aracruz e afirmou que a empresa decidiu iniciar as obras mesmo sem ter contratos fechados com armadores ou cargas que garantissem previamente a ocupação da estrutura.

A estratégia, segundo Anderson, era criar a infraestrutura e, a partir dela, demonstrar ao mercado que o projeto era uma realidade.

“A gente precisa começar a olhar para a infraestrutura pelos projetos que estão acontecendo agora e pelos projetos futuros. Não temos que esperar a demanda chegar para depois investir. Precisamos estar à frente do tempo para poder atrair novos negócios”

Anderson Carvalho, diretor de Operações da Imetame

O executivo citou ainda o acordo firmado com um operador global de contêineres e avaliou que o Espírito Santo vive um momento de expansão da infraestrutura portuária, especialmente na região de Aracruz.

Para Anderson, a lógica deve ser aplicada também ao planejamento estadual: em vez de esperar que a demanda alcance o limite da infraestrutura existente, é necessário antecipar os investimentos.

“A infraestrutura cria atratividade e competitividade. O Espírito Santo está voltando a se tornar competitivo e atrativo com todo esse potencial de desenvolvimento aqui”

Anderson Carvalho, diretor de Operações da Imetame

Porto como indutor de novos negócios

Diálogos Vitória Coffee Summit, no Cais das Artes – Carlos Alberto Silva

CEO da Vports, Pedro Benevides destacou que os efeitos da expansão da infraestrutura vão além da movimentação de cargas. Para ele, a chegada de novos terminais e o aumento da capacidade logística podem estimular a instalação de empresas e serviços no entorno.

“Quando você viabiliza todo o sistema rodoviário para a movimentação de carga, começa a gerar oportunidades. Você chega na zona portuária e vai precisar de armazéns, de toda uma estrutura. Isso vai trazendo novos negócios para a região”

Pedro Benevides, CEO da Vports

A lógica, segundo o executivo, é que uma infraestrutura mais eficiente aumente a atratividade do Espírito Santo para investimentos. No painel, ele também destacou a importância de uma visão de longo prazo para o planejamento logístico, com a preparação da estrutura para demandas futuras.

“Quando você tem um objetivo eficiente, você atrai mais negócios. E muita coisa interessante pode surgir a partir dessa expansão”

Pedro Benevides, CEO da Vports

A Vports, inclusive, participou de um plano de implementação de uma conexão ferroviária no Porto de Vitória, facilitando o transporte de ferro-gusa entre Minas Gerais e o complexo portuário da capital.

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