Última atualização: 07/09/2026 às 20:06
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As chuvas acompanhadas de granizo registradas nas últimas semanas em algumas regiões de Minas Gerais acenderam o alerta entre os produtores de café. Em diferentes propriedades, as pedras de gelo provocaram desfolhamento, quebra de ramos, danos aos frutos e comprometimento de áreas de produção, em um período importante para a recuperação das plantas após a colheita.
Embora o granizo seja um fenômeno de difícil previsão em escala local, algumas regiões mineiras apresentam maior frequência de ocorrência. Segundo o meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Lizando Gemiacki, os registros costumam se concentrar principalmente no Sul de Minas e na Zona da Mata, regiões com relevo mais acidentado, condição que favorece a formação de tempestades severas.
“Estamos vivendo uma condição atípica para esta época do ano, que normalmente já seria marcada pelo período seco. Pelo menos até os próximos dias ainda existe possibilidade de chuvas com rajadas de vento e eventual queda de granizo em alguns municípios, especialmente do Sul de Minas e da Zona da Mata”, explica.
Avaliação deve ser o primeiro passo
Diante dos prejuízos provocados pelo granizo, a principal recomendação aos cafeicultores é ter cautela antes de iniciar qualquer intervenção nas lavouras.
Orientações técnicas divulgadas pelo Conselho Nacional do Café (CNC) indicam que o primeiro passo deve ser uma avaliação criteriosa dos danos. A análise é necessária para definir quais medidas serão mais adequadas para a recuperação das plantas.
Em casos de danos leves, quando há perda parcial de folhas e pequenos ferimentos nos ramos, a recomendação é manter os tratos culturais normalmente, com reforço na nutrição e no monitoramento fitossanitário da lavoura.
Nas áreas mais atingidas, onde houve quebra significativa de ramos produtivos ou comprometimento da estrutura das plantas, pode ser necessária a realização de podas seletivas para estimular a recuperação.
Ferimentos aumentam risco de doenças
Outro ponto de atenção após a ocorrência de granizo é o aumento do risco de doenças.
Os ferimentos provocados pelas pedras de gelo podem facilitar a entrada de fungos e bactérias nas plantas. Por isso, o acompanhamento técnico deve ser mantido e, quando necessário, devem ser adotadas medidas de controle para evitar perdas adicionais.
Prevenção para enfrentar eventos climáticos
Os episódios recentes também reforçam a necessidade de planejamento diante de um cenário climático considerado cada vez mais instável.
Com a chegada do fenômeno El Niño em maior intensidade no segundo semestre de 2026, pode haver alteração no regime de chuvas em diferentes regiões produtoras do país.
Em Minas Gerais, períodos prolongados de calor e déficit hídrico podem comprometer etapas importantes do ciclo produtivo do café, como a floração e o enchimento dos grãos, com possíveis impactos na produtividade e na qualidade da bebida.
Para reduzir os riscos, a Secretaria de Estado de Agricultura (Seapa) orienta os produtores a aproveitarem o período para revisar o planejamento da próxima safra.
Entre as medidas recomendadas estão práticas de conservação da umidade do solo, como cobertura vegetal e plantio direto; utilização de cultivares mais tolerantes ao déficit hídrico; e planejamento da irrigação, quando houver disponibilidade de água e infraestrutura.
Orientação técnica ganha importância
Segundo o superintendente de Inovação e Economia Agropecuária da Seapa, Feliciano Nogueira, a orientação técnica se torna ainda mais importante diante da maior frequência de eventos climáticos extremos.
“Diante da expectativa relativa ao El Niño, nosso trabalho junto aos agricultores e pecuaristas mineiros é orientá-los e assisti-los tecnicamente sobre estratégias que possam reduzir os efeitos do fenômeno climático em suas atividades”, afirma.
Feliciano destaca ainda que iniciativas relacionadas à produção sustentável e ao uso eficiente da água já disponíveis no estado podem contribuir para aumentar a resiliência das propriedades rurais.
Entre essas iniciativas estão programas de irrigação sustentável, ações de revitalização de bacias hidrográficas, certificação de boas práticas e ferramentas de planejamento territorial que auxiliam os produtores na tomada de decisões diante de adversidades climáticas.
“Em um cenário de crescente variabilidade climática, a prevenção e o planejamento passam a ser tão importantes quanto as ações adotadas após a ocorrência dos danos”, finaliza.
Fonte e foto: SEAPA
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Fonte: Jornal Panorama Minas