“Não podemos beber nosso café nos EUA sem o Brasil”, diz Bill Murray

Última atualização: 24/08/2026 às 15:53

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Presidente da Associação do Café americano destacou a importância do café brasileiro para o mercado e avaliou potencial do ES para ampliar a exportação do conilon

Por André Cypreste | A Gazeta

“Não podemos beber café nos Estados Unidos sem o Brasil.” A frase é de Bill Murray  – não o ator conhecido por “Caça Fantasmas”, mas sim o presidente da Associação Nacional do Café (NCA) dos Estados Unidos. Em visita ao Espírito Santo, o dirigente destacou a importância do café brasileiro para o mercado norte-americano. 

Segundo ele, a relação entre os dois países é de dependência mútua e beneficia tanto consumidores quanto empresas e trabalhadores americanos. No acumulado de 2026, os EUA já importaram mais de 251,8 mil sacas de café vindos do Espírito Santo.

Em entrevista para a reportagem de A Gazeta durante o Vitória Coffee Summit na última sexta-feira (21), Murray avaliou que a manutenção do café brasileiro no mercado americano representa o reconhecimento de que os dois países precisam um do outro, mesmo com as tarifas de até 37,5% anunciadas pelo governo estadunidense.

“No ano passado, em valor, o Brasil respondeu por 20% de todo o café que importamos. E isso é importante não apenas para todos os americanos que bebem café, mas para todos os empregos nos Estados Unidos e para os impostos”.

Bill Murray, presidente da Associação Nacional do Café dos EUA

Conilon capixaba

Principal produtor brasileiro de conilon, o Espírito Santo também foi citado por Murray como um Estado com potencial para ampliar sua participação no mercado americano. Para ele, um dos principais avanços observados nos últimos anos está justamente na qualidade do café produzido no Estado.

Murray afirmou ter experimentado cafés conilon capixabas que o surpreenderam pela qualidade e destacou o trabalho de pesquisa realizado ao longo da última década.

“O aspecto mais interessante do conilon no Espírito Santo é a melhoria da qualidade nos últimos 10 anos. Já experimentei alguns conilons que foram simplesmente excelentes, que me surpreenderam em termos das pesquisas que foram feitas para melhorar o sabor e a qualidade”.

Bill Murray, presidente da Associação do Café dos EUA

Na avaliação do especialista, a melhoria da qualidade será cada vez mais importante diante do crescimento da demanda mundial por café.

“À medida que a demanda mundial por café aumenta cada vez mais, ter um conilon de maior qualidade será crucial para o futuro tanto do Espírito Santo quanto dos consumidores de café em todo o mundo”.

Bill Murray, presidente da Associação do Café dos EUA

Pesquisa e investimento

Perguntado sobre o que o Espírito Santo pode fazer para ampliar as exportações de conilon e tornar o produto mais competitivo no mercado americano, Murray afirmou que o Estado já adota estratégias que considera bem-sucedidas.

Ele citou os investimentos em pesquisa e o apoio de instituições ligadas ao setor cafeeiro e ao governo estadual.


“O que o Espírito Santo já está fazendo é muito bem-sucedido. Vocês investem em pesquisa e têm um apoio incrível de organizações como o Centro do Comércio de Café de Vitória e a Secretaria de Agricultura aqui do Espírito Santo”

Bill Murray, presidente da Associação do Café dos EUA

Para Murray, a estratégia deve ser mantida e ampliada. “Eu diria: continuem fazendo o que estão fazendo, façam mais disso.”

Mercado americano

O mercado dos Estados Unidos é um dos principais destinos para o café brasileiro. A exclusão do produto da tarifa adicional, na avaliação de Murray, preserva uma relação comercial importante para os dois países.

O especialista ressaltou que o impacto vai além do consumo da bebida e envolve toda a cadeia econômica relacionada ao café nos Estados Unidos, incluindo empregos e arrecadação.

Para o Espírito Santo, a manutenção do acesso ao mercado americano abre espaço para que o conilon produzido no Estado avance em um mercado que tradicionalmente utiliza o café robusta em blends e na indústria.

Na avaliação de Murray, porém, a oportunidade passa principalmente pela continuidade dos investimentos em pesquisa e pela busca por maior qualidade do produto capixaba.

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