Última atualização: 07/09/2026 às 20:09
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Com mais de 95 premiações internacionais, produção paulista a 1400 metros de altitude aposta em agilidade na colheita e sustentabilidade para garantir qualidade

O produtor Alexandre Marchetti migrou do café para o azeite — Foto: EPTV
Em São Sebastião da Grama, na Serra da Mantiqueira, uma fazenda conhecida pela produção de café encontrou nas oliveiras uma solução criativa para as áreas onde o frio intenso e o vento impediam o cultivo da bebida. Em 2009, os primeiros pés foram plantados. Hoje, são 60 hectares em produção e mais de 95 premiações internacionais — incluindo o título de melhor azeite do hemisfério sul em concurso realizado na Itália.
O diferencial começa na localização. A propriedade está a 1.400 metros de altitude, com solo de origem vulcânica — condições que favorecem a qualidade das olivas. Mas o grande segredo, segundo Alexandre, responsável pela produção, está na velocidade. As azeitonas são colhidas com cerca de 85% ainda verdes e 15% no ponto de amadurecimento, e precisam chegar ao lagar em até duas horas após serem retiradas da planta. O processo de extração leva mais uma hora. “Quanto mais rápido levamos o fruto para o lagar, melhor a qualidade do azeite”, explica. Depois de pronto, o produto é armazenado a 18 graus com injeção de nitrogênio para evitar a oxidação — e segue direto para o mercado interno brasileiro, sem exportação.
A sustentabilidade também faz parte do processo. A fazenda reduz ao máximo o uso de agroquímicos, trabalha com roçada nas entrelinhas dos talhões e aproveita a matéria orgânica gerada para melhorar a biota do solo — uma prática já adotada no café e estendida naturalmente para as oliveiras. A colheita deste ano superou as expectativas tanto na Serra da Mantiqueira quanto nas regiões produtoras do Sul do país.
Para além da produção, o azeite brasileiro também virou objeto de pesquisa. Na Unicamp, estudos investigam componentes específicos do azeite e seus efeitos sobre o hipotálamo — região do cérebro que regula o apetite e o gasto energético, frequentemente desregulada em pessoas com obesidade. Outro estudo analisa a relação entre nutrientes do azeite e a progressão do Alzheimer, doença cuja incidência cresce junto com os índices de obesidade. “Não cura nem trata, mas só reduzir a velocidade do desenvolvimento da doença já é uma grande perspectiva”, explica o pesquisador responsável. O consumo, porém, exige atenção à qualidade e à quantidade — afinal, trata-se de uma gordura calórica, e os benefícios só se sustentam dentro de um equilíbrio alimentar mais amplo.
Fonte: Rede Globo | EPTV