Última atualização: 05/09/2026 às 19:27
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Coletivo Campinas Café reúne história, inovação, conhecimento e experiências no CIW 2026
Campinas é uma das maiores potências econômicas, científicas e tecnológicas do Brasil. Tem o 11º maior Produto Interno Bruto entre os municípios brasileiros, à frente de diversas capitais. A cidade concentra universidades, centros de pesquisa, empresas de tecnologia, startups e ambientes de inovação.
Entre 14 e 18 de setembro, esse ecossistema estará reunido na terceira edição do Campinas Innovation Week (CIW), um dos principais eventos de inovação, tecnologia e negócios do país. Realizado pela Prefeitura de Campinas e executado pela Associação Comercial e Industrial de Campinas (ACIC), o CIW terá como tema “O amanhã é nosso” e entrada gratuita. A expectativa é receber mais de 20 mil pessoas no Prédio do Relógio, no Pátio Ferroviário de Campinas.
Ao longo de cinco dias, empresas, startups, universidades, centros de pesquisa, investidores e gestores públicos discutirão inteligência artificial, conectividade, 5G, internet das coisas, cidades inteligentes e conexões globais.
Em meio a tantos temas associados ao futuro, o café poderia parecer apenas uma pausa. Em Campinas, porém, ocupa um lugar muito maior. Antes das startups e dos atuais ambientes de inovação, a cafeicultura movimentou a economia, estimulou a ciência e ajudou a modernizar a cidade.
Na segunda metade do século XIX, a riqueza cafeeira impulsionou as ferrovias, o comércio e o surgimento de indústrias. Campinas tornou-se um dos principais entroncamentos ferroviários da economia do café, articulando a Companhia Mogiana, a Companhia Paulista e outros ramais que atendiam diferentes regiões produtoras. Pela Paulista, o café seguia para Jundiaí e, de lá, pela São Paulo Railway, chegava ao Porto de Santos.
Outro marco ocorreu em 1887. Naquele ano, o imperador D. Pedro II criou em Campinas a Imperial Estação Agronômica, atual Instituto Agronômico (IAC). Sua missão era desenvolver as ciências agronômicas, especialmente as relacionadas ao café. Nascia ali uma das sementes da vocação científica e inovadora de Campinas. Mais uma vez, o café estava no centro dessa transformação.
Mais de um século depois, o café volta a ocupar um espaço que ajudou a transformar. É no Prédio do Relógio, no Pátio Ferroviário, que o Coletivo Campinas Café chega ao CIW para conectar história, conhecimento, inovação e futuro.
Coletivo Campinas Café
O Coletivo Campinas Café nasce da articulação entre o Campinas e Região Convention & Visitors Bureau, o Instituto Agronômico (IAC), a Rede Social do Café, a Confraria Solo Sagrado, a Baristando e o Campinas Café Festival.
A articulação reúne pesquisa, comunicação, turismo, eventos, cafeterias, barismo, torra e diferentes experiências ligadas à cultura do café.
Mais do que compartilhar um espaço no CIW, essas organizações se unem para valorizar e promover os Cafés do Brasil e ampliar a circulação de informação e conhecimento. Também buscam fortalecer o ecossistema cafeeiro de Campinas e da Região Metropolitana.
Muito além de uma xícara…
Durante os cinco dias, as instituições estarão reunidas em um estande dedicado ao universo cafeeiro. O espaço terá a presença de integrantes da Confraria Solo Sagrado. A Confraria reúne profissionais e empreendedores ligados a cafeterias, barismo, torra e outras atividades do ecossistema regional. Seus integrantes ajudarão a manter o ambiente vivo, promover trocas de conhecimento e aproximar o público das diferentes experiências com o café.
Além de servir bons cafés, o espaço terá ativações em horários programados. O público poderá conhecer produtos, acompanhar diferentes preparos, receber informações e participar de degustações.
Entre as experiências confirmadas estão o café árabe preparado na areia, os cafés exóticos do Instituto Agronômico (IAC) e os refrigerantes produzidos com café verde. A proposta é transformar o estande em um ponto de encontro para bons cafés, boas conversas e novas conexões.
Café em debate
Além do estande, o café integrará a programação do CIW. Na sexta-feira, 18 de setembro, às 15h40, será realizada a plenária “Ativação do Ecossistema Cafeeiro: Campinas entre o passado, o presente e o futuro”. A atividade marcará o encerramento do CIW 2026, será aberta ao público e terá capacidade limitada a 60 pessoas.
O encontro terá as seguintes participações:
- Guilherme Campos, Ministério da Agricultura e Pecuária
Programa Cafés do Brasil e perspectivas para a valorização e a promoção da cafeicultura brasileira.
- Fernando Vernier, Campinas e Região Convention & Visitors Bureau
História do café e sua relação com o desenvolvimento de Campinas.
- Sérgio Parreiras Pereira, IAC e Rede Social do Café
Pesquisa, inovação, comunicação e articulação do ecossistema cafeeiro.
- Cid Manicardi, Sítio Flor da Lua
Produção agroecológica, agricultura regenerativa e turismo rural.
- Fernando Santana, Baristando Cafés Personalizados
Torra, preparo, serviço, experiências e novos caminhos para o consumo de café.
Ao final, os convidados dialogarão com integrantes da Confraria Solo Sagrado e com o público sobre o fortalecimento do ecossistema cafeeiro de Campinas e região.
É nesse encontro entre memória e futuro que o café volta aos trilhos. No século XIX, ele ajudou a impulsionar o desenvolvimento de Campinas. Em 2026, retorna ao Pátio Ferroviário para ocupar seu lugar nas conversas que projetam o amanhã.
Sérgio Parreiras Pereira
Pesquisador científico do Instituto Agronômico (IAC) e articulador da Rede Social do Café.
