Última atualização: 21/09/2026 às 15:30
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Técnica é utilizada em apenas 6% da área de café do Sul de Minas, e cooperativa oferece orientação para implantação dos sistemas.

Investimento em irrigação pode amenizar impacto do El Niño na produção de café. Crédito reprodução EPTV
O clima se tornou uma das principais variáveis no planejamento da produção agrícola. Para quem trabalha com café, períodos de estiagem, chuvas irregulares, temperaturas elevadas e eventos extremos podem afetar diretamente o desenvolvimento das lavouras e aumentar os desafios durante o ciclo produtivo.
Para enfrentar tais transformações e reduzir o impacto na lavoura, os produtores começaram a estudar estratégias que redobra a necessidade de planejamento e dá especial atenção à investimentos na implantação de um sistema de irrigação.
Atualmente apenas 6% da área produtora de café no Sul de Minas Gerais é irrigada. Para ampliar o acesso, a Cooxupé (Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé), maior cooperativa de café do mundo, oferece orientação técnica aos produtores desde o planejamento até a implantação dos sistemas.
“O produtor quando ele consegue implantar, ele consegue ter produtividade quando os outros não têm. Então isso acaba com que ele consiga vender essa safra dele num preço melhor, fazendo com que o investimento se pague mais rápido.”, explica Éder de Oliveira, técnico agrícola da Cooxupé

Investimento em irrigação pode amenizar impacto do El Niño na produção de café. Crédito reprodução EPTV
Mudanças climáticas
Nos últimos anos, o Brasil passou por diferentes episódios de extremos climáticos. Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o ano de 2025 foi marcado por uma ampla variedade de desastres hidrometeorológicos, com destaque para estiagens, chuvas intensas e ondas de calor.
O órgão aponta que esses eventos foram influenciados por padrões climáticos extremos associados ao aquecimento global e à variabilidade natural do clima e para 2026, o cenário também exige atenção.
Uma nota técnica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) aponta que os impactos do El Niño sobre as chuvas no Sudeste são mais variáveis do que em outras regiões do país. O fenômeno pode favorecer períodos de chuva acima da média em áreas de São Paulo e Minas Gerais, mas também pode provocar episódios de estiagem e veranicos, dependendo da combinação com outros sistemas atmosféricos.
Estratégias dos produtores
É nesse contexto que a irrigação aparece como uma das alternativas avaliadas pelos produtores para reduzir a dependência da regularidade das chuvas. Em Monte Santo de Minas, o cafeicultor Amarildo José de Araújo decidiu investir na tecnologia e passou a utilizar o sistema como parte do planejamento da propriedade.
“A irrigação foi uma consequência. A gente veio de anos, 2014 e 2015, que já foi bastante difícil. Até então, não tinha ouvido falar de irrigação. E 2020 repetiu. 2021 foi muita seca na nossa região. Essas lavouras mesmo, aqui nossas, você pode ver o estado do solo nosso, um pouco arenoso, sentiram mais ainda. E foi uma necessidade mesmo a irrigação”, conta o produtor.
Mas o produtor ressalta que o sistema de irrigação não funciona sozinho, ele exige atenção contínua tanto de manutenção dos equipamentos, quanto de compreensão da planta e do sistema.
“Ou você faz bem feito ou você não faz. Não tem um meio-termo. E com o passar do tempo, você vai adquirindo experiência. A planta te mostra quando que você precisa irrigar”, reforça Araújo

Investimento em irrigação pode amenizar impacto do El Niño na produção de café. Crédito reprodução EPTV
Sistema personalizado
A instalação, no entanto, não significa simplesmente levar água até as plantas. Antes de definir o sistema, é necessário avaliar as características da propriedade e as necessidades específicas da lavoura.
Segundo o supervisor de projetos de irrigação e energia renovável Josimar Torres Luiz, esse planejamento é uma etapa fundamental para determinar qual solução pode ser utilizada em cada situação.
Ele explica que o primeiro passo é o produtor entender a própria lavoura, como ela está e se é apta à irrigação. Em seguida, deve observar se na propriedade possui água suficiente e qual a qualidade dela.
“De posse de todas essas informações básicas, o pessoal já faz um projeto preliminar, avalia esse projeto e passa pro produtor, onde o produtor vai buscar outorga pra ver se ele tem capacidade outorgável ou não, e depois ele implanta o sistema”, diz

Investimento em irrigação pode amenizar impacto do El Niño na produção de café. Crédito reprodução EPTV
Planejamento e uso eficiente da água
Em um cenário de mudanças climáticas, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima destaca que eventos extremos, como secas e chuvas intensas, já afetam diferentes regiões brasileiras e que a adaptação aos impactos climáticos é uma das frentes necessárias para enfrentar esse cenário.
Para o produtor de café, isso significa considerar não apenas a instalação do equipamento, mas também o acompanhamento da lavoura e o manejo adequado do sistema.
“Os problemas climáticos que a gente enfrenta, eu costumo dizer que a seca é democrática, porque ela afeta todo mundo. O produtor quando ele consegue implantar, ele consegue ter produtividade quando os outros não têm”, explica Éder de Oliveira.
Entre os resultados esperados de um sistema planejado estão maior segurança durante períodos de estiagem, uso mais eficiente da água e possibilidade de ganhos de produtividade e rentabilidade. A tecnologia, porém, não elimina a influência do clima sobre a produção.
O próprio Inpe ressalta que a resposta do Sudeste ao El Niño varia de acordo com a interação do fenômeno com outros sistemas atmosféricos. Por isso, o acompanhamento das condições climáticas e o planejamento da produção permanecem importantes para a tomada de decisões no campo.
Desta forma, o planejamento se torna essencial, um projeto de irrigação de lavoura é sempre pensado com muitos meses de antecedência para ser realmente efetivo.
“No mínimo uns três, quatro meses pra ele poder implantar isso. Depende de produtos que são exportados, os tubos gotejadores não são produzidos no Brasil, então isso é uma coisa que o produtor tem que ficar atento”, finaliza o técnico agrícola da Cooxupé.
Serviço
Acesse o site: www.cooxupe.com.br
Conheça os cafés Cooxupé: www.cafescooxupe.com.br
Instagram: @cooperativacooxupe