Última atualização: 26/08/2026 às 14:48
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Foto: Divulgação
Delegação vietnamita foi ao Espírito Santo conhecer mecanização, genética e manejo do conilon brasileiro em busca de soluções para produtividade e adaptação climática
O Vietnã se inspira no Brasil para modernizar sua cafeicultura e reduzir a distância tecnológica entre os dois maiores produtores mundiais de café. Uma delegação do país asiático esteve no Espírito Santo para conhecer práticas adotadas nas lavouras de conilon, com atenção especial à mecanização, à produção de mudas clonais e ao trabalho científico desenvolvido no Estado.
A visita colocou frente a frente dois modelos de produção bastante diferentes. Enquanto propriedades brasileiras avançaram na adoção de máquinas e materiais genéticos selecionados, boa parte da colheita vietnamita ainda depende de operações manuais.
Para os visitantes, entender como o Espírito Santo conseguiu combinar pesquisa, assistência técnica e tecnologia dentro das propriedades foi tão importante quanto observar os equipamentos utilizados no campo.
Vietnã se inspira no Brasil para modernizar a colheita
As máquinas utilizadas no manejo e na colheita do conilon estiveram entre os principais pontos de interesse da delegação.
A mecanização permite executar determinadas operações em menor tempo e reduzir a dependência de grandes equipes de trabalhadores, fator que ganha importância à medida que aumentam os custos de produção e a dificuldade de contratação de mão de obra rural.
No Vietnã, onde muitas etapas ainda são realizadas manualmente, esse avanço representa uma possível mudança no modelo produtivo.
A adoção de máquinas, entretanto, depende de fatores como relevo, espaçamento entre plantas, desenho das propriedades e características das lavouras. Por isso, a experiência brasileira funciona mais como referência tecnológica do que como uma solução que possa ser simplesmente transferida de um país para outro.
Pesquisa capixaba chama atenção da delegação
Além das máquinas, o sistema de desenvolvimento de cultivares utilizado no Espírito Santo ganhou destaque durante a visita.
O Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) possui uma longa trajetória de pesquisa com café conilon e participa diretamente da seleção de plantas adaptadas às condições de produção do Estado.
O trabalho envolve características como potencial produtivo, qualidade dos grãos, ciclo de maturação e capacidade de adaptação a diferentes ambientes.
A partir desses programas, foram desenvolvidos materiais clonais que passaram a integrar o sistema produtivo capixaba e contribuíram para aumentar a eficiência das lavouras.
Para os representantes vietnamitas, a existência de uma estrutura permanente de pesquisa aplicada ao campo aparece como um dos diferenciais do modelo brasileiro.
Mudas clonais entram no radar do Vietnã
Outro ponto observado pelos visitantes foi a produção de mudas provenientes de materiais selecionados.
Na cafeicultura de conilon, o uso de clones permite multiplicar plantas que apresentam características consideradas desejáveis pelos programas de melhoramento.
Esse processo facilita a formação de lavouras mais uniformes e permite ao produtor escolher materiais adequados às condições de sua propriedade.
A delegação buscou informações sobre o sistema brasileiro, mas o transporte internacional de material vegetal depende de regras fitossanitárias específicas, justamente para evitar a introdução de pragas ou doenças em novas regiões produtoras.
Assim, o principal resultado da viagem foi a troca de conhecimento técnico e o estabelecimento de contatos com produtores e pesquisadores brasileiros.
El Niño amplia preocupação com a próxima safra
O interesse vietnamita em novas tecnologias ocorre em um momento de atenção crescente às condições climáticas.
A expectativa é de aumento na produção de café robusta do país na temporada 2026/27, impulsionada principalmente por áreas renovadas que começam a atingir maior estabilidade produtiva.
Thai Nhu Hiep, vice-presidente da Associação Vietnamita de Café e Cacau (Vicofa), citou estimativa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) de aproximadamente 32 milhões de sacas de 60 quilos para a próxima temporada.
O possível retorno do El Niño, entretanto, adiciona uma variável importante ao cenário.
O principal temor está relacionado às regiões produtoras do Planalto Central vietnamita, onde períodos prolongados de calor e restrição de chuvas podem interferir no desenvolvimento das plantas.
Vietnã se inspira no Brasil também para lidar com o clima
A vulnerabilidade climática aumenta o valor de tecnologias capazes de tornar a produção mais estável.
No Brasil, programas de pesquisa vêm selecionando materiais de conilon com diferentes características agronômicas, incluindo capacidade de adaptação a situações de menor disponibilidade de água.
Para o Vietnã, conhecer esse processo pode ajudar no desenvolvimento de soluções próprias, ajustadas às condições locais.
A preocupação não se limita aos produtores vietnamitas.
Brasil e Vietnã têm peso decisivo na oferta mundial de cafés da espécie Coffea canephora, o que significa que problemas climáticos simultâneos nos dois países podem repercutir sobre disponibilidade e preços no mercado internacional.