Última atualização: 24/09/2026 às 11:44
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Por Gabriel Queiroz | Folha do ES
Safra 2026 deve alcançar 67,6 milhões de sacas, enquanto Espírito Santo registra redução de 5,4% na produção total

Foto: Representação/IA
A produção brasileira de café deve alcançar 67,6 milhões de sacas beneficiadas em 2026, segundo o terceiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado nesta quinta-feira (24). O resultado representa uma alta de 19,6% em relação à safra de 2025 e marca o maior volume da série histórica da companhia.
O crescimento ocorre em um ano de bienalidade positiva, principalmente para o café arábica. Além disso, a Conab aponta que o aumento da área produtiva e a melhora da produtividade média contribuíram para o avanço da safra.
Arábica impulsiona crescimento da produção nacional
A área em produção de café no país deve chegar a 1,95 milhão de hectares, crescimento de 5,1%. Já a produtividade média nacional passou de 30,4 sacas por hectare em 2025 para 34,6 sacas por hectare em 2026, uma alta de 13,8%.
Segundo a Conab, o uso de tecnologias no manejo das lavouras e as condições climáticas mais favoráveis ajudaram no desempenho dos cafeicultores.
O café arábica, que representa cerca de 70% da produção brasileira, deve registrar 48,2 milhões de sacas, aumento de 34,8% em comparação com 2025.
Espírito Santo tem queda no café conilon
Apesar do crescimento nacional, o cenário é diferente para o Espírito Santo, principal produtor brasileiro de café conilon.
A Conab estima que o estado terá uma redução de 5,4% na produção total de café em 2026. A queda ocorre principalmente pela menor produção do conilon, que deve recuar 14,3%, chegando a 12,1 milhões de sacas.
Segundo o levantamento, a redução está relacionada à florada irregular nas lavouras de conilon, causada pelas baixas temperaturas registradas nas regiões produtoras.
Por outro lado, o café arábica capixaba apresenta resultado positivo. A produção deve crescer 33%, alcançando 4,38 milhões de sacas, impulsionada pela expansão da área produtiva e pelo ciclo de alta bienalidade.
Outros estados também registram avanço
Minas Gerais continua como destaque na produção de arábica. O estado deve colher 34,96 milhões de sacas da variedade, favorecido pela boa distribuição das chuvas e pelas condições climáticas durante o desenvolvimento dos grãos.
São Paulo também apresenta resultado positivo, com estimativa de 6,19 milhões de sacas de arábica.
Já a Bahia deve registrar crescimento de 1,2% na produção total, com avanço relacionado às condições climáticas, investimentos em insumos e entrada de novas áreas produtivas.
Em Rondônia, onde o cultivo é exclusivamente de conilon, a Conab estima uma safra de 2,88 milhões de sacas, alta de 24% em relação a 2025.
Exportações de café atingem recorde em agosto
Além da produção, o mercado externo também apresentou números relevantes. Em agosto de 2026, o Brasil exportou 3,8 milhões de sacas de café de 60 quilos, maior volume registrado para o mês na série histórica.
O resultado representa alta de 25,8% em relação a julho e crescimento de 43,2% na comparação com agosto de 2025, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
No acumulado de janeiro a agosto de 2026, porém, o país exportou 24,6 milhões de sacas, queda de 6,6% em relação ao mesmo período de 2025.
Mercado acompanha aumento da oferta mundial
A produção mundial de café também deve atingir recorde no ciclo 2026/27, com estimativa de 189,7 milhões de sacas, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Enquanto isso, o consumo mundial deve chegar a 179,7 milhões de sacas, crescimento de 3,6%.
Com a entrada da safra brasileira no mercado e a recuperação da produção em países como Vietnã e Colômbia, as cotações internacionais enfrentam pressão de baixa. No entanto, estoques reduzidos e aumento da demanda ajudam a limitar uma queda mais intensa dos preços.