Morango, café e polenta: os sabores e a gastronomia das Montanhas Capixabas

Última atualização: 25/08/2026 às 11:42

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Gastronomia, cafés especiais e produção rural revelam outro lado dos Caminhos da Mata Atlântica Capixaba

Por Luiz Cabral Inácio | O Tempo

Produtos sustentáveis e sazonais da Cozinha Rústica Bistrô | Foto: Heitor Delpupo/divulgação

Se as trilhas revelam a floresta, a mesa mostra outra dimensão das Montanhas Capixabas. Nos Caminhos da Mata Atlântica Capixaba, conhecer o território também significa provar o que é produzido por pequenos agricultores, conhecer propriedades rurais e descobrir como ingredientes locais chegam aos pratos.

No Empório do Morango, em Forno Grande, a experiência Doce Entardecer aproxima o visitante da produção. O empreendimento nasceu com o cultivo de morangos em sistema hidropônico, mas encontrou no turismo uma nova possibilidade durante a pandemia, quando começou a receber pessoas interessadas em colher as frutas diretamente nas estufas.

A iniciativa acabou se transformando em uma experiência estruturada, com restaurante, petiscaria, loja e atividades de colheita. Também é possível participar, mediante agendamento, de oficina de geleia e piquenique.

Para Joelma Barbosa, empreendedora do Empório do Morango, fazer parte da nova rota significa também ampliar a relação entre o negócio e o território onde está inserido.

“Eu acho assim que, como a gente mora num lugar tão bonito, essas matas, essas pedras que a gente está vendo aí, se a gente não preservar, o que vai ser do futuro? Então acho muito importante a gente ajudar também a incentivar as outras pessoas a manter isso limpo, a conhecer melhor as matas, a propriedade que a gente tem tão bela e talvez não cuidamos tão bem”, conta.

A viagem segue da fruta para a bebida, no Café Vale do Caxixe, onde a experiência Uma xícara, muitas histórias apresenta o café especial produzido na região e permite conhecer um pouco mais da cadeia que transforma o cultivo em produto.

É uma característica que se repete ao longo da rota: o visitante não é convidado apenas a consumir. A ideia é aproximá-lo de quem produz e das histórias que existem por trás de cada produto.

A floresta que também chega ao prato
Na experiência Sabores da Mata Atlântica, da Cozinha Rústica Bistrô, ingredientes e referências do território aparecem em uma proposta gastronômica que reforça uma ideia presente em todo o percurso: a floresta não está apenas ao redor das comunidades. Ela também chega ao prato.

No restaurante, o chef Ricardo Silva trabalha com produtos da terra e da região, respeitando a sazonalidade e valorizando o que é produzido localmente.

“Trabalhamos de forma sustentável e de forma sazonal. Temos essa preocupação. Nada melhor do que uma gastronomia rica pra mostrar como é fácil, como é bom, cultivar, plantar, não desmatar e transformar tudo isso em gastronomia”, afirma.

A gastronomia é também uma das formas mais saborosas de perceber as diferentes camadas da história local. Antes da colonização, o território era habitado pelos povos Puri-Coroados. No século XIX, a expansão agrícola e o ciclo do café foram sustentados também pela exploração da mão de obra escravizada. Mais tarde, a imigração italiana deixou marcas profundas na cultura local, na agricultura e na gastronomia.

Por isso, a paisagem que o visitante encontra hoje é resultado de muitas camadas. Está na polenta, nos produtos coloniais, no café, nas pequenas propriedades e nas histórias de famílias que continuam trabalhando a terra.

Na experiência Casa Nostra, essa herança também aparece à mesa, reforçando uma característica que acompanha toda a viagem: nas Montanhas Capixabas, conhecer o território passa inevitavelmente por provar o que ele produz.

Uma rota para experimentar o território
Os Caminhos da Mata Atlântica Capixaba reúnem experiências que vão muito além de trilhas e paisagens. A proposta do Sebrae Espírito Santo é conectar natureza, produção, gastronomia e conservação em um roteiro que percorre Castelo e Vargem Alta e se relaciona com o corredor ecológico formado por diferentes áreas protegidas.

A primeira fase do projeto reuniu nove empreendimentos, com previsão de ampliação. A ideia é que o visitante possa montar o roteiro de acordo com seu tempo e seus interesses, passando por parques, reservas, propriedades rurais, restaurantes e outros atrativos.

A rota também inclui experiências como a Gruta do Limoeiro, uma das maiores cavernas do Espírito Santo, além de outros empreendimentos ligados à produção e à gastronomia.

Mais do que criar uma sequência de atrações, a proposta é conectar pontos que já existiam, mas que agora passam a ser apresentados como partes de uma mesma história.

ONDO COMER:

Empório do Morango
Forno Grande, Castelo/ES
(28) 9 9965-6592  @emporiodomorangofornogrande

Cozinha Rústica Bistrô
Rua Projetada, 14, Vargem Alta/ES
(28) 99964-8918  @cozinharustica_

Bistrô Casa Nostra
Pindobas, Venda Nova do Imigrante/ES
@casanostrabistro

Grão da Terra Fogão a Lenha
Pedra Azul/ES 
(27) 99781-3851 @graodaterra.restaurante

*O repórter viajou a convite do Sebrae ES e da Turismo 360.

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