Nova Venécia e Vila Pavão premiam cafés de qualidade e produtores sustentáveis

Última atualização: 24/09/2026 às 11:52

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Concurso realizado por Nova Venécia e Vila Pavão premiou cafés de qualidade e produtores que adotam práticas sustentáveis nas propriedades rurais

Por Rosimeri Ronquetti | Conexão Safra

Foto: Cintia Zaché

Juntos, Nova Venécia e Vila Pavão promoveram o 1º Concurso de Café de Qualidade dos dois municípios. Mas o diferencial da competição não está apenas no fato de ter sido realizada com cafeicultores de duas cidades diferentes.

Além de reconhecer a qualidade dos cafés produzidos, o concurso também valorizou produtores que adotam práticas sustentáveis em suas propriedades. A premiação aconteceu na última sexta-feira, dia 18.

Além das categorias Natural e Cereja Descascado ou Despolpado, a competição teve ainda o Prêmio Extra de Sustentabilidade, destinado aos produtores que atenderam aos critérios e indicadores estabelecidos no Currículo Mínimo de Sustentabilidade da Cafeicultura, considerando práticas relacionadas à conservação dos recursos naturais, manejo sustentável da propriedade, boas práticas de produção e pós-colheita, gestão e responsabilidade socioambiental.

“O concurso foi além do reconhecimento aos produtores e funciona como um estímulo ao aprimoramento contínuo da atividade, reforçando a importância de uma cafeicultura que alia qualidade, sustentabilidade e valorização do produto”, explica o coordenador do Centro Regional de Desenvolvimento Rural Noroeste do Incaper, Wellington Marré, que também coordena o projeto Cafeicultura Sustentável na região.

O vencedor na categoria Sustentabilidade foi o cafeicultor Braz Veloso Pianissoli, do Sítio da Barra, localizado na Fazenda Veloso, no interior de Nova Venécia. Braz cresceu em meio às lavouras de café e, há cerca de três anos, iniciou uma mudança lenta, porém progressiva, no manejo dos 30 hectares de café que cultiva.

A palha do café, que antes era usada no secador, agora volta para a lavoura para melhorar a fertilidade do solo. Parte dos agrotóxicos utilizados cedeu espaço aos produtos biológicos, e a irrigação passou a ser 100% por gotejamento.

“A gente tenta ter uma propriedade o mais sustentável possível. A gente começa por parar de queimar palha, e o ganho na propriedade foi enorme, tanto para segurar a umidade quanto para nutrir o solo. A mudança na irrigação faz toda a diferença na economia de água, e passamos a usar os biológicos”, explica o produtor.

Braz também falou sobre a importância da premiação para incentivar outros produtores na busca pela sustentabilidade no cultivo do café.

“É, sem dúvida, uma forma de mostrar aos outros produtores que é possível, que funciona. Fazer o produtor entender que sustentabilidade não é só deixar de aplicar agrotóxico, é um conjunto de práticas possíveis de serem aplicadas. Ter a propriedade toda legalizada na parte ambiental, o Cadastro Ambiental Rural, a documentação toda certinha, tudo isso é sustentabilidade. Os organizadores estão de parabéns pela iniciativa.” Além do reconhecimento, Braz também levou para casa uma premiação financeira de R$ 2 mil.

Foto: Cintia Zaché

No total, foram inscritas 50 amostras, distribuídas nas categorias Natural e Fermentado. Dessas, 26 alcançaram mais de 80 pontos e se habilitaram a concorrer na modalidade Sustentabilidade. As propriedades finalistas foram avaliadas nos três eixos: social, ambiental e econômico.

Na categoria Café Natural, Cereja Descascado ou Despolpado, Tiago Onorato de Souza conquistou o primeiro lugar, com 82,50 pontos. Assis Sobrinho Antunes da Costa, com 82,25 pontos, ficou na segunda colocação, e Sebastião da Costa, com 81,25 pontos, em terceiro.

Entre os cafés fermentados, o primeiro lugar ficou com José Luiz Pilon, com 80,75 pontos. Edinaldo Hoffman conquistou a segunda colocação, com 80,25 pontos, seguido por Limdomar Gerke, com 80 pontos.

Os primeiros colocados de cada categoria receberam R$ 7 mil. Os segundos colocados foram premiados com R$ 3,5 mil e os terceiros, com R$ 2,5 mil.

Cafeicultura Sustentável

O propósito do Projeto Cafeicultura Sustentável, desenvolvido pelo Incaper, é fortalecer a cafeicultura por meio da adoção de práticas que contribuam para uma produção mais sustentável, eficiente, rentável e com maior qualidade.
A iniciativa busca apoiar os cafeicultores na melhoria dos processos dentro da propriedade, conciliando produção, conservação ambiental, organização da atividade rural e valorização do café.

Entre as ações trabalhadas pelo projeto estão o manejo sustentável da lavoura, a conservação e o uso adequado do solo e da água, além da adoção de boas práticas durante a produção, colheita, secagem, armazenamento e pós-colheita.

O projeto também incentiva o uso eficiente da água, a proteção das nascentes, a conservação da vegetação e a valorização da biodiversidade.

“Mais do que produzir café, a proposta é estimular uma forma de produzir que respeite o meio ambiente, fortaleça as famílias rurais e gere melhores oportunidades para o produtor, contribuindo para o desenvolvimento sustentável da cafeicultura”, explica Jozyellen Nunes da Costa, agente de extensão em Desenvolvimento Rural do Incaper de Nova Venécia.

Nunes destaca ainda que o projeto incentiva a gestão e a organização da propriedade rural, auxiliando o produtor a conhecer melhor seus custos, planejar suas atividades e buscar maior eficiência na produção.

“Assim, o Projeto Cafeicultura Sustentável contribui para construir uma cafeicultura preparada para os desafios atuais e futuros, unindo qualidade, produtividade, preservação ambiental e valorização do trabalho do agricultor.”

O concurso foi realizado pelas prefeituras de Nova Venécia e Vila Pavão, Sebrae e Cooperativa Veneciana dos Agricultores Familiares (Coovaf), com apoio do Incaper, Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Sindicato dos Produtores e PTK Produções Digitais.

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