Última atualização: 23/09/2026 às 21:13
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Entre 2021 e 2025, a cobertura florestal encolheu no Espírito Santo; lavouras de café cresceram 128% até 2024
Por Débora Machado | Folha Vitória

Foto: Rafa Neddermeyer/ Agência Brasil
A área de floresta no Espírito Santo encolheu 7% entre 2021 e 2025, segundo levantamento citado pelo MapBiomas. O dado chama a atenção também para as áreas em regeneração: no Brasil, 60% do desmatamento registrado entre 2021 e 2024 ocorreu em locais que estavam em processo de recuperação da vegetação.
No Espírito Santo, a área destinada à cafeicultura cresceu 128% entre 2021 e 2024, passando de 77,9 mil hectares para 177,8 mil hectares. A silvicultura, atividade de cultivo de árvores para comercialização, também apresentou crescimento de 192% no período.
O levantamento aponta ainda que a área urbanizada teve expansão de 130%. Segundo a coordenadora técnica da Mata Atlântica do MapBiomas, Natália Crusco, áreas que já tinham ocupação histórica passam a ser usadas pela agricultura.
Recuperação pode levar milhares de anos
Um exemplo dessa exploração é um caso registrado na última semana, que ocorreu em Santa Teresa, na região Serrana do Espírito Santo. A Justiça decretou a prisão preventiva de um empresário investigado por desmatar cerca de 1,9 mil metros quadrados de Mata Atlântica em estágio médio de regeneração.
Segundo o Ministério Público do Espírito Santo, o investigado responde a 15 ações penais por crimes ambientais. O nome dele não foi divulgado.
Para uma área desmatada de Mata Atlântica começar a se recuperar, são necessários pelo menos dez anos, mas muitas não chegam a se consolidar antes de sofrerem nova ação humana.
Segundo o doutorando em Biologia Vegetal pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), João Pedro Zanardo, o tempo de recuperação varia conforme as características da vegetação. “A restauração de um ambiente às condições anteriores pode levar milhares de anos”, afirmou.
Para evitar novos impactos sobre essas áreas, o pesquisador destaca a importância da fiscalização e da conscientização:
O primeiro passo é a fiscalização para impedir que práticas criminosas atinjam essas áreas, sejam elas naturais ou em regeneração, mas vai também da consciência das pessoas em entender que a floresta conservada em pé vale mais do que degradadaJoão Pedro Zanardo, doutorando em Biologia Vegetal pela Ufes
*Texto sob a supervisão da editora Erika Santos, com informações do repórter Lucas Pisa, da TV Vitória/Record