Última atualização: 11/09/2026 às 11:54
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O Centro de Excelência em Cafeicultura oferece curso gratuito em cafeicultura e acaba de formar a primeira turma, com 31 pessoas

Fazenda Bela Vista, de Elói Mendes, no Sul de Minas | Foto: Raissa Pedrosa / O Tempo
VARGINHA – Assim como diversos setores da economia, um dos maiores desafios da cafeicultura é a contratação de mão de obra qualificada. Nesse sentido, uma iniciativa no Sul de Minas tem ajudado a preencher esse que é considerado um dos maiores gargalos do setor. O Centro de Excelência em Cafeicultura, criado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e administrado pelo sistema Faemg/Senar, oferece curso gratuito em cafeicultura e acaba de formar a primeira turma, com 31 pessoas.
Localizado em Varginha, o centro recebeu investimento de R$14 milhões e foi inaugurado em outubro de 2023. O local conta com laboratórios, salas de aula, laboratórios de informática, além de diversos outros espaços dedicados à classificação, torra, moagem e degustação de cafés e cafeteria gourmet.
“A gente vê que a indústria sofre desse mesmo problema (falta de mão de obra), a gente vê que no comércio também está acontecendo o mesmo problema. Então, quando a gente faz qualificação profissional, a gente vai ajudar no processo de ganho de produtividade. Hoje, em vez de se contratar dois funcionários ganhando um salário mínimo, de repente, você vai contratar uma pessoa mais qualificada, ganhando quase dois salários, por exemplo. Porque ela vai ser mais produtiva, na medida em que ela tem conhecimento”, comenta o diretor do CEC, Roberto Barata.
Barata acrescenta que o centro de excelência oferece uma qualificação profissional que pode ser replicada em outras instituições de diferentes setores no estado. “Isso é uma formação que você sai pronto para o mercado de trabalho. Hoje aqui a gente tem, ao longo desses três anos, 481 alunos matriculados no curso técnico em cafeicultura e técnico em agronegócio. Nós fornecemos formação profissional rural em parceria com o escritório regional de Varginha. Nós temos em torno de 600 pessoas que recebem qualificação em cursos de classificação e degustação de cafés especiais, torra, agricultura regenerativa, manejo integrado de pragas e doenças, gerente de fazenda entre outros diversos cursos, a gente faz essa formação”, detalha.
O centro também é espaço para eventos, palestras, feiras e outras iniciativas, como a competição de cafés de produtores atendidos pela Assistência Técnica e Gerencial (ATeG). “Esses produtores entregam a amostra dos seus cafés para saberem o que eles têm na mão, se têm um café ruim, uma bebida rio, riado, ou tem um café bebida dura ou então um café especial”, comenta Barata. Esse tipo de análise serve de norte para as tomadas de decisão dos produtores.
Veja os cursos oferecidos no CEC
- Curso Técnico em Cafeicultura, reconhecido pelo MEC, sendo 80% presencial e 20% a distância;
- Ensino a distância (EaD) da Rede e-Tec, como o Curso Técnico em Agronegócio, em parceria com o Senar Nacional;
- Cursos de graduação tecnológica a distância por meio da Faculdade CNA;
- Pode sediar cursos de Formação Profissional Rural e Promoção Social, além de ações do ATeG e outras atividades por meio de parcerias.
Produtores tentam reter mão de obra
Na Fazenda Bela Vista, em Elói Mendes, no Sul de Minas, a estratégia é oferecer benefícios para reter funcionários. “A mão de obra na região está difícil, mas a gente está tentando criar novos modelos para que segure o bom funcionário na fazenda”, relata o proprietário, Paulo Crabi.
Por lá, a empresa oferece, por exemplo, plano de saúde, plano odontológico, cartão refeição e seguro de vida, além de cerca de 40 casas de colonos para atender aos funcionários.
Mas para suprir a falta de mão de obra, por lá, o uso da tecnologia também é empregado. A fazenda, que nesta safra deve colher mais de 33 mil sacas, conta com processos automáticos para colheita, lavagem e secagem dos grãos, o que reduz a demanda por mão de obra.
Além disso, a fazenda também emprega tecnologia de gotejamento para irrigar a plantação, considerada uma das mais importantes tecnologias da fazenda e que ajuda em períodos de seca. “Nos últimos cinco anos, nós já investimos em torno de 30 milhões para poder entrar nas novas tecnologias”, afirma Crabi.
Emprego no café
Segundo levantamento do Sebrae Minas, com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), em Minas Gerais, as micro e pequenas empresas (MPE) foram responsáveis pelo saldo positivo de 7.590 vagas de emprego no pico da colheita do café. Já as médias e grandes empresas tiveram saldo negativo.