Última atualização: 20/09/2026 às 11:21
![]()
Por Henrique Cesarett | O Povo

Foto: kaboompics/Pixabay
O cafezinho de todo dia pode ter um efeito que vai muito além de espantar o sono. Em entrevista à National Geographic publicada nesta semana, ela descreveu como certas bactérias metabolizam compostos do café e, com isso, ajudam a manter esse órgão em equilíbrio.
Polifenóis e substâncias fenólicas presentes na bebida chegam quase inteiros ao cólon, onde microrganismos residentes os transformam em moléculas que acalmam o sistema imunológico e reforçam a barreira protetora dessa região do corpo.
O que a ciência encontrou sobre a bebida
Um estudo publicado na revista Nature Microbiology em 2024 é considerado o levantamento mais amplo já feito sobre a relação entre café e microbiota. A análise, com mais de 20 mil participantes, apontou a bactéria Lawsonibacter asaccharolyticus como a principal favorecida pelo hábito de tomar café.
Os resultados indicaram que a bebida estimula o crescimento desse microrganismo em 3,5 vezes. O efeito se manteve mesmo entre quem bebe a versão descafeinada, o que afasta a cafeína como responsável direta pelo fenômeno. E aponta para outros compostos da bebida como os verdadeiros agentes por trás do benefício.
Alimentação como ferramenta de tratamento
A expectativa é que, no futuro, ajustes na dieta sirvam como forma de tratamento para essas condições inflamatórias crônicas.
Alimentos ultraprocessados produzem o efeito inverso ao do café: reduzem a diversidade dos microrganismos que vivem no organismo. Pacientes com doenças inflamatórias costumam manter uma alimentação de qualidade inferior mesmo sabendo do diagnóstico, o que agrava ainda mais o desequilíbrio já causado pela própria doença.
A composição bacteriana de cada pessoa funciona como uma impressão digital, exclusiva e impossível de replicar. Entender esse perfil individual é o que deve orientar, nos próximos anos, estratégias alimentares pensadas sob medida para cada organismo — e não fórmulas genéricas aplicadas a todo mundo.