Última atualização: 23/09/2026 às 11:56
![]()
Arábica e conilon apresentaram notas acima de 83 pontos na 10ª Festa do Café de Alto Jatibocas
Por Kátia Quedevez e Fernanda Zandonadi | Conexão Safra

Foto: Ruan Klen
Os cafés de Itarana alcançaram notas de 83 a 87,5 pontos no 5º Concurso Café de Qualidade do município, realizado durante a 10ª Festa do Café de Alto Jatibocas, entre 17 e 20 de setembro. Rodolpho Carlos Boone Jastrow venceu na categoria arábica, enquanto João Henrique Kopp conquistou o primeiro lugar entre os produtores de conilon.
O arábica de Jastrow, produzido no Córrego Limoeiro de Santo Antônio, recebeu 87,50 pontos. Os avaliadores identificaram na bebida notas de mel, rapadura, mamão, laranja, maracujá e flor de rosas, entre outros aromas e sabores.
Já o conilon de Kopp, do Córrego Alto Santa Joana, obteve 86,55 pontos. A avaliação apontou notas de caramelo, chocolate, melaço, mamão e pêssego. As duas categorias reuniram amostras com perfis sensoriais variados, segundo o coordenador de cafeicultura do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), Fabiano Tristão.
“Estou muito feliz e surpreso com o que vi aqui no concurso de Itarana. Encontramos cafés acima de 83 pontos, chegando a 87,5, com uma diversidade de aromas e sabores tanto no arábica quanto no conilon”, afirmou Tristão.

Tristão afirmou que ficou muito feliz ao ver a qualidade dos cafés apresentados no concurso (Foto: Kátia Quedevez/Conexão Safra)
Para o coordenador, os resultados refletem os cuidados dos produtores com o manejo das lavouras, a colheita e o pós-colheita. Ele também associa esse trabalho ao desempenho dos cafés de Itarana em outras competições.
“É sinal de que o agricultor de Itarana está fazendo o dever de casa na colheita, no manejo e no pós-colheita. É por isso que Itarana tem se posicionado bem nos concursos estaduais e nacionais, com um café de excelência”, disse.
Tristão destacou ainda as condições de Alto Jatibocas para a produção de cafés especiais. Segundo ele, as lavouras da região ficam em altitudes de 500 a 1.000 metros, e os agricultores incorporaram técnicas para melhorar a qualidade dos grãos.
“Aqui há um terroir fantástico e uma altitude muito propícia para produzir cafés especiais. O agricultor comprou essa ideia, esse saber fazer, essa tecnologia e essa inovação. Então, tem tudo para dar certo”, afirmou.
Na categoria conilon, Paulo Kopp ficou em segundo lugar, com 85,70 pontos, seguido por Nathan Timm Herzog, com 85,50. Entre os arábicas, Tales da Silva Loss alcançou a segunda posição, com 86,10 pontos, e Gilson Braun ficou em terceiro, com 85,60.
Confira os vencedores:
| Posição | Conilon | Pontos | Arábica | Pontos |
|---|---|---|---|---|
| 1º | João Henrique Kopp | 86,55 | Rodolpho Carlos Boone Jastrow | 87,50 |
| 2º | Paulo Kopp | 85,70 | Tales da Silva Loss | 86,10 |
| 3º | Nathan Timm Herzog | 85,50 | Gilson Braun | 85,60 |
| 4º | Ismael Grunewald | 84,81 | Sandra Krause Kopp Ponath | 85,40 |
| 5º | Gesilane Kluch Possimoser | 84,80 | Beldina Jastrow Arnholz | 85,00 |
| 6º | Benidio Blanck | 84,70 | Júlio César Sering | 84,70 |
| 7º | Terezinha Schroder Schultz | 84,10 | Rodrigo Schultz | 84,60 |
| 8º | Willian Grunewald | 83,90 | Lucineia Binow Schaffelen | 84,50 |
| 9º | Romário Kopp | 83,55 | Fábio Sering | 84,40 |
| 10º | Regina Windler Brandemburg | 83,40 | Waldemiro Dettmann | 83,00 |
ATeG premiada

Produtores assistidos pela ATeG do Senar ficaram nos primeiros lugares (Foto: Ruan Klen)
Quatro produtores assistidos pela Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) ficaram entre os premiados no Concurso de Qualidade do Café de Itarana.
Na categoria arábica, Tales da Silva Loss conquistou o segundo lugar, enquanto Gilson Braun ficou em terceiro. Já João Henrique Kopp conquistou o primeiro lugar em conilon e Nathan Timm Herzog alcançou a terceira colocação na categoria.
Para a presidente do Sindicato Rural de Itarana, que também atende Laranja da Terra, Daniele Becalli Covre, as colocações representam o reconhecimento do trabalho de assistência prestado aos agricultores.
“É uma satisfação ver o reconhecimento do trabalho que o Senar vem fazendo junto aos produtores rurais. A ATeG atende às necessidades deles e oferece ferramentas de gestão. Quando os produtores aplicam esse conhecimento na propriedade, o resultado aparece. Foi o que aconteceu na 10ª Festa do Café, quando três assistidos ficaram entre os ganhadores”, afirmou Daniele.
Premiação e leilão valorizam cafés vencedores
Além do reconhecimento pela qualidade dos cafés, os produtores vencedores também tiveram retorno financeiro.
O campeão da categoria arábica faturou R$ 15.600, somando o valor recebido na premiação e no leilão.
Já o primeiro colocado na categoria Conilon alcançou R$ 10.850, considerando as duas etapas.
Os resultados foram anunciados durante o 5º Concurso de Cafés Especiais de Itarana, realizado durante a programação da 10ª Festa do Café de Itarana, reforçando a valorização dos cafés de qualidade e do trabalho dos produtores do município.
Festa de 2027 já tem data marcada
A organização da Festa do Café de Alto Jatibocas anunciou que a 11ª edição ocorrerá de 16 a 19 de setembro de 2027, em Itarana. No mesmo período, o município realizará o 6º Concurso de Qualidade do Café.
Segundo Wagner Herzog, vice-presidente da Associação Pomerana de Alto Jatibocas, que organiza o evento, a festa cresce a cada ano.
“A evolução da festa é reconhecida. É sempre uma alegria celebrar com as famílias pomeranas da região e receber visitantes de outros municípios”, afirmou.
Nota da editora
Foi bom. Mas poderia ser melhor.
É impossível passar por um concurso como o de Itarana sem reconhecer a qualidade dos cafés apresentados.
Foram pontuações altíssimas, lotes excepcionais e muito trabalho por trás de cada amostra. Trabalho de um ano inteiro, de quem cuida da lavoura, colhe, seleciona, beneficia e se preocupa em entregar um café cada vez melhor.
O concurso mostrou que Itarana tem café de qualidade. E café de qualidade precisa encontrar mercado disposto a pagar por ela.
Senti falta de mais compradores acompanhando de perto esses cafés e participando dos leilões.
Quanto maior a presença do mercado, maior também a possibilidade de disputa pelos melhores lotes e de uma remuneração mais justa para o produtor.
Não basta reconhecer a qualidade com uma premiação. É preciso que essa qualidade apareça também no preço pago pelo café.
Os produtores fizeram a parte deles. Entregaram cafés excepcionais, com pontuações que chamam a atenção.
Agora, fica uma provocação ao mercado: se queremos mais qualidade, precisamos estar dispostos a pagar por ela.
Porque produzir um café desse nível custa tempo, trabalho, conhecimento e dinheiro. E isso precisa ser reconhecido também na hora de negociar.