Última atualização: 18/09/2026 às 09:31
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Produtores contabilizam prejuízos após temporal; em Três Corações, lavoura teve danos em 30% da área cultivada e recuperação pode levar anos.
Por EPTV 2 | g1
A chuva de granizo que atingiu o Sul de Minas acendeu um alerta para a cafeicultura da região. Além dos prejuízos imediatos, os danos provocados pelo temporal podem comprometer a produção das próximas safras de café.
Em Três Corações, 30% dos 50 hectares de café da fazenda do cafeicultor Sérgio Nabak foram atingidos pela tempestade. Parte das folhas caiu e as que permaneceram na planta sofreram danos.
“Tristeza, né? Porque é café que a gente esqueletou, é trabalho que a gente vinha de ano, e você vê que vai tudo água abaixo. A gente fica triste”, disse o cafeicultor.
Imagens registradas após o temporal mostram pedras de gelo espalhadas pela lavoura. Depois da tempestade, os produtores agora enfrentam os prejuízos e o desafio de recuperar as áreas afetadas.
“A gente vai ter que entrar esqueletando a lavoura e vamos gastar os mesmos tratos culturais e mais mão de obra para estar desbrotando, para a gente colher só no 2028. Esse ano, 2027, 26, 27, não tem nada, sai para zero. Eu não sei o que eu vou gastar ainda, tenho que fazer as contas, mas é só o prejuízo agora para frente”, afirmou Sérgio Nabak.

Chuva de granizo no Sul de Minas pode comprometer produção de café até 2028, alertam especialistas — Foto: Reprodução EPTV
A florada do café, etapa que marca o início da definição produtiva da safra, ocorre entre setembro e outubro, podendo se estender até novembro. Esse é um dos ciclos mais importantes da cultura, responsável pela formação dos frutos.
Segundo o engenheiro agrônomo da Procafé, Guilherme Gaudêncio, os impactos do granizo variam conforme a intensidade da chuva. Nas áreas menos atingidas, medidas curativas podem reduzir os prejuízos.
“Nas áreas que foram menos atingidas, com chuvas mais leves, a gente consegue com medidas curativas diminuir essas perdas. Então a gente faz um fungicida, um cobre, um efeito curativo ali e vai tendo atenção com o desenvolvimento da lavoura. Entra com o nutricional também para ajudar o desenvolvimento”, explicou.
Já nas áreas que sofreram os maiores impactos, os danos podem comprometer a produção por vários anos.
“Nas áreas que foram mais atingidas, que foram chuvas mais severas, a gente tem um dano muito maior porque perde muitas folhas, muitos ramos, além das flores. A planta fica muito depauperada e aí ela perde a fonte de energia que ela tinha para se projetar para os próximos anos. Por isso que a gente fala que a chuva de pedra não atinge só essa safra ou a safra seguinte, ela chega a atingir até dois ou três anos da sua lavoura”, disse Guilherme Gaudêncio.

Chuva de granizo no Sul de Minas pode comprometer produção de café até 2028, alertam especialistas — Foto: Reprodução EPTV
Os produtores prejudicados pelas fortes chuvas podem buscar apoio junto ao poder público e também negociar com instituições financeiras responsáveis por operações de crédito rural.
De acordo com o advogado especializado em Direito no Agronegócio, Vinicius Barquette, o primeiro passo é documentar tecnicamente os prejuízos causados à lavoura.
“O primeiro passo nas duas situações é documentar tecnicamente o prejuízo que aconteceu com a lavoura. Um laudo através de um agrônomo demonstrando os efeitos para essa safra e para as próximas safras, se houver, é o mais importante”, afirmou.
Segundo ele, o documento é fundamental tanto para o acionamento de seguros quanto para a renegociação de dívidas com instituições financeiras, cooperativas e empresas do setor.
“No caso do seguro, esse laudo vai ser utilizado para acionar a seguradora e pedir, de fato, a indenização. E no caso de não haver seguro, esse produtor provavelmente tem contrato de custeio de algum tipo de empréstimo com instituição financeira ou contratos privados com tradings e cooperativas. Então, esse laudo vai ser o documento utilizado para acionar a instituição financeira e pedir o alongamento dessa dívida”, explicou.
Apesar dos prejuízos, Sérgio Nabak afirma que não pretende desistir da atividade e já se prepara para iniciar a recuperação da lavoura.
“Tem que estar. A gente que é batalhador mesmo, a gente da roça, porque está no sangue. Senão, a gente tinha largado mão. A vontade é vender e ficar na cidade, mas a gente, porque está no sangue, vem de família e a gente é persistente”, completou o cafeicultor.