Última atualização: 19/09/2026 às 21:41
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CAFÉ: A FORÇA DE UM COLETIVO

O café voltou a ocupar um espaço que faz parte da sua história.
Durante a Campinas Innovation Week, o Prédio do Relógio recebeu uma ocupação inteiramente dedicada ao café. Realizado pela Prefeitura Municipal de Campinas e executado pela Associação Comercial e Industrial de Campinas, o evento aconteceu entre os dias 14 e 18 de setembro de 2026.
O local, que abrigou as antigas oficinas ferroviárias da Companhia Mogiana, carrega uma relação histórica com a atividade cafeeira. Pelos trilhos da Mogiana circularam pessoas, riquezas e grande parte do café que contribuiu para transformar Campinas e impulsionar o desenvolvimento do estado de São Paulo.
Uma ocupação coletiva
Foi nesse espaço simbólico que o COLETIVO CAMPINAS CAFÉ realizou sua primeira grande ocupação pública. A iniciativa reuniu o Campinas e Região Convention & Visitors Bureau, o Instituto Agronômico, a Rede Social do Café, a Confraria Solo Sagrado, a Baristando e o Campinas Coffee Festival.
Mais do que apresentar as instituições e organizações, o objetivo foi colocar à prova a capacidade de mobilização do ecossistema cafeeiro regional.
Durante a ocupação, o espaço recebeu pesquisadores, produtores, baristas, proprietários de cafeterias, empresas, profissionais do setor e pessoas interessadas em conhecer mais sobre o café. Algumas participaram da programação, outras enviaram cafés, equipamentos e produtos. Muitas chegaram para uma visita e acabaram entrando no balcão para preparar e servir café.
Como pano de fundo de toda a ocupação e da articulação coletiva, a operação permanente foi garantida pela Baristando, com o apoio da Confraria Solo Sagrado, de baristas e de voluntários que se revezaram durante o evento.
Ao todo, foram servidos cerca de 7 mil cafés. Em torno deles, surgiram encontros, novas conexões, ideias, oportunidades de parceria e possibilidades de projetos. O resultado foi a demonstração prática de uma rede diversa, ativa e disposta a trabalhar coletivamente.

Café, experiências e inovação
Além do atendimento permanente ao público, o espaço recebeu diferentes ativações ao longo da semana.
Ali El-Khatib, do Campinas Coffee Festival, apresentou o café árabe e seus elementos culturais. Lucas Logan, da Blue Café, levou bebidas produzidas com café verde e cáscara. Gerson Giomo, pesquisador do Instituto Agronômico, apresentou cafés exóticos desenvolvidos pelo IAC.
Diego dos Santos, da Fazenda Três Pedras, preparou o café campeão paulista de 2025 na categoria Arábica Fermentado. Vinícius Colacioppo, da SIM!, apresentou uma coffee dry stout sem álcool. Lucas Logan também realizou uma torra ao vivo com o torrador Kaleido.
A programação foi encerrada com uma experiência de café e chocolate conduzida por Cid Manicardi, do Café Flor da Lua, e Eliane Nascimento, da Cacau Craveiro.

As atividades mostraram diferentes possibilidades de preparo, transformação, pesquisa e inovação. Mais do que degustações, foram oportunidades de aproximação entre profissionais, instituições e o público.
Um olhar para 2027
No dia 18 de setembro, a plenária “Ativação do Ecossistema Cafeeiro: Campinas entre o passado, o presente e o futuro” reuniu Guilherme Campos, do Ministério da Agricultura e Pecuária; Fernando Vernier, do Campinas e Região Convention & Visitors Bureau; Sérgio Parreiras Pereira, do Instituto Agronômico; Cid Manicardi, do Café Flor da Lua; e Fernando Santana, da Baristando.

O principal assunto foi o início da mobilização para as comemorações dos 300 anos da introdução do café no Brasil e dos 140 anos do Instituto Agronômico, que serão celebrados em 2027.
Também foram discutidas possibilidades relacionadas à valorização da história cafeeira de Campinas e da região, ao turismo do café, à integração entre pesquisa, produção, cafeterias e mercado, além da construção de possíveis projetos com instituições como Embratur, Sebrae, Senac e Sesc.
A participação no Campinas Innovation Week foi, portanto, mais do que a presença de um estande. Foi uma primeira experiência concreta de mobilização, capaz de reunir diferentes pessoas e instituições em torno de uma identidade comum.
A ocupação relembrou o café como semente da inovação em Campinas e em São Paulo. Esse legado está na criação do Instituto Agronômico por Dom Pedro II, em 1887, e nos trilhos da Mogiana, que ajudaram a impulsionar o desenvolvimento regional e a construir as bases da Campinas de hoje, uma das cidades mais inovadoras do Brasil.
Na Campinas Innovation Week, o café reocupou esse território histórico e mostrou que sua força continua presente. Uma força que não está apenas em cada instituição, organização, empresa ou profissional. Está no coletivo. O COLETIVO CAMPINAS CAFÉ.

Por Sérgio Parreiras Pereira
Pesquisador científico do Instituto Agronômico (IAC) e articulador da Rede Social do Café.