Última atualização: 28/08/2026 às 11:54
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A jornalista e apresentadora Marleide Cavalcante mediou a conversa sobre a iniciativa pioneira que vem transformando o cenário agrícola e empreendedor do estado, o Café Imerú, projeto liderado pela jovem.

O podcast CoffeePub teve uma edição especial, gravado no município de Pacaraima, na Comunidade Indígena Kauê, com a empreendedora e produtora rural Ana Karolliny, de 25 anos, descendente do povo macuxi.
A jornalista e apresentadora Marleide Cavalcante mediou a conversa sobre a iniciativa pioneira que vem transformando o cenário agrícola e empreendedor do estado, o Café Imerú, projeto liderado pela jovem.
O que começou como um experimento familiar em uma região historicamente sem tradição na cafeicultura transformou-se na primeira marca de café com produção própria e cultivo de grãos Arábica orgânicos em solo roraimense.
Antes do surgimento do Café Imerú, os planos de vida de Ana Karolliny apontavam para os estudos universitários e uma rotina urbana longe da comunidade. No entanto, o vínculo com a terra e o incentivo dos pais mudaram essa trajetória.
A relação com o solo veio das memórias de infância, quando acompanhava o pai na roça de subsistência. As práticas agrícolas tradicionais aprendidas com os antepassados revelaram-se, mais tarde, um verdadeiro sistema agroflorestal orgânico.
Aos 15 anos de idade, vieram os primeiros pés de café, plantados de forma 100% natural com adubação de esterco do próprio sítio e irrigação manual.
“Eu não imaginava que iria trabalhar como produtora rural ou me apaixonar pelo empreendedorismo. O Imerú virou um propósito na minha vida.”
Produzir café da espécie Arábica em Roraima sempre foi visto como um desafio devido às altas temperaturas médias do estado. Contudo, a Comunidade Kauê conta com um fator geográfico privilegiado que favorece o cultivo:
Altitude elevada: O plantio está localizado a 930 metros de altitude, proporcionando o microclima fresco essencial para o desenvolvimento do café Arábica.
Transição de biomas: O solo se beneficia da transição entre a floresta e o lavrado, garantindo matéria orgânica e nutrientes naturais.
Manejo artesanal e sustentável: Todo o fruto é reaproveitado na propriedade. A casca rica em potássio passa por fermentação para adubar a própria lavoura, enquanto a polpa doce pode ser consumida in natura ou utilizada no preparo de chás (cáscara).
Protagonismo feminino e liderança indígena.
Turismo de base comunitária e visão de futuro
Atualmente, o Café Imerú atrai visitantes da capital, de outros municípios e comitivas de fora do estado interessados na Rota do Café Artesanal. A experiência combina o café da manhã com produtos da roça, ecoturismo por cachoeiras e o etnoturismo focado na convivência com os moradores locais.
Com a expansão do plantio para mais famílias da região, a comunidade já conta com cerca de 10 produtores envolvidos. O objetivo de Ana Karolliny é consolidar a Comunidade Kauê como um grande polo de café especial de qualidade, levando a marca indígena roraimense para xícaras de todo o país e do exterior.
Fonte: Folha BV