Café aumenta testosterona em homens e reduz gordura, aponta estudo

Última atualização: 31/08/2026 às 10:54

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Levantamento com 2.264 adultos finlandeses aponta ainda mais massa muscular e efeito hormonal mais discreto nas mulheres

Por Diogo Rodriguez | Época Negócios

Levantamento com 2.264 adultos finlandeses aponta ainda mais massa muscular e efeito hormonal mais discreto nas mulheres — Foto: Unsplash

Pessoas que bebem mais café tendem a ter menos gordura corporal e mais massa muscular do que quem consome pouco ou nada, mesmo quando o índice de massa corporal (IMC) dos dois grupos é parecido. A relação também aparece nos hormônios sexuais: em homens, o consumo mais alto de café está ligado a níveis mais altos de testosterona total e da globulina carreadora de hormônios sexuais (SHBG, na sigla em inglês), proteína que transporta hormônios sexuais pelo sangue. Em mulheres, o efeito hormonal é mais limitado.

Os achados são de um estudo publicado na revista European Journal of Nutrition por pesquisadores da Universidade de Oulu, na Finlândia, com base em dados do Estudo de Coorte de Nascimentos do Norte da Finlândia de 1966 (NFBC1966), um dos maiores acompanhamentos populacionais em curso no país. A descoberta foi destacada pelo site científico ScienceAlert.

A equipe analisou dados de 2.264 adultos de 46 anos, coletados em exame clínico após jejum de 12 horas, e comparou marcadores metabólicos e hormonais entre diferentes níveis de consumo habitual de café. Do total, 1.076 participantes bebiam cinco xícaras ou mais por dia, 822 tomavam de três a quatro xícaras, 296 tomavam uma ou duas, e 70 não bebiam café. Por ser um estudo transversal, ou seja, que fotografa um único momento na vida dos participantes em vez de acompanhá-los ao longo do tempo, os pesquisadores não conseguem afirmar que o café causa essas diferenças, apenas que elas aparecem associadas ao hábito.

Menos gordura, mais músculo, mesmo com IMC parecido

Apesar de o IMC ser semelhante entre os grupos, quem bebia mais café teve menor percentual de gordura corporal, menor massa de gordura total e menor área de gordura visceral, a que se acumula ao redor dos órgãos internos, além de maior massa muscular esquelética. As medidas de composição corporal foram feitas por bioimpedância, técnica que estima a proporção de gordura e músculo a partir da resistência elétrica dos tecidos.

O estudo também encontrou uma correlação inversa entre o consumo de café e os aminoácidos de cadeia ramificada (BCAA) circulantes no sangue, tanto em homens quanto em mulheres. Esses aminoácidos participam da síntese muscular, mas, quando ficam cronicamente elevados no organismo, já foram associados em outras pesquisas a maior risco de resistência à insulina e diabetes tipo 2. Em homens, o consumo mais alto de café também esteve ligado a um perfil mais favorável de glicose e insulina, com menor resistência à insulina e maior sensibilidade a ela nos testes realizados.

O achado mais marcante do estudo está nos hormônios sexuais masculinos. Para cada xícara adicional de café consumida por dia, a testosterona total dos homens subiu, em média, 0,29 nanomol por litro (nmol/L), e a SHBG aumentou 0,57 nmol/L, associações que se mantiveram estatisticamente significativas mesmo depois de os pesquisadores descontarem o efeito do IMC, escolaridade, tabagismo, atividade física e consumo de álcool.

Ao mesmo tempo, dois outros indicadores seguiram na direção oposta: a testosterona livre, fração do hormônio que circula sem estar ligada a proteínas transportadoras, e o índice de andrógeno livre, que estima a quantidade de testosterona biologicamente ativa no organismo, caíram entre os homens que bebiam mais café. Em estudos anteriores com outras populações, tanto a testosterona total quanto a SHBG já haviam sido associadas a menor risco de síndrome metabólica e diabetes tipo 2 em homens, o que dá coerência biológica ao padrão observado na pesquisa finlandesa, sem no entanto comprovar uma relação de causa e efeito.

Em mulheres, a resposta hormonal foi mais limitada

Entre as mulheres, os efeitos hormonais associados ao café foram mais contidos. O consumo mais alto esteve ligado a um aumento de 1,27 nmol/L na SHBG por xícara adicional ao dia e a quedas na testosterona livre e no índice de andrógeno livre, mas não houve associação significativa com a testosterona total ou com a fração biodisponível do hormônio. Mulheres com diagnóstico de síndrome dos ovários policísticos foram excluídas dessa parte da análise, já que a condição altera naturalmente os níveis de andrógenos.

Por ser observacional e transversal, a pesquisa não determina se é o café, ou algum de seus mais de mil compostos bioativos, como cafeína, ácido clorogênico e diterpenos, que provoca essas alterações hormonais e metabólicas, nem descarta que outros hábitos dos participantes expliquem parte do resultado. O consumo de café também foi informado pelos próprios participantes, sem definição do tamanho da xícara ou do método de preparo.

“Ainda sabemos surpreendentemente pouco sobre como o café afeta metabolismo e hormônios”, afirma Luca Verroest, pesquisador de doutorado da Universidade de Oulu e autor principal do estudo. Segundo ele, os próximos passos envolvem testar essas associações em modelos animais, com o objetivo de avançar depois para estudos de intervenção em humanos capazes de identificar quais compostos do café estariam por trás do padrão hormonal encontrado.

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