Última atualização: 17/09/2026 às 15:29
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Acumulado de cerca de 290 milímetros em 15 dias superou o recorde histórico de 1923. Especialistas explicam como o monitoramento passou do papel para sistemas online em tempo real.
Por Bianca Rosa, EPTV e g1 Campinas e Região
A região de Campinas (SP) registrou, na primeira quinzena de 2026, o mês de setembro mais chuvoso desde o início das medições meteorológicas, no final do século XIX.
O volume de água chegou a cerca de 290 milímetros em apenas 15 dias, marca que causou estragos e transtornos em cidades como Monte Mor, Sumaré e Campinas.
➡ Os dados que confirmam o recorde atual foram registrados pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC), que realiza as medições na cidade desde 1890.
“Isso é uma coisa inédita. Então, alguns anos que a gente teve, acima de 150, 200 milímetros, foi calculado no mês todo. E agora a gente teve tudo isso em apenas 15 dias”, disse Angélica Pantano, pesquisadora do IAC.
O recorde histórico anterior havia sido registrado em 1923, quando choveu 257 milímetros durante todo o mês de setembro.

Documento histórico de 1949 do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) mostra anotações manuais com o registro do acumulado de chuva e temperatura no município — Foto: Reprodução/EPTV
Segundo o Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Unicamp, a situação ainda exige alerta, pois há previsão de chuvas intensas e contínuas para a próxima semana, o que favorece impactos devido ao solo encharcado e aos rios cheios.
Ainda de acordo com o centro, o volume atípico de precipitações pode estar associado a uma combinação de fatores, como mudanças climáticas e o fenômeno El Niño.

Pluviógrafo utiliza sistema mecânico com pena e tinta especial para registrar o volume e a variação da chuva em uma folha de papel — Foto: Reprodução/EPTV
Ao longo de mais de um século, a tecnologia utilizada para registrar a quantidade de chuva passou por grandes transformações para garantir a precisão dos dados.
Veja como as medições eram feitas no passado e como funcionam atualmente:
- 💧 Pluviômetro manual: Antigamente, o equipamento apenas armazenava a água. O observador precisava ir ao local várias vezes ao dia para checar e anotar o volume, evitando que o aparelho transbordasse e perdesse a medição exata.
- 📝 Pluviógrafo: O aparelho seguinte passou a registrar o acumulado de forma mecânica em uma folha de papel. O papel era recolhido semanalmente para o cálculo.
- 🖥️ Estação automática: Hoje, o monitoramento dispensa a presença humana constante. O pluviômetro atual registra a chuva e envia os dados diretamente para computadores via modem. As atualizações chegam a ocorrer a cada 10 ou 20 minutos, permitindo avaliações online e em tempo real.

Estação meteorológica automática do IAC, em Campinas, registra a quantidade de chuva e envia os dados para computadores em tempo real — Foto: Reprodução/EPTV