Cultivo de café avança em regiões de Moçambique

Última atualização: 11/09/2026 às 10:47

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Após uma semana no país africano, Fábio Partelli relata ganhos sociais e ambientais na Gorongosa e aponta a irrigação como desafio em Chimanimani

Por Fernanda Zandonadi | Conexão Safra

Foto: reprodução/redes sociais-Instagram

O cultivo de café avança em duas regiões de Moçambique, mas enfrenta condições distintas. Na Serra do Parque Nacional da Gorongosa, as lavouras se desenvolvem bem e a produção das famílias locais já deve superar mil sacas. Em Chimanimani, a seca intensa durante o inverno limita a atividade e aumenta a necessidade de investimentos em irrigação.

A avaliação é do professor e engenheiro agrônomo Fábio Partelli, que passou uma semana no país africano e visitou áreas produtoras nas duas regiões. Segundo ele, a viagem permitiu acompanhar os resultados de um projeto de cooperação entre Brasil, Portugal e Moçambique.

Na Gorongosa, as famílias cultivam o café em consórcio com árvores nativas. O modelo concilia a geração de renda com a conservação ambiental e ainda agrega valor ao produto, que carrega a marca do parque nacional.

“A produção das diversas famílias locais já deve estar acima de mil sacas, o que tem melhorado a qualidade de vida daquela população. Além disso, o projeto ajuda a conservar o meio ambiente, pois o café é cultivado em consórcio com árvores nativas”, afirma Partelli.

O cenário é mais desafiador em Chimanimani. A região possui terras férteis e concentra um bom volume de chuvas em determinada época do ano. Durante o inverno, entretanto, enfrenta um período de forte estresse hídrico, condição que Partelli compara à encontrada no Cerrado brasileiro.

“A terra é fértil e chove bem em uma determinada época do ano, mas há o problema da seca, o que exige irrigação. Como muitos produtores não têm recursos financeiros para investir nesses sistemas, vemos muitas lavouras em condições ruins”, relata.

Para o agrônomo, a falta de recursos para instalar estruturas de irrigação representa o principal obstáculo ao avanço da cafeicultura em Chimanimani. Por isso, a região exige investimentos maiores do que a Serra da Gorongosa para consolidar a produção.

Apesar do crescimento das lavouras moçambicanas, Partelli não vê o projeto como uma ameaça aos países que já ocupam espaço no mercado internacional de café.

“Ele não é um concorrente para nós, mas uma iniciativa que ajuda uma população que precisa muito mais do que imaginamos”, conclui.

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