Café Produtor de Água conquista 2º lugar em ranking internacional da OIC

Última atualização: 02/09/2026 às 11:57

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Café Produtor de Água conquista 2º lugar em ranking internacional da OIC e ganha destaque por ações ligadas à sustentabilidade na cafeicultura

Por Conselho Nacional do Café | Conexão Safra

Foto: br.freepik.com

O Brasil obteve reconhecimento internacional por sua agenda de preservação de recursos hídricos e matas ciliares na cafeicultura. Na 8ª Reunião do Comitê Conjunto da Organização Internacional do Café (OIC), realizada em formato virtual em 25 de agosto de 2026, a proposta de internacionalização do Programa Café Produtor de Água conquistou a 2ª maior pontuação entre 21 iniciativas apresentadas por países membros.

Intitulada “Preservação de recursos hídricos para a cafeicultura: o exemplo do programa brasileiro ‘Café Produtor de Água’ para outros países produtores”, a iniciativa foi definida como a prioridade nº 1 do Brasil para o Programa de Atividades da OIC 2026/27. A primeira colocação ficou com El Salvador, cuja proposta sobre validação da cafeicultura de baixo risco para atendimento aos marcos regulatórios de desmatamento.

O desempenho brasileiro reforça a relevância internacional de uma agenda que busca conciliar produção de café, conservação ambiental e segurança hídrica. Além do Café Produtor de Água, outras iniciativas brasileiras também estiveram entre as propostas mais bem avaliadas: boas práticas de armazenamento; barreiras tarifárias e não tarifárias e novos subprodutos da cafeicultura.

Experiência brasileira com potencial de replicação

O Programa Café Produtor de Água aproxima a atividade cafeeira da conservação dos recursos naturais por meio do Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). Na prática, o mecanismo permite reconhecer e remunerar produtores rurais que adotam ações capazes de gerar benefícios ambientais, como a proteção de nascentes, a conservação de matas ciliares e a recuperação de áreas importantes para a disponibilidade e a qualidade da água.

A proposta apresentada à OIC prevê documentar e disseminar a experiência brasileira, suas lições aprendidas e os mecanismos utilizados para sua implementação. O objetivo é oferecer informações que permitam a outros países produtores avaliar a adaptação ou a replicação do modelo de acordo com suas próprias realidades.

O reconhecimento ocorre em um momento em que sustentabilidade, disponibilidade hídrica e resiliência da produção ganham importância crescente para a cafeicultura mundial. Nesse contexto, a experiência brasileira demonstra como ações de conservação podem estar integradas à atividade produtiva e contribuir para a sustentabilidade de longo prazo do setor.

Próxima etapa será em Genebra

As iniciativas recomendadas pelo Comitê Conjunto ainda passarão por uma etapa decisiva. As propostas serão encaminhadas à 142ª Sessão do Conselho Internacional do Café, prevista para o final de setembro de 2026, em Genebra, na Suíça, onde serão submetidas à apreciação e aprovação dos países membros.

Somente após essa aprovação a Secretaria da OIC deverá elaborar os planos detalhados de implementação das iniciativas selecionadas.

Brasil amplia presença na agenda internacional do café

A segunda colocação do Café Produtor de Água representa mais do que um resultado em um ranking. Ela evidencia a capacidade brasileira de apresentar soluções construídas a partir da realidade da cafeicultura nacional e com potencial de contribuir para desafios compartilhados pelos países produtores.

O resultado também é fruto do trabalho técnico e diplomático desenvolvido pelo Embaixador Mauro Furlan junto a equipe da Rebraslon (Representação Permanente do Brasil junto aos Organismos Internacionais em Londres), que atuaram para levar a proposta brasileira ao debate internacional com consistência e clareza.

“Da mesma forma, merece reconhecimento o papel da Diretora Executiva da OIC, Vanusia Nogueira, e de toda a equipe da Organização pela construção de espaços de diálogo e cooperação que permitem que experiências nacionais sejam apresentadas, avaliadas e, quando aprovadas, transformadas em referências para a cafeicultura mundial”, analisou Silas Brasileiro, presidente do Conselho Nacional do Café.

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