Última atualização: 02/09/2026 às 12:07
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A origem dos dois movimentos está na oferta – mas de lados diferentes

O preço do leite subiu 25% desde o início de 2026, segundo a Abras | Foto: Topntp26/Magnific/Reprodução
Por Gabriel Rodrigues | O Tempo
Uma das principais combinações nas mesas de Minas Gerais vive uma gangorra econômica. O preço do café, um dos vilões da inflação em 2025, caiu quase 14% no varejo, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Já o leite subiu 25% desde o início de 2026. Agora, os dois tendem a um equilíbrio, mas com incertezas nos próximos meses.
A origem dos dois movimentos está na oferta – mas de lados diferentes. O café teve uma explosão de preço no último ano devido a perdas no campo por condições climáticas, o que reduziu a oferta do grão. Já a safra atual, que se aproxima do fim, tem satisfeito os produtores no volume e abastecido os estoques, embora decepcione na qualidade devido às chuvas.
Por outro lado, o leite passou 2025 em valores abaixo do habitual, pois a chuva favoreceu as pastagens e, consequentemente, a produção do gado. Mas, com o aumento da oferta, o preço pago aos produtores caiu e, como é habitual, eles reduziram investimentos. Neste ano, somado a isso, o cenário mudou e, com pastagens mais secas, há menos leite disponível no mercado.
A analista de agronegócio da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Sistema Faemg Senar) Ana Carolina Gomes explica que, do ponto de vista dos produtores, o momento é positivo. “Em relação ao leite, vale uma ressalva: o preço está subindo, mas isso é um sinal de recuperação de preços. Nem podemos falar em aumento, mas sim em recuperação, porque os produtores vinham trabalhando com perdas”, pondera.
Ela avalia que, com isso e com o fim da safra do café, entre setembro e outubro, os últimos meses do ano tendem a ser de estabilização de preços. Mas tudo pode mudar a depender dos impactos do El Niño, fenômeno que pode desorganizar todo o regime de chuvas do Brasil.
“Como a oferta de café e leite se dará nesse período é uma incógnita. O café é muito sensível. Ele precisa de chuva no volume, na hora e na frequência certas. Chuvas na florada são muito bem-vindas. Na colheita, não”, exemplifica Gomes. “Para Minas, temos expectativa de elevação de temperaturas e irregularidade de chuvas, o que prejudica a pastagem e a cafeicultura. Temos que ter um radar atento monitorando como serão esses fenômenos e como será o impacto no agro como um todo”, finaliza a analista.