Overdose de café é mesmo possível ou mito? Médicos revelam os limites da bebida e os sinais de perigo do excesso no organismo

Última atualização: 14/09/2026 às 10:58

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Especialistas alertam para os riscos do consumo exagerado da substância no dia a dia e explicam até que ponto a bebida mais popular do país é segura antes de provocar homens ao coração

Por Nathalia Alves | Diário do Litoral

Combinação de bebidas energéticas, suplementos e doses diárias de pretinho, acenda alerta na medicina sobre os limites tolerados pelo organismo e os sintomas de uma intoxicação grave. Reprodução/magnific

O consumo excessivo de cafeína voltou a chamar atenção nos Estados Unidos após a família de uma adolescente de 17 anos entrar com um pedido de indenização contra a distribuidora de um energético popular no país.

O processo, apresentado em abril de 2026, atribui a morte da jovem a uma cardiomegalia, conhecida como “coração grande”, que teria sido relacionada ao “estresse por ingestão de grandes quantidades de cafeína”.

A família afirma que a adolescente consumia a bebida com frequência. O advogado Benny Agosto Jr. declarou que “cafeína era a única coisa que ela tinha no organismo” e criticou os avisos considerados inadequados sobre os possíveis riscos cardíacos associados ao produto.

O caso, no entanto, não significa que bebidas energéticas normalmente provoquem intoxicação. Mortes relacionadas à overdose de cafeína são consideradas incomuns.

Ainda assim, a preocupação ganhou espaço à medida que produtos com a substância se tornaram cada vez mais variados, incluindo energéticos, cápsulas, suplementos e géis.

É possível ter overdose de cafeína?

Sim. O organismo pode sofrer intoxicação quando uma pessoa ingere uma quantidade excessiva de cafeína, seja de uma só vez ou pela combinação de diferentes produtos ao longo do dia.

Inicialmente, o consumo exagerado pode provocar sintomas como tremores, agitação, confusão, aceleração dos batimentos cardíacos e perda de apetite. Em situações mais graves, entretanto, a intoxicação pode desencadear alterações importantes no ritmo cardíaco, convulsões e outras complicações potencialmente fatais.

Além disso, a quantidade capaz de provocar efeitos tóxicos não é igual para todas as pessoas. Idade, peso corporal, tolerância à substância, medicamentos utilizados e condições de saúde podem influenciar a resposta do organismo.

Por isso, crianças e adolescentes, assim como pessoas com determinadas condições cardiovasculares, precisam de atenção especial ao consumir produtos com altas concentrações de cafeína.

Quanto tempo a cafeína permanece no organismo?

Outro ponto importante é que a cafeína não desaparece rapidamente do organismo. A substância possui uma meia-vida que pode chegar a várias horas e varia de acordo com características individuais.

Dessa forma, uma pessoa que consome pequenas quantidades repetidamente pode acumular a substância no organismo antes que a dose anterior seja completamente eliminada.

Por isso, não basta observar apenas a quantidade ingerida em uma única bebida. É necessário considerar todo o consumo de cafeína ao longo do dia, incluindo café, chás, refrigerantes, energéticos, suplementos e medicamentos que contenham a substância.

Caso no País de Gales chamou atenção

Um caso ocorrido no País de Gales também mostrou os riscos associados ao uso de cafeína em pó. Em 2022, um homem de 29 anos morreu após calcular de forma incorreta a quantidade que deveria consumir.

Segundo o relato do caso, ele utilizou uma balança de cozinha para medir a cafeína em pó. A autópsia posteriormente identificou uma concentração elevada da substância no sangue.

O episódio reforça uma preocupação apontada por especialistas: produtos com cafeína altamente concentrada podem facilitar o consumo de doses muito superiores às encontradas em bebidas tradicionais.

Café e energético podem causar intoxicação?

Na maioria das situações, uma xícara de café, uma porção de chá ou uma lata de energético não provoca intoxicação por cafeína em um adulto saudável. No entanto, a quantidade da substância varia bastante entre produtos e marcas.

Uma porção de 350 ml de algumas bebidas pode conter aproximadamente 83 mg de cafeína em refrigerantes, 37 mg em chá verde, 71 mg em chá preto, até 247 mg em café e até 246 mg em determinados energéticos.

Assim, o problema pode surgir quando diferentes fontes são combinadas ou quando a pessoa consome grandes quantidades em um curto período. Além disso, suplementos termogênicos, cápsulas de cafeína, chocolates e alguns medicamentos também podem contribuir para aumentar a ingestão diária.

A Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA) considera que, para a maioria dos adultos saudáveis, até 400 mg de cafeína por dia geralmente não está associado a efeitos negativos. Entretanto, esse valor não deve ser interpretado como uma quantidade segura para todas as pessoas.

Por que o excesso preocupa?

A cafeína estimula o sistema nervoso central e pode aumentar temporariamente a frequência cardíaca e a sensação de alerta. Quando consumida em excesso, porém, essa estimulação pode se tornar prejudicial.

Por isso, diante do aumento da oferta de produtos cafeinados, é importante observar não apenas o tipo de bebida, mas também a concentração da substância e a quantidade total consumida ao longo do dia.

No caso de sintomas intensos após o consumo de cafeína, especialmente palpitações importantes, confusão, convulsões ou alterações no estado de consciência, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente.

Assim, embora casos fatais sejam raros, a overdose de cafeína existe e pode representar uma emergência médica. O risco aumenta principalmente quando a substância aparece em produtos concentrados ou quando diferentes fontes são consumidas simultaneamente.

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