Última atualização: 20/09/2026 às 11:38
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Indicador do café arábica do Cepea completa 30 anos de acompanhamento do mercado, enquanto o robusta se aproxima de 25 anos de série histórica

Foto: divulgação
Neste mês de setembro, o Indicador Cepea/Esalq do café arábica completa 30 anos de divulgação ininterrupta. E, em novembro, o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, também comemora os 25 anos do Indicador Cepea/Esalq do café robusta (ou conillon).
Isso significa que, há 30 anos, o Centro de Pesquisas disponibiliza para a sociedade dados referentes ao mercado cafeeiro brasileiro. Essas informações, elaboradas com métodos cientificamente recomendados, são utilizadas pelo setor nacional para tomada de decisões.
O Cepea acompanha os preços do arábica do tipo 6, bebida dura, do tipo 7, bebida rio, e do arábica 600/800 defeitos. Para o robusta, o levantamento de mercado é feito para o tipo 6, peneira 13, e para o tipo 7/8, bica corrida. Além disso, são acompanhados os valores FOB do café arábica, Rio Minas, tipo 7.
Todos os dias, a equipe do Cepea consulta agentes de mercado do café arábica (cooperativas, corretores, torrefadores e exportadores) das praças do Cerrado Mineiro, Sul de Minas Gerais, Zona da Mata (MG), Garça (SP), Mogiana (SP), porto de Santos (SP) e no Noroeste do Paraná. Quanto ao robusta, informações são levantadas nos estados do Espírito Santo e de Rondônia.
Mercado – A colheita de arábica da temporada 2026/27 está praticamente encerrada, e a estimativa é de produção recorde, segundo a Conab. No entanto, verifica-se um cenário mais desafiador quanto à qualidade desta safra. Segundo pesquisadores do Cepea, as chuvas durante a colheita, em junho e julho, atrapalharam a secagem dos grãos nos terreiros e afetaram parte dos lotes de café arábica em Minas Gerais e em São Paulo, sobretudo os que caíram ou estavam no chão no momento das precipitações, justamente os mais vulneráveis à umidade. Colaboradores consultados pelo Cepea indicam percentual elevado de lotes com a bebida prejudicada e peneiras aquém do padrão, o que deve exigir acompanhamento redobrado da qualidade das exportações ao longo da temporada.
No geral, o produtor brasileiro segue mais capitalizado nesta safra e tem comercializado o café de forma mais cadenciada, sem a pressão por caixa observada em temporadas anteriores. Pesquisadores do Cepea relatam que o ritmo mais lento da colheita também contribuiu para esse comportamento: além das chuvas de junho e julho, que dificultaram os trabalhos justamente no período de maior volume a ser colhido, a forma de recolhimento dos grãos que ficaram no chão tornou o processo mais moroso, represando parte do café beneficiado e pronto para exportação até que, em agosto, esse volume passou a ser escoado com mais intensidade.
Por outro lado, o clima mais úmido neste início de setembro está favorável ao desenvolvimento da nova temporada de café (2027/28) em diversas regiões brasileiras, embora o cenário varie conforme a localidade.
Pesquisadores do Cepea indicam que, nos próximos meses, as condições climáticas, sobretudo as relacionadas ao El Niño, devem ditar boa parte do comportamento dos preços. De certa forma, o mercado global segue muito dependente da produção brasileira, que, na próxima safra, deve ser de bienalidade baixa. Segundo pesquisadores do Cepea, apesar da boa entrada de lavouras renovadas em produção, é significativa a parcela de lavouras que carregaram volume elevado de café na safra 2026/27, o que pode tornar relevante a proporção de talhões conduzidos à safra zero na temporada seguinte. Somando-se a isso, a produção volumosa, mas com elevado índice de cafés com a bebida prejudicada na safra 2026/27, pode manter a oferta de café mais restrita, limitando o espaço para pressões baixistas mais intensas sobre os preços.
Neste mês, o Indicador do café arábica opera por volta dos R$ 1.600/saca de 60 kg e o do robusta, dos R$ 990/sc. Estes patamares estão abaixo dos registrados no ano passado, quando, vale lembrar, os valores atingiram as máximas históricas de suas respectivas séries – o arábica chegou a ser negociado a R$ 2.700/sc.