Nova geração do café aprende a gerir antes de suceder

Última atualização: 23/09/2026 às 21:11

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Projeto de Cooxupé e JDE Peet’s pretende preparar 700 jovens em cinco anos para gestão, liderança e continuidade dos negócios familiares

Herdar uma lavoura não significa estar preparado para administrá-la. Antes que uma nova geração assuma definitivamente uma propriedade cafeeira, há decisões sobre custos, investimentos, tecnologia, mercado e manejo que precisam começar a ser compartilhadas. Em um campo no qual cresce a participação de trabalhadores mais velhos, preparar quem dará continuidade aos negócios familiares torna-se parte do planejamento da própria atividade.

Essa transição é especialmente relevante entre pequenos produtores. Na Cooxupé, minis e pequenos cafeicultores representam 97,6% dos cooperados. É nesse universo que a cooperativa e a JDE Peet’s iniciaram um programa que pretende capacitar 700 jovens produtores ao longo de cinco anos, aproximando sucessão familiar de gestão, liderança, sustentabilidade e inovação.

Jovens participam do programa: sucessão

Batizado de Gerações do Café: Semeando um Futuro Sustentável, o projeto atende produtores de 18 a 35 anos participantes do protocolo de sustentabilidade Gerações, da Cooxupé. A programação inclui planejamento financeiro, cooperativismo, agricultura regenerativa, contato com especialistas e participação em encontros do setor.

A proposta responde a uma transformação demográfica mais ampla. Dados da PNAD Contínua, do IBGE, citados no material apontam redução da participação dos trabalhadores mais jovens e aumento daqueles com 55 anos ou mais na agropecuária nos últimos anos. Na cafeicultura familiar, a mudança coloca em discussão não apenas quem permanecerá na atividade, mas como será preparado para assumir responsabilidades.

Para Carlos Augusto Rodrigues de Melo, presidente da Cooxupé, envolver os jovens nas decisões permite que conheçam melhor a gestão e encontrem perspectivas profissionais na atividade. Segundo ele, a sucessão também preserva conhecimentos construídos pelas famílias ao longo das gerações.

A primeira turma começou a jornada nos dias 22 e 23 de setembro, em Guaxupé (MG), com 70 cooperados. O ciclo terá duração de um ano, com novos momentos de capacitação e intercâmbio. O encontro inicial abordou exigências de mercado, agricultura regenerativa e gestão de propriedades rurais.

A experiência de participantes ajuda a mostrar como a sucessão pode acontecer gradualmente. André Oliveira Oms, de 36 anos, de Tapiratiba (SP), pertence a uma família ligada à cafeicultura desde os avós. Os pais ainda conduzem a propriedade, enquanto ele participa do controle de informações, compra de insumos e manutenção de máquinas e equipamentos.

Outro participante, Mateus de Freitas Carvalho, de 26 anos, de Conceição da Aparecida (MG), destacou o acesso a conhecimentos sobre empreendedorismo, agricultura regenerativa e mercados externos como oportunidade de compartilhar informações com outros produtores.

A parceria também busca ampliar a adoção de práticas regenerativas. O projeto integra o Common Grounds, programa global de sustentabilidade da JDE Peet’s, enquanto os participantes fazem parte do protocolo Gerações, criado pela Cooxupé em 2022.

A sucessão, portanto, não acontece apenas no momento em que pais entregam a propriedade aos filhos. Ela pode começar anos antes, quando a nova geração passa a compreender números, participar das compras, discutir investimentos e assumir responsabilidades. Ao colocar gestão e conhecimento ao lado da experiência acumulada pelas famílias, iniciativas desse tipo enfrentam uma questão decisiva para a cafeicultura: criar condições para que permanecer no campo seja também uma escolha profissional viável para os jovens.

Fonte: Agro e Revenda

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