Última atualização: 10/09/2026 às 14:16
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Casal que vive há mais de quatro décadas da cafeicultura conta como a produção mudou, os desafios provocados pelo clima e o crescimento do interesse dos consumidores por cafés de qualidade
Por Fabiano Frade | Rádio Itatiaia

Café especial ganha espaço no Sul de Minas e produtores apostam em tecnologia e agricultura regenerativa • Fabiano Frade
O café especial vem ganhando cada vez mais espaço entre os consumidores brasileiros e mudando a rotina dos produtores no Sul de Minas. Na Fazenda dos Tachos, em Varginha, a família deixou para trás a produção voltada exclusivamente para o mercado de commodity e, desde 2008, investe na produção de cafés especiais.
A história da propriedade começou ainda no século XVIII. A fazenda existe desde 1780, mas o cultivo de café só começou no início do século XX. Hoje, Adelino e Zezinha representam uma geração de produtores que acompanhou de perto as transformações da cafeicultura.
Casados há 48 anos, os dois se conheceram justamente por causa do café e continuam trabalhando juntos na atividade.
“Até 2008 nós trabalhávamos com commodity. A partir daí passamos a trabalhar com cafés especiais. A gente sabia que a nossa região é muito propícia para café”, conta Adelino.
Consumidor quer novas experiências
A mudança na produção também acompanha uma transformação no comportamento de quem consome café. Segundo o produtor, o público está mais interessado em conhecer diferentes variedades e experimentar cafés com características próprias.
“Cada vez mais as pessoas estão querendo novidades, variedades novas, variedades exóticas, cafés exóticos”, afirma. O crescimento do mercado de cafeterias também ajuda a aproximar o produto de um público mais jovem.
“Os jovens estão indo para tomar café, bater papo, se reunir na cafeteria. Isso foi uma evolução, porque o café especial vai ganhando terreno dia após dia”, destaca Adelino.
Na Fazenda dos Tachos, os consumidores podem encontrar os produtos principalmente pelas redes sociais. A propriedade mantém um perfil no Instagram e também possui divulgação por meio da Emater.
Clima é um dos principais desafios
Apesar do avanço do mercado de cafés especiais, produzir café continua sendo uma atividade marcada por riscos. Adelino afirma que as condições climáticas estão entre os principais problemas enfrentados pelos produtores.
“Você faz uma programação e, de repente, vem um fenômeno e desestrutura tudo”, explica.
O produtor cita uma sequência de eventos adversos desde 2021, como geadas, chuvas de granizo e períodos de seca. Mesmo sem ter sofrido diretamente com a geada por causa da altitude da propriedade, a lavoura sentiu os efeitos das condições climáticas na produção e na florada.
“Desde 2021 que a cafeicultura está sofrendo”, afirma.
O seguro rural ajuda a reduzir parte das perdas, mas, segundo Adelino, nem sempre é suficiente para cobrir todo o prejuízo causado por um evento climático.